Não há desemprego de físicos em Portugal

José Paulo Silva ·

“Não conheço físicos desempregados. Os físicos têm uma capacidade polivalente reconhecida em várias áreas”. A afirmação do director do Departamento de Física da Universidade do Minho, António Onofre, poderá ter convencido, ontem, alguns dos 80 alunos que participaram na iniciativa Ciênci@UM a enveredarem por formação superior nesta área.
A Escola de Ciências da Universidade do Minho acolheu, esta sexta-feira, estudantes do 12º ano de quatro escolas secundárias do distrito, que tiveram contacto directo com estudantes e docentes do Departamento de Física, reunindo informações sobre a licenciatura e investigação ali desenvolvida.
António Onofre adiantou que a jornada visou também desmistificar a percepção que a sociedade tem sobre a empregabilidade e saídas profissionais dos licenciados em Física.
“Tenho colegas que foram para a banca, os seguros e a gestão de empresas”, revelou o director do Departamento de Física, considerando esta uma área de conhecimento apetecível em muitos sectores.
Para além de palestras sobre conteúdos dos programas das licenciaturas do âmbito da Física, os participantes na Ciênci@UM realizaram trabalhos experimentais nos laboratórios da Escola de Ciências, participando ainda numa sessão nocturna de observação astronómica.
A jornada dos alunos das escolas secundárias Padre Benjamim Salgado (Famalicão), Barcelinhos (Barcelos), (Braga) e Francisco de Holanda (Guimarães) iniciou-se com uma apresentação do Centro de Física da Universidade do Minho, Nuno Peres, que explicou “O que é ser cientista?’.
A resposta do físico notabilizado internacionalmente pela investigação sobre o grafeno foi simples: “Cientista é alguém que tem uma grande paixão pelo seu trabalho, que o vive intensamente e que gosta de o partilhar com as pessoas à sua volta”.
Ao contrários do que os resultados escolares em Portugal podem indiciar, Nuno Peres entende que “a Física reúne grande interesse nos estudantes do ensino secundário”, se bem que esse conhecimento é posto um pouco de lado na escolha da formação universitária “por desconhecimento”.
O director do Centro de Física reconhece também “a dificuldade em identificar a Física como um curso com boas saídas profissionais, apesar de as estatísticas dizerem que “praticamente não há desemprego de físicos em Portugal”.
Carlos Filipe Lima, docente de Física na Escola Secundária Benjamim Salgado, um dos mentores de Ciênci@UM, aponta a Física Médica como área em grande desenvolvimento em Portugal, sendo cada vez os físicos a trabalhar em contexto hospitalar “na melhoria de métodos de diagnóstico e de tratamento.
Para este professor do ensino secundário, a iniciativa Ciênci@UM constituiu oportunidades para dezenas de alunos definirem com mais segurança o seu percurso académico superior e também para “desmistificar parte da suposta dificuldade que esta área científica representa”.
Ivo Gonçalves, aluno da Escola Secundária D.Maria II, concorda que “a Física não é uma disciplina difícil” e que “abre novos horizontes, mas, mesmo assim, não vai seguir esta formação superior, optando antes pelas engenharias.
Pedro Rodrigues, da Escola Secundária Benjamim Salgado, está indeciso a Engenharia Mecânica e a Física, reconhecendo que esta área lhe abre novas perspectivas de carreira.
Também indecisa quanto ao caminho a seguir concluído o 12º ano de escolaridade, Inês Martins, da Escola Secundária Francisco de Holanda, vê na Física “uma disciplina interessantíssima”, apesar de díficil porque obriga a muitos conhecimentos matemáticos. Antes de concluir a sua participação no Ciênci @UM, Inês não via a Física como “área de vocação”. No final terá pelo menos ficado com a noção de que “um físico é, essencialmente, uma pessoa extremamente curiosa pelos problemas que tem de resolver, sejam teóricos ou experimentais”.
O director do Departamento de Física da Universidade do Minho deixou aos alunos do ensino secundária a mensagem de que “esta é uma área com muitas oportunidades”

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