A mentira é um teste de stress à democracia

Felisbela Lopes ·

Não serão o futuro do jornalismo, porque simplesmente não é de jornalismo que aqui se trata. As “fake news”, as falsas notícias, sempre existiram, mas agora redimensionam-se à escala global. E têm um representante de peso: Donald Trump. Olhando para os Estados Unidos hoje, podemos ver que se vive aí um autêntico teste de stress à sua democracia. Será o país capaz de reconhecer e corrigir o erro colossal que terá sido a eleição de Donald Trump para Presidente?
Um dos últimos número da Time interrogava se a verdade morreu. Percorrendo o longo artigo da revista norte-americana, a resposta é “nim””. Porque, em alguns ambientes, meios de comunicação social incluídos, procura-se incansavelmente uma aproximação àquilo que acontece. Sem rodeios. Sem intenções duvidosas.

É um facto que o paradigma de comunicação parece estar a mudar, porque aqui há um protagonista com um forte poder de agendamento daquilo que faz. Os media de referência não gostam dele, já se percebeu, mas Donald Trump não precisa de atrair a simpatia dos jornalistas, porque dispõe, em permanência, de 140 caracteres, para escrever o que quiser. E todos replicam aquilo que ele faz. Era assim no tempo em que foi o candidato mais improvável do Partida Republicano, é mais assim depois de ter ganho as eleições.

Há, pois, novas regras para o debate público. Regras estranhas, deve reconhecer-se. Porque estamos perante inverdades deliberadas que se constroem numa pseudoreferencialidade que se discute um pouco por todo o lado. A seu favor, Trump apresenta várias situações: disse que ganhou as eleições quando poucos acreditavam nisso, antecipou a vitória do Brexit contra uma opinião publicada dominante que garantia a permanência na União Europeia e falou em ataques na Suécia poucos dias antes de ter havido aí graves tumultos (!). À medida que avançamos neste tipo de argumentário, pensamos estar no domínio do inverosímil, mas... possível.

A Time, porém, toma posição perante aquilo que apresenta. Escrevem os jornalistas que o país precisa de políticos em quem confiar e que a democracia necessita de factos verdadeiros. E nós, enquanto leitores, precisamos de meios de comunicação social assim:

← Voltar às notícias