Ranking das escolas e reconhecimento do mérito e excelência
No passado fim de semana, fomos confrontados, mais uma vez, com a divulgação, pelos órgãos de comunicação, dos resultados dos exames nacionais (este ano do 4.º ao 12.º ano) e da hierarquização das escolas em função dos mesmos resultados. O agrupamento Sá de Miranda está colocado a meio do ranking. Gostaríamos de ter obtido melhores resultados nos exames nacionais e a melhoria que obtivemos em relação ao ano anterior não nos satisfaz.
Temos identificado os problemas: uns persistentes, outros fruto de situações pontuais. Entre os problemas persistentes, os resultados na disciplina de Biologia e Geologia e na de Física e Química A são uma preocupação para a qual procurámos soluções nos últimos anos. Apesar do trabalho dos professores e dos alunos, não conseguimos melhorar os resultados. Claro que esta situação é comum à quase totalidade das escolas e repete-se há vários anos.
Não nos parece razoável que não se tenha investigado e criado conhecimento que permita compreender e intervir nesta situação. Não é credível, para as escolas, para os alunos e professores destas disciplinas, a diferença entre a classificação de frequência obtida pelos alunos e a classificação de exame. Esta diferença obriga-nos a perguntar o que estamos a testar e tentar medir com estas provas.
O olhar, terrivelmente simplista, que se lança sobre os resultados, criando a imagem de que o privado é que bom e resolve todos os problemas de aprendizagem, mesmo com todo o cuidado na análise, não deixa de caus
ar alguma perversidade e preocupação. Costumamos referir uma instituição privada, que detém vários estabelecimentos de ensino, e que obtém posições muito diferenciadas no ranking. Esta discrepância não parece ser de atribuir nem à direção nem aos professores de cada estabelecimento, mas antes a todas as outras variáveis presentes no ato de educar.
Sendo o agrupamento Sá de Miranda um agrupamento urbano, situado numa capital de distrito, os resultados em algumas disciplinas abaixo da média nacional dizem-nos quanto temos ainda de trabalhar e evoluir. Só o envolvimento dos pais, dos alunos e dos professores permite dotar os jovens das ferramentas que lhes permitirão sair do quadro social e cultural complexo em que se encontram. Mas não acreditem que se faz sem esforço…
Que o digam os alunos que vamos homenagear dias 15 e 22 de novembro no Teatro da escola Sá de Miranda, e também todos aqueles que, não conseguindo o mérito ou a excelência, desenvolveram um trabalho sério na escola.
Este ano, no dia 15, porque 17 é feriado (a data em que foi criado o Liceu Sá de Miranda), agraciamos além dos alunos que se distinguiram (mérito e excelência) os professores e funcionários que se aposentaram, prestando-lhes uma justa homenagem. Dia 22, numa cerimónia idêntica, homenagearemos os alunos, professores e funcionários do Agrupamento de Palmeira.
A identidade do novo agrupamento ainda vive necessariamente da diferença e especificidade de cada uma das antigas memórias.