Língua: Alunos respondem em português a exames espanhóis
Mais de 300 alunos em vários países lusófonos, como Angola, Moçambique e Portugal, estão inscritos em cursos inovadores de uma universidade espanhola, que lhes permite trabalhar em língua portuguesa.
Trata-se dos cerca de 20 programas de mestrado do CEPADE, a escola de negócios da Universidade Politécnica de Madrid (UPM), que permite que os trabalhos escritos e orais sejam redigidos em português.
Esta oportunidade explica o elevado número de alunos lusófonos já inscritos nos mestrados: 300 num universo total de 2.000 alunos, em dezenas de países.
Julián Pavón, diretor do programa, explicou à Lusa que a oferta advém de uma relação que o CEPADE mantém com a Formedia, uma empresa portuguesa dedicada à formação de executivos, empresários e gestores e que se especializou em e-learning.
'É uma modalidade única em Espanha. Os cursos são feitos à distância, são ministrados em espanhol mas os alunos podem realizar as suas consultas, fazer os exames presenciais e até a apresentação oral final de mestrado em português', disse à Lusa.
Pavón considera que esta modalidade é particularmente bem acolhida entre os alunos dos PALOP que têm assim uma oportunidade de aceder a cursos em Espanha que, de outra forma, e pelos obstáculos da língua, não poderiam realizar.
'O futuro é o espanhol e o português relacionarem-se cada vez mais intimamente. A soma das duas línguas torna-as ainda mais poderosas que o inglês', explica o responsável dos cursos.
Pavón recorda que hoje, tanto para espanhóis como para portugueses, 'é relativamente fácil aprender a língua do outro' e que, em muitos casos, 'nem sequer faz falta uma educação formalizada em língua'.
'Através de procedimentos informais como estes do curso, onde os alunos podem colocar questões ou responder em português e onde interagem com alunos espanhóis também em português, acaba por ajudar a que as duas línguas se conheçam mais', sustenta.
Mesmo no caso das orais finais do mestrado, realizadas em Madrid, os alunos podem falar em português, sendo que nesses casos, e como explica Pavón, são examinados por dois professores portugueses e por um espanhol 'que tenha tido muito contacto com a língua portuguesa'.
'Penso que é inevitável que o português se venha a usar cada vez mais como língua de trabalho em Espanha. Esta nossa ideia foi sempre muito bem acolhida e para todos, professores e alunos, é muito positiva', afirmou.
O facto de permitir que alunos, especialmente dos PALOP, tenham acesso a um curso em Espanha mas sempre trabalhando na sua língua, o português, melhora a capacidade de compreensão e o êxito das aulas.
'Em Portugal os nossos alunos têm mais facilidade com o espanhol mas em África isso não acontece. E especialmente os alunos de Angola e Moçambique acolhem muito bem esta opção', frisou.
'Assim chegamos a alunos que, se não tivessem a opção da língua portuguesa, nunca chegaríamos', afirmou.
O êxito do curso reconhece, igualmente, a nova tendência no estudo de português em Espanha, onde os tradicionais cursos de filologia de língua estão a ser abandonados por cursos mais práticos e aplicados, em muitos casos, aos negócios.
'Nós já potenciamos que os alunos espanhóis interajam com os alunos de língua portuguesa. E organizamos visitas de alunos de língua portuguesa a empresa espanholas e vice-versa', referiu.
'É uma forma prática de terem contacto com a língua. Muitos profissionais no mundo dos negócios não conseguem ter tempo para estar em aulas convencionais de português e assim têm um contacto mais aplicado com a língua', afirmou.
*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo cordo Ortográfico***
Trata-se dos cerca de 20 programas de mestrado do CEPADE, a escola de negócios da Universidade Politécnica de Madrid (UPM), que permite que os trabalhos escritos e orais sejam redigidos em português.
Esta oportunidade explica o elevado número de alunos lusófonos já inscritos nos mestrados: 300 num universo total de 2.000 alunos, em dezenas de países.
Julián Pavón, diretor do programa, explicou à Lusa que a oferta advém de uma relação que o CEPADE mantém com a Formedia, uma empresa portuguesa dedicada à formação de executivos, empresários e gestores e que se especializou em e-learning.
'É uma modalidade única em Espanha. Os cursos são feitos à distância, são ministrados em espanhol mas os alunos podem realizar as suas consultas, fazer os exames presenciais e até a apresentação oral final de mestrado em português', disse à Lusa.
Pavón considera que esta modalidade é particularmente bem acolhida entre os alunos dos PALOP que têm assim uma oportunidade de aceder a cursos em Espanha que, de outra forma, e pelos obstáculos da língua, não poderiam realizar.
'O futuro é o espanhol e o português relacionarem-se cada vez mais intimamente. A soma das duas línguas torna-as ainda mais poderosas que o inglês', explica o responsável dos cursos.
Pavón recorda que hoje, tanto para espanhóis como para portugueses, 'é relativamente fácil aprender a língua do outro' e que, em muitos casos, 'nem sequer faz falta uma educação formalizada em língua'.
'Através de procedimentos informais como estes do curso, onde os alunos podem colocar questões ou responder em português e onde interagem com alunos espanhóis também em português, acaba por ajudar a que as duas línguas se conheçam mais', sustenta.
Mesmo no caso das orais finais do mestrado, realizadas em Madrid, os alunos podem falar em português, sendo que nesses casos, e como explica Pavón, são examinados por dois professores portugueses e por um espanhol 'que tenha tido muito contacto com a língua portuguesa'.
'Penso que é inevitável que o português se venha a usar cada vez mais como língua de trabalho em Espanha. Esta nossa ideia foi sempre muito bem acolhida e para todos, professores e alunos, é muito positiva', afirmou.
O facto de permitir que alunos, especialmente dos PALOP, tenham acesso a um curso em Espanha mas sempre trabalhando na sua língua, o português, melhora a capacidade de compreensão e o êxito das aulas.
'Em Portugal os nossos alunos têm mais facilidade com o espanhol mas em África isso não acontece. E especialmente os alunos de Angola e Moçambique acolhem muito bem esta opção', frisou.
'Assim chegamos a alunos que, se não tivessem a opção da língua portuguesa, nunca chegaríamos', afirmou.
O êxito do curso reconhece, igualmente, a nova tendência no estudo de português em Espanha, onde os tradicionais cursos de filologia de língua estão a ser abandonados por cursos mais práticos e aplicados, em muitos casos, aos negócios.
'Nós já potenciamos que os alunos espanhóis interajam com os alunos de língua portuguesa. E organizamos visitas de alunos de língua portuguesa a empresa espanholas e vice-versa', referiu.
'É uma forma prática de terem contacto com a língua. Muitos profissionais no mundo dos negócios não conseguem ter tempo para estar em aulas convencionais de português e assim têm um contacto mais aplicado com a língua', afirmou.
*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo cordo Ortográfico***