Moradores das Parretas indignados com corte de árvores

Isabel Vilhena ·

O abate de cinco árvores que ladeavam o jardim e o parque infantil da Alameda da Fonte, nas Parretas, executado pelos serviços da Câmara Municipal de Braga, no passado dia 5 de Fevereiro, deixou os moradores da zona revoltados.
Em causa, segundo a moradora Maria Humberta Maciel, que denunciou a situação, “está o completo desrespeito pelos cidadãos para quem é suposto este conjunto arbóreo ter sido criado e a irresponsabilidade de um poder autárquico que continua a assumir e a gerir a coisa pública como se se tratasse do seu quintal privado, delapidando meios públicos em acções completamente inúteis, de uma forma quase ‘criminosa”, refere esta cidadã.

Altino Bessa, vereador do Ambiente da câmara de Braga, refuta as acusações, argumentando que “aquilo que foi deitado abaixo eram umas árvores que estavam sem grandes condições e sem enquadramento, cortando a amplitude da praça”.
O vereador garante que no final os moradores vão ficar a ganhar com a nova praça. “O objectivo é abrir mais a praça, aproveitando um terreno ao lado que estava completamente degradado e abandonado. Com este alargamento vamos dar mais dignidade à praça”.

A porta voz dos moradores, Maria Humberta Maciel, afirma ainda que “quando, 20 anos depois, esse conjunto de árvores já ganhava algum porte e começava a cumprir as funções para que foi criado como proporcionar um abrigo de sombra para as brincadeiras das muitas crianças que frequentam o jardim infantil, uma barreira de protecção ambiental para a poluição, aérea e sonora, os serviços públicos (câmara e junta de freguesia) fazem tábua rasa do trabalho feito e do dinheiro gasto e destroem um espaço com que a maioria da população da zona finalmente se identificava”.

Altino Bessa explica que, segundo informações dos técnicos da autarquia, algumas destas árvores já estavam podres e para substituir estas espécies, a câmara vai proceder à plantação de árvores mais adequadas para aquele local. No final aquele local não vai ter menos árvores do que aquelas que tinham”, assegura o vereador.

O vereador do Ambiente diz que “há sempre resistências, inclusivamente de uma moradora neste local, que eu recebi duas vezes no meu gabinete, que tem sempre alguma resistência a este tipo de trabalhos, nomeadamente às podas, porque a senhora acha que tudo deve ser deixado de uma forma natural, mas a cidade não é propriamente uma floresta, onde as coisas crescem espontâneamente, as espécies carecem de tratamento”.

O responsável pelo ambiente garante que a autarquia tem plantado muito mais árvores do que aquelas que tem abatido. “As árvores não são pessoas e quando temos algum fundamentalismo, quando falam que estão a amputar as árvores como se tivessem a cortar membros a pessoas, não é exactamente a mesma coisa”, vincou Altino Bessa, reiterando que “a câmara estará disponível para abater árvores desde que entenda que elas não têm interesse e que possamos substituí-las por outras que possam ter maior interesse, até do ponto de vista da própria manutenção para que no futuro possamos ter uma harmonia maior e até menores custos naquilo que é manutenção desses espaços”.

← Voltar às notícias