A essência das marcas: vinhos e valor acrescentado

Segundo números do Instituto da Vinha e do Vinho, tendo por base dados do Instituto Nacional de Estatística, as exportações de vinho cresceram 2,4 por cento em 2013, seguindo a tendência de crescimento dos últimos três anos. Porém, olhando de forma incisiva para os números, verificou-se uma diminuição do volume exportado e o aumento está intimamente ligado ao preço médio por litro. Assim, percebe-se a toda a longitude que o vinho português está a conquistar prestígio e, nesse âmbito, são os vinhos mais caros, mais famosos que estão a gerar valor para Portugal.

Esta alteração é tremendamente significativa para o sector e igualmente para a marca Portugal e, no meu ponto de vista, tem por base duas características: o actual consumidor comum procura qualidade e o aumento de competitividade que o sector tem registado. Para além disso, há ainda uma terceira medida que contribui em larga escala para esse incremento de prestígio, isto é, a forma como o sector está a saber comunicar o espírito do vinho e da própria gastronomia.

Um dos grandes exemplos chama-se Essência do Vinho. É um evento completo, com alma, carácter e vida, e que reúne características especiais. Para mim possui todos os condimentos para ficar na memória de um visitante e para criar valor acrescentado na marca Portugal.
Em primeiro lugar tem nome. Chama-se Essência do Vinho. E não se apelida de Feira. Como há dezenas ou centenas espalhadas por este país fora. Desde logo a Feira Semanal, passando por feiras de vinhos e gastronomia, onde apenas muda o nome dos produtos. É Essência do Vinho. É única. E começa tudo por aí.

Depois podemos abordar a sua localização geográfica em duas vertentes: a cidade e o local dentro da cidade. Realiza-se no Porto, um dos locais do mundo com mais turistas de curta duração - em grande parte devido ao sucesso dos voos low cost - e que, nessa perspectiva, encontram num certame deste género a cereja no topo do bolo para umas férias de curta duração. Agora é na escolha do espaço físico que o carácter vinícola consegue ultrapassar barreiras.

Quem entra no Palácio da Bolsa, atravessa as suas escadarias de copo na mão, de prova em prova, ouve falar espanhol, alemão e inglês, entra na magia, pára no salão árabe, encontra-se num universo estético de rara beleza e elevada imponência. Junte-se a isso as melhores criações vinícolas portuguesas, com representações de todos os pontos do país, e está a participar na principal experiência de vinho em Portugal. Aliás, pelos números da organização, 22 por cento dos visitantes eram estrangeiros, o que representou um acréscimo de 5 por cento em relação à edição de 2013. Desconheço outro evento deste género de feira que consiga aproximar-se destes números.

Depois há pormenores e, como contam os pormenores para quem pretende classe e diferença. Tradicionalmente o participante pode adquirir um copo para utilizar durante o evento e, no final, levá-lo para casa como recordação. Nesta edição de 2014, que decorreu de 27 de Fevereiro a 2 de Março, o copo era da marca ‘Riedel’. Para quem desconhece o mercado dos copos, diga-se que este é o Ferrari dos copos de vinho. Apesar de não concordar com a escolha do copo, já que a sua elevada dimensão tornava redutora as provas, uma vez que é indicado para grandes vinhos, de modo a que possam respirar na perfeição, vinhos esses tradicionalmente caros no mercado.

Ah! Diga-se desde logo que a Essência do Vinho tem um preço de entrada nada proibitivo e que as provas são totalmente grátis. Sendo que estavam representados 350 produtores e mais de 3000 vinhos à disposição. Voltando ao copo, não era próprio para saborear um Porto, um Madeira ou um Verde, mas sim um maduro de grande porte. Apesar dessa minha exigência, era um ‘Riedel’ fino e, na sua plenitude, elegante. Ao estilo do evento.

A título pessoal, gostaria de acrescentar que estive neste evento, que fui de carro até Vila do Conde, onde segui de transporte público para o Porto, mais concretamente de metro. Da Trindade ao Palácio da Bolsa foram apenas dez minutos a pé, observando desde logo pedaços da história portuense naquelas ruas sinuosas e plenas de vida.

No final desta 11.ª edição, diga-se que foram abertas ao longo de quatro dias mais de 15.000 garrafas, provadas por 23.200 visitantes, onde se incluem 160 jornalistas de todo o mundo.
Em jeito de conclusão, apenas um ou outro pensamento que me ocorre neste momento. Há dois anos o Minho, através do Quadrilátero, recebeu o Concurso Mundial de Bruxelas, que é o segundo mais prestigiado do mundo. Que conclusões foram retiradas dessa experiência? Barcelos é, este ano, a cidade do vinho em Portugal. O que se pode esperar deste rótulo? Braga, em ano de candidatura do Bom Jesus a Património Mundial da Unesco, quer ser a montra dos vinhos verdes.

Já está agendado um evento para os dias 16, 17 e 18 de Maio. Penso que se vai chamar Feira do Vinho Verde...e que se vai realizar no Parque de Exposições de Braga (PEB), local que tradicionalmente recebe a Agro, a Feira Semanal de Braga, o Noddy e os Amigos, e que até recebeu recentemente o juramento de 50 novos voluntários da Cruz Vermelha Portuguesa.


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