Há mais vida para além das portagens
Com razões de queixa do seu próprio partido, o presidente da Câmara de Esposende é detentor de uma atitude positiva e dinâmica perante a adversidade maior que se abateu sobre o seu concelho.
Não adianta continuar a murmurar contra a “maior machadada que foi dada ao desenvolvimento de Esposende” com a introdução de portagens na auto-estrada 28.
Idêntica machadada fora dada antes em concelhos do interior mais pobres como Cabeceiras e Celorico de Basto, para falar só dos do distrito de Braga, que há muito pagam portagem para passar na auto-estrada, como bem lembrou Miguel Macedo quando o PSD exigiu estas portagens.
E como não vale a pena chorar sobre o leite derramado, a atitude mais prática e benéfica para os esposendenses que vivem em grande parte do mar e da restauração é seduzir os minhotos pela boca, para suavizar a amargura da portagem.
Se as alterações climáticas e os novos ritmos de vida escolar reduziram o Verão a dois meses e se a erosão das praias está a destruir um dos principais trunfos do único pedaço litoral do distrito de Braga, há que deitar os pés ao caminho e criar novas atractividades que façam de Esposende um ponto de chegada.
É esse o principal objectivo do programa “Março com Sabores a Mar”, que conta com a participação de 30 restaurantes que têm aqui uma oportunidade de “mostrar e valorizar os produtos de excelência da zona, que, devido à massificação do Verão não podem fazer com qualidade de atendimento e de confecção.
São os peixes e mariscos, o vinho e os queijos que constituem quatro alavancas da economia da beira-mar e são suficientes para afirmar Esposende como um destino de extrema qualidade todos os meses do ano.
Ao envolver alunos da Escola Profissional de Esposende (Fão), com um menu, constituído por entrada, prato principal e sobremesa, estão a dar-se passos seguros para se fomentar a inovação gastronómica temperada com a tradição.
Sabor a Mar possui a Feira Gastronómica da Lampreia digerida depois com uma visita à Barca do Lago, ao Castro de S. Lourenço e outros exemplares do património.
A gastronomia de Esposende tem aqui uma oportunidade de ser como o bolo-rei. Este sabe sempre melhor fora da época do Natal. Esposende pode ser mais que dois meses de Verão se não quiser continuar neste Inverno que pede para ficar sentado à lareira a curtir as mágoas da portagem.