A Gestão do cifrão

Victor Esteves

Muito se fala acerca da gestão deficiente e problemática do novo Hospital de Braga, desde o espaço exterior ao deficiente funcionamento interno muitos são os problemas que saltam à vista na primeira visita “obrigatória” que se faz a tão imponente espaço! Obrigatória digo, porque ninguém visita de livre e espontânea vontade sem que por necessidade extrema se trate, em busca da saúde ou em auxílio da familiares ou amigos.

Chegou o meu momento, acompanhei a minha filha a uma intervenção cirúrgica, com a antecipação da data feita por um simples telefonema. Foi marcada para as 15 horas na qual a minha filha com 9 anos, teria de estar em jejum desde o dia anterior. Após uma espera de 2, 45 horas tangente à tortura psicológica e física da criança, é finalmente chamada para a preparação na entrada para o bloco operatório.

Pergunto se é humanamente possível a marcação de uma cirurgia para as 15 horas a uma criança de 9 anos?! Necessitando a mesma de estar em jejum pelo período mínimo de 12 horas mantendo a criança em espera por mais 2,45 horas numa sala onde reinava a confusão e má informação!

Após a intervenção, é mantida no dito “ambulatório” não sendo dado o título de internamento efectivo, ficando a criança e a progenitora mais 24 horas sem qualquer direito alimentação mesmo pernoitando no Hospital. Isto porque para todos os efeitos a criança não consta no sistema como internada. Sendo fornecido, por pena, uma chávena de leite á criança pela equipa de enfermagem. Tão baixo chega esta gestão hospitalar para minimizar os gastos em alimentação!

Será para estes serviços que todos os contribuintes pagam cada vez mais impostos?
Todos nós mais cedo ou mais tarde necessitaremos destes serviços, sendo impossíveis de garantir com qualidade se continuarem a dar prioridade aos ‘cifrões’ em detrimento das necessidades básicas do ser humano!


PS: Quero aqui ressalvar que esta carta não é endereçada às equipas dos profissionais de Enfermagem ou Auxiliares pois o seu trabalho é exemplar, mas sim à gestão e aos responsáveis máximos do Hospital e dos Serviços.


← Voltar ao Arquivo