Jorge Sequeira: “Ninguém acredita nos políticos”

José Paulo Silva ·

Jorge Sequeira: “Ninguém acredita nos políticos”
O bracarense Jorge Sequeira anuncia amanhã, no Parque Biológico de Vila Nova de Gaia, a sua candidatura à Presidência da República. Sob o lema ‘Portugal Somos Nós’, este psicólogo justifica o propósito de concorrer às ‘presidenciais’ de Janeiro de 2016 “por ver tantas pessoas indignadas, carregadas de desânimo e atribuindo sistematicamente ao poder político a causa de todos os seus males”.

Enquanto procede à recolha das assinaturas de cidadãos necessárias para formalizar a sua candidatura, Jorge Sequeira assume esta “como plataforma de cidadania participativa e apartidária, mas que não exclui a sensibilidade ideológica”.
Consciente da posição difícil em que parte para a ‘corrida’ ao Palácio de Belém, por não ser político profissional ou candidato apoiado por qualquer máquina partidária, Jorge Sequeira apresenta-se convicto de que “não está demonstrada qualquer supremacia moral e intelectual por parte de quem tem liderado o destino do nosso país”.

“Temos de contribuir, antes que a desconfiança endémica nos destroce a alma, bem ilustrada pela abstenção galopante ou pela percepção de que o voto é inconsequente”, apela o candidato, que se apresenta como investigador, empresário, consultor e comentador televisivo.
Jorge Sequeira já leccionou em cursos para treinadores de futebol, modalidade que acompanha com paixão, tendo sido também provedor do adepto.

Acredita que “só a meritocracia poderá restaurar a democracia, cuja representatividade está debilitada”, o que obriga a “aumentar a implicação das “pessoas extraordinárias que já deram provas insofismáveis da sua competência”.
Ao ‘Correio do Minho’, Jorge Sequeira garante que a sua candidatura é para ir até ao fim. “É a coisa mais séria que fiz até hoje”, declara, consciente de que poderá vir a ser “ridicularizado” pela opção de se apresentar ao eleitorado sem dinheiro para “comícios da treta”.

Apesar do seu discurso irreverente, Jorge Sequeira recusa “ser o engraçadinho”, assumindo-se como “cidadão que está farto de pagar muito e receber pouco, farto de assistir a tragédias políticas que colocaram Portugal no lixo”.
Este candidato à Presidência da República, que nunca teve militância partidária, considera que “já ninguém acredita nos políticos” e que os portugueses estão “habituados a uma partidocracia, não a uma verdadeira democracia”.

Acrescenta que os portugueses já perceberam que os partidos não resolvem os problemas”, pelo que “metade da população não vota porque não se revê neste sistema”.
Perguntamos a Jorge Sequeira o que levará o eleitorado português, mais ou menos abstencionista, a votar num “cidadão que gostaria de ser levado a sério”. Com a confiança e optimismo que o caracterizam assume: “O meu histórico profissional coloca-me muito bem. Sou doutorado e trabalho com as melhores empresas”. Para além disso, os 110 países em que já esteve dar-lhe-ão uma mundividência que “nenhum Presidente da República teve”.

Dos inquilinos do Palácio de Belém eleitos no pós-25 de Abril de 1974, Ramalho Eanes é aquele com quem mais se identifica, pela “coragem serena” que revelou. De outro presidente, Jorge Sampaio, apreciou o “estilo de actuação”.
Candidato de Esquerda ou de Direita? Jorge Sequeira responde que “as pessoas já não se reveem nesse paradigma” e que, para ele próprio, “ser de Esquerda ou Direita não diz nada”.
O candidato a Presidente da República constata que “estamos num tempo em que a ditadura Esquerda/Direita, travestida de Democracia, provou não ser eficaz”.

Rever Constituição para dar mais poderes ao Presidente

Jorge Sequeira defende um reforço dos poderes do Presidente da República, assumindo-se como “catalisador” de uma revisão constitucional nesse sentido caso seja eleito. “A função está desprestigiada, ninguém liga ao Presidente da República”, constata o candidato, crítico da “figura apagada” de Cavaco Silva. “O Presidente da República tem de deixar de ser a Rainha de Inglaterra”, sustenta, censurando a voz “pouca activa” que o actual chefe de Estado tem tido nos seus mandatos. Por isso Jorge Sequeira aponta a necessidade de “uma lufada de ar fresco num discurso político que faz sono”.

Do seu ideário de candidatura, o bracarense que garante conhecer o país “de lés a lés” destaca, para além da defesa da meritocracia, “outros temas de que ninguém fala” como o aumento da ambição, da criatividade e da inovação ou a necessidade de termos “lideranças menos tóxicas”.
Jorge Sequeira constata ainda que “os níveis de optimismo em Portugal são dos mais baixos da Europa”. Um psicólogo na Presidência da República faria bem ao estado de espírito dos portugueses? O ‘motivational speaker’ Sequeira garante que sim, mas avisa que “temos de nos deixar de queixar dos políticos que temos. Quando nos queixamos e não fazemos nada, deixamos de ser vítimas e passamos a ser cúmplices”.

Porque “as palavras influenciam”, o candidato a Presidente da República está disposto, na campanha para as eleições de Janeiro de 2016, a falar onde o quiserem ouvir.
Reconhece que “esta candidatura não tem fundos, apenas a convicção profunda que todos podemos ter um papel mais activo”.
Jorge Sequeira antecipa as dificuldades de acesso aos grandes palcos mediáticos para fazer passar as suas ideias, apesar da sua experiência como comentador no ‘Porto Canal’.

A sessão de anúncio formal da sua candidatura será preenchida, em grande parte, com um ‘best of’ dos seus comentários naquele canal de televisão regional, a melhor forma que encontrou para fazer passar o seu pensamento sobre o Portugal de hoje.
Confessa Jorge Sequeira que, nos tempos que correm, “a verdade parece-nos obscena, vivemos confortados com a mentira”.

É contra “o discurso politicamente correcto que não entusiasma ninguém”, apontando como exemplo o “grande bocejo” que constituiu o discurso do Presidente Cavaco Silva nas comemorações do último 10 de Junho. “Também serei institucional”, garante Jorge Sequeira aos mais preocupados com o seu discurso desalinhado com o “tacticismo, os jogos de bastidores, um certo cozinhar” com que define a “experiência política”. 

Assim, “não ser político é uma vantagem para um Presidente da República”, porque não está dependente das máquinas partidárias e das famílas políticas. Pecado de que Sampaio da Nóvoa, candidato assumido à Presidência da República, já sofre. “Já está a cair na lógica partidária, pôs-se a jeito”, diz Sequeira a propósito da posição expectante do ex-reitor quanto a um apoio do Partido Socialista à sua candidatura.

“Eu não vou reivindicar apoios partidários, mas não rejeito ninguém”, adianta Jorge Sequeira, um homem que luta para ver a sua fotografia no boletim de voto das próximas eleições presidenciais, “não para ganhar algo, mas para que o País ganhe com algo diferente”.
No apelo ao voto no seu nome apresenta a “experiência de mundo e experiência profissional”, a par de “algum vigor físico para abraçar propósitos maiores”.

Jorge Sequeira, que completa 50 anos em Janeiro próximo, não aceita que, sendo a idade da reforma aos 65 anos, “as pessoas só se candidatem à função mais importante do País com essa idade”. 
Mais um toque de ironia de um candidato que quer ser levado a sério e que promete “ir até ao fim”.

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