Guerra Colonial: Portugueses desconhecem importância que guerra teve para o país - Joaquim Furtado
Os portugueses não têm um conhecimento da guerra colonial proporcional à importância que ela teve na vida do país, considera o jornalista Joaquim Furtado, que na série documental sobre o conflito desvenda factos novos ou mal conhecidos.
Em Angola, o acordo da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) com as forças armadas portuguesas e a repetida confirmação do uso do napalm foram alguns desses factos, que o autor da série documental “A guerra” considera poderem contribuir para aumentar o conhecimento dos portugueses.
“Penso que os portugueses não têm conhecimento do que foi verdadeiramente a guerra ou pelo menos um conhecimento proporcional à importância que teve na vida do país e ainda tem na vida de muitos portugueses e esse foi um ponto que me levou a fazer esta série”, refere o jornalista, em entrevista à Agência Lusa.
Joaquim Furtado procurou “confirmar os factos no seu contexto e dar uma visão de conjunto, articulada, porque um episódio fora do contexto perde o sentido”, mas entende que há ainda muitos pontos, incluídos na série, que necessitariam ser aprofundados.
O mais importante, considera, foi a confirmação, através de testemunhos dos próprios intervenientes, de que houve um acordo de não agressão, em determinadas condições, entre as forças portuguesas e a UNITA.
“Existia a ideia de que tinha havido [esse acordo], mas sempre foi desmentida pela UNITA e nunca nenhum militar com responsabilidades tinha vindo dizer que tinha estado, participado”, recorda o autor da série.
A informação de que foi Mao Tsé Tung quem indicou a Jonas Savimbi, líder da UNITA, a zona de Angola onde deveria começar a guerrilha, e a ideia transmitida por Holden Roberto (líder da UPA/FNLA), de que Franz Fanon (escritor e teórico anti-colonialista francês) esteve na origem do plano concreto da UPA de ataque às fazendas a 15 de março, são outros acontecimentos revelados que considera merecerem ser melhor esclarecidos.
Mas também a declaração de Holden Roberto de que as armas com que a Tunísia apoiou o início da luta da UPA foram enviadas para elementos deste movimento no Congo por capacetes azuis da ONU e ainda a ideia de que Alexandre Tati, dirigente da Frente Nacional da Libertação de Angola (FNLA), se alia aos portugueses, a troco da promessa de autonomia para Cabinda.
O autor da série documental “A guerra” mencionou ainda, neste contexto, a informação de que a Forças Armadas Portuguesas chegaram a proteger, ajudando a mantê-la ativa, uma bolsa de resistência de guerrilheiros do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) (no norte angolano), para que eles pudessem combater a FNLA e a sua afirmação.
Nesta entrevista a propósito do início da guerra colonial, há 50 anos, Joaquim Furtado recorda que até acerca do 04 de Fevereiro, data que os angolanos assinalam como início da luta armada pela independência de Angola, há aspetos por esclarecer.
Quem participou, a confluência entre o que era esta ação, como estava programada, e a probabilidade inicialmente anunciada de as pessoas que fizeram o assalto ao navio Santa Maria irem desembarcar em Luanda, é uma “ligação ou a confluência de iniciativas que não esta totalmente clarificada”, sustenta Joaquim Furtado.
Em Angola, o acordo da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) com as forças armadas portuguesas e a repetida confirmação do uso do napalm foram alguns desses factos, que o autor da série documental “A guerra” considera poderem contribuir para aumentar o conhecimento dos portugueses.
“Penso que os portugueses não têm conhecimento do que foi verdadeiramente a guerra ou pelo menos um conhecimento proporcional à importância que teve na vida do país e ainda tem na vida de muitos portugueses e esse foi um ponto que me levou a fazer esta série”, refere o jornalista, em entrevista à Agência Lusa.
Joaquim Furtado procurou “confirmar os factos no seu contexto e dar uma visão de conjunto, articulada, porque um episódio fora do contexto perde o sentido”, mas entende que há ainda muitos pontos, incluídos na série, que necessitariam ser aprofundados.
O mais importante, considera, foi a confirmação, através de testemunhos dos próprios intervenientes, de que houve um acordo de não agressão, em determinadas condições, entre as forças portuguesas e a UNITA.
“Existia a ideia de que tinha havido [esse acordo], mas sempre foi desmentida pela UNITA e nunca nenhum militar com responsabilidades tinha vindo dizer que tinha estado, participado”, recorda o autor da série.
A informação de que foi Mao Tsé Tung quem indicou a Jonas Savimbi, líder da UNITA, a zona de Angola onde deveria começar a guerrilha, e a ideia transmitida por Holden Roberto (líder da UPA/FNLA), de que Franz Fanon (escritor e teórico anti-colonialista francês) esteve na origem do plano concreto da UPA de ataque às fazendas a 15 de março, são outros acontecimentos revelados que considera merecerem ser melhor esclarecidos.
Mas também a declaração de Holden Roberto de que as armas com que a Tunísia apoiou o início da luta da UPA foram enviadas para elementos deste movimento no Congo por capacetes azuis da ONU e ainda a ideia de que Alexandre Tati, dirigente da Frente Nacional da Libertação de Angola (FNLA), se alia aos portugueses, a troco da promessa de autonomia para Cabinda.
O autor da série documental “A guerra” mencionou ainda, neste contexto, a informação de que a Forças Armadas Portuguesas chegaram a proteger, ajudando a mantê-la ativa, uma bolsa de resistência de guerrilheiros do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) (no norte angolano), para que eles pudessem combater a FNLA e a sua afirmação.
Nesta entrevista a propósito do início da guerra colonial, há 50 anos, Joaquim Furtado recorda que até acerca do 04 de Fevereiro, data que os angolanos assinalam como início da luta armada pela independência de Angola, há aspetos por esclarecer.
Quem participou, a confluência entre o que era esta ação, como estava programada, e a probabilidade inicialmente anunciada de as pessoas que fizeram o assalto ao navio Santa Maria irem desembarcar em Luanda, é uma “ligação ou a confluência de iniciativas que não esta totalmente clarificada”, sustenta Joaquim Furtado.