Falta de pessoal no Conservatório Calouste Gulbenkian poderá levar à adjudicação da cantina

Isabel Vilhena ·

Falta de pessoal no Conservatório Calouste Gulbenkian poderá levar à adjudicação da cantina
Nota 20 para a Direcção Geral da Administração Escolar (DGAE) que colocou atempadamente os professores para o arranque no ano lectivo no Conservatório de Música Calouste Gulbenkian de Braga.
Mas, se por um lado, houve tranquilidade no quadro de professores, o mesmo não se pode dizer dos funcionários. Nesse capítulo, Ana Maria Caldeira, directora do Conservatório dá nota negativa à Direcção-Geral dos Estabelecimentos Escolares do Norte (DGesT).

“Um problema que se adivinhava e que já vinha a colocar ao director do norte da DGesT de que o Conservatório estava a lutar com dificuldades de assistentes operacionais. Nós pelos rácios, pelo que a legislação prevê temos direito a 25 funcionários e, efectivamente, só temos 19”. Ana Maria Caldeira explicou que esse défice de funcionários era colmatado noutros anos com os Contratos de Emprego Inserção, que, entretanto, acabaram. “Depois de muita insistência foi-me dada autorização para abrir concurso para horas de limpeza, de quatro horas diárias, e um funcionário a tempo inteiro, o que no fundo significa apenas cinco postos de trabalho. O que não nos resolve o problema porque dos 19 temos cinco doentes, o que já são 14”.

Um quadro de tal forma deficitário que levou a directora a adiar a recepção aos alunos para o dia 21 de Setembro. Ana Maria Caldeira apresentou dois casos paradigmáticos no arranque no ano lectivo: a biblioteca e a cantina. “No arranque do ano lectivo, a funcionária da biblioteca ficou doente e só retomamos o serviço da biblioteca esta segunda-feira porque até lá não tínhamos ninguém para colocar nesta área. O serviço da cantina também ficou comprometido, devido a um acidente com a cozinheira, o que levou a Associação de Pais a arranjar um serviço de catering para garantir as refeições nos primeiros dias de aulas”.

Ana Maria Caldeira fala de um absoluto desconhecimento da DGesT sobre a realidade do Conservatório. “Na última reunião a DGesT demonstrou que desconhecia o regime integrado do Conservatório, o que significa 620 alunos de manhã à noite. Temos que ter funcionários das 7 da manhã às 10 da noite. Neste encontro, o director da DGesT percebeu que o movimento desta escola é de tal ordem que servimos 450 refeições diárias”.

A directora do Conservatório vai mais longe e diz que a falta de funcionários no Conservatório poderá levar à adjudicação da cantina escolar, de modo a ‘libertar’ funcionários para outros serviços. Uma situação que não agrada à maioria dos pais e que levou ontem a uma reunião extraordinária do Conservatório com a Associação de Pais. Neste encontro ficou decidido fazer um levantamento exaustivo das necessidades de funcionários do Conservatório para apresentar à DGesT, em Lisboa, num encontro que os pais e a escola tentarão marcar ainda este mês, dado que já em Novembro começam os procedimentos concursais de fornecedores da cantina e situação tem que estar definida.

Ana Maria Caldeira diz que a falta de funcionários coloca em causa a segurança da escola, onde não existe um porteiro. “Nós vivemos todos os dias em pânico, com medo que nos aconteça alguma coisa e que a escola seja acusada de que não garantiu a segurança dos alunos porque realmente não temos condições. Nós estamos a viver com a boa vontade de toda a gente, as pessoas estão nos seus limites. Esta é a minha luta diária”, alertou.

Centenário do Theatro Circo inspira ex-alunos do Conservatório para compor musical

Três ex-alunos do Conservatório de Música Calouste Gulbenkian de Braga - Pedro Lima, Francisco Fontes e Julia Durand - vão produzir o musical deste ano do Conservatório que sobe ao palco do Theatro Circo, em Fevereiro do próximo ano.
O Centenário do Theatro Circo é o tema escolhido para a grande produção que, pela primeira vez, é idealizada e composta com ‘prata da casa’.

Ana Maria Caldeira, directora do Conservatório vê este desafio proposto por estes ex-alunos como “o ponto alto da escola e da cidade, uma vez que este evento tem uma procura extraordinária de público e este ano reveste-se de um interesse muito particular”.
A ideia partiu de Pedro Lima e Francisco Fontes que estão a concluir os cursos de Composição e Ciências Musicais, respectivamente, cuja produção do musical servirá de trabalho final de mestrado.

Os dois ex-alunos resolveram convidar a colega Júlia Durand para escrever o guião, que já está pronto para começar a ser produzido, numa altura em que estão também a decorrer os castings para os ‘actores’ que vão dar vida ao musical.
Para Ana Maria Caldeira “esta é uma forma de “darmos o nosso contributo a estas comemorações do Centenário do Theatro Circo. Havia algumas propostas que foram discutidas com Paulo Brandão, director artístico do Theatro Circo, mas esta é, sem dúvida, a mais interessante de todas”.

A directora classifica o musical deste ano como um grande projecto de escola e de cidade. “Na realidade, nós já chegamos a um ponto em que já são os alunos, que, por sua vez, também foram actores e viveram outros musicais, que decidiram compor o próximo musical, o que nos honra imenso. Chegamos ao ponto de maturação, de serem ex-alunos a produzir aquele que é o momento alto da escola”.

A responsável do Conservatório garante que a concepção da ideia está “giríssima e muito bem conseguida no desafio proposto de retratar o centenário do Theatro Circo”, acrescentando que “o facto de ser uma produção nossa, não temos de pagar direitos de autor para apresentar peças de outros”.
Um século após a abertura, a mais bela sala de espectáculos do país pretende afirmar-se, cada vez mais, como uma referência na vida cultural minhota.
As comemorações começaram, oficialmente, no dia 21 de Abril e vão prolongar-se até Abril do próximo ano.

Conservatório Gulbenkian assegura ensino articulado no Agrupamento de Escolas de Maximinos

O Conservatório de Música Calouste Gulbenkian de Braga saiu dos seus muros para apoiar o projecto do ensino articulado na escola de Maximinos.
O desafio foi lançado pelo director do Agrupamento de Escolas de Maximinos, António Pereira, ao Conservatório que viu neste projecto uma boa forma de abrir as portas, democratizando o ensino artístico.

Neste projecto pioneiro, os professores do Conservatório deslocam-se à Escola Secundária de Maximinos para dar aulas aos alunos do 5.º ano da Frei Caetano Brandão, que da parte da tarde têm aulas de educação musical e instrumento, que este ano incide nos instrumentos de cordas.
Segundo Ana Maria Caldeira, directora do Conservatório de Braga, “ao contrário do Conservatório que luta com falta de espaço e excesso de alunos, o que nos levou a fechar turmas como aconteceu com a do 5.º ano, que não abrimos por falta de espaço, devido à obrigatoriedade de 26 alunos por sala. Já a Escola de Maximinos precisa de alunos e tem óptimas condições para os receber”.

Para a responsável do Conservatório “esta foi a forma da escola abrir as portas, democratizando o ensino artístico porque nós estamos a apertá-lo. O projecto está a correr muito bem, os professores estão a gostar do desafio, que será naturalmente para continuar. A filosofia do Conservatório é dar a oportunidade a todos os alunos de frequentar o ensino articulado”.
Até porque Ana Maria Caldeira não esconde que “o objectivo do Conservatório é que estes alunos optem mais tarde pela área da música e façam o ensino secundário no Conservatório de Música Calouste Gulbenkian de Braga”.

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