A geração X, a geração Y e a geração CEJ
Depois da loucura, no final dos anos 80 e início dos anos 90, Braga passou por um estranho hiato, onde a oferta cultural era escassa. O distrito mais jovem do país onde cresci, com sede de mais, era mortiço e os poucos eventos que houve foram tão marcantes que ainda hoje se falam deles. Alguns culpam as longas obras no Theatro Circo, outros culpam a geração letárgica - a geração x ou lá que letra era! Tendo vivido a minha adolescência e a maior parte da juventude nessa altura, poderia manter-me a carpir com os demais, no entanto neste momento, são esses jovens de então, em conjunto com os jovens desta geração (é Y?) que estão a acordar a cidade.
No meio do tal panorama desértico foi-me possível encontrar cúmplices e fundar a AENIMA - Associação Juvenil de Ambiente Educação, Integração e Desenvolvimento de Comunidades (sim, já nos arrependemos muitas vezes do nome demasiado comprido, mas só por ser comprido, porque para reflectir o trabalho feito teria que ser maior). Depois de vários programas de cariz social, parcerias com outras associações, entidades públicas e privadas, começamos também a apostar em grande na cultura, realizando exposições, tertúlias, cinema e muita música. A juventude começou a mexer em todo o lado.
Há dois anos, surgiu a oportunidade de uma candidatura da cidade à Capital Europeia da Juventude, pelo que alinhamos de imediato. Embora esteja a me-nos de uma semana de me expirar a idade legal da juventude, ainda não me sinto reciclável para a geriatria e, como não estou sozinho, a única opção foi avançar.
Pretendemos fazer jus ao nome da associação com os vários projectos a desenrolar, integrados na Braga CEJ2012 (a AENIMA tem mais!): o Futebol de Rua - um modelo completamente diferente da abordagem à modalidade com pendor essencial no fair play, no desportivismo, na promoção e educação de atitudes sociais mais adequadas e de estilos de vida saudável, em todo o concelho; o Bracari - segredo a desvendar devagar, de carácter histórico, educativo e
lúdico; e o Street Art e Património - projecto que já teve o Call Up e que já recebeu várias propostas de todo o tipo de artistas.
Entretanto, saltou da gaveta sem já contarmos muito, o Dia Municipal do Músico. Finalmente, a AENIMA poderá pôr em prática um projecto há muito batalhado pelo nosso Excelentíssimo Director Geral, criador do conceito.
Desde cedo que me interesso por música. Já fui a concertos de todos os estilos, de grindcore à ópera, passando pelo rock, fado, hip-hop e electro. Acompanhei amigos e as suas bandas, ensaios e estúdios. Até já tive uma banda de duvidosa qualidade, na qual emitia sons de qualidade, sem qualquer dúvida, nula. No entanto, não sou músico e nunca me ia lembrar de festejar a música pelo lado concretizador e não pelo lado do produto final.
Graças à AENIMA, participei na produção de mais de uma centena de concertos, de variados estilos, e fui conhecendo melhor o bicho músico, nas suas mais variadas formas: o das tatuagens, o vestido de preto, o vestido de amarelo, a prima-donna, o alcoólico, o betinho, o “wannabe”, até o músico instituição.
Aprendi muito, e não poucas vezes os senhores me agradeceram do palco, só por ter sido simpático, ter falado com eles, ter ajudado com o material e os ter levado a comer. Nem técnico sou, atenção! Logo, fico entusiasmado de lhes poder agradecer de volta e ajudar a implementar o projecto do seu Dia Municipal, a fazê-lo crescer ao nível nacional e quem sabe até mais do que isso. Marcar Braga como pioneira na festa dos músicos - o dia em que estes saem à rua para executar a sua arte e são homenageados.
De uma forma geral, agrada-me a ideia de poder estar, em conjunto com todos da AENIMA, a marcar uma geração, mudar-lhe as letras, fazer um upgrade de uma para três, uma geração CEJ, de jovens que hoje não têm hiato nenhum e que se podem preparar para continuar a construir, ter ideias e criar um futuro que exista já, desde agora, e que não seja apenas uma miragem.