‘O Horizonte Perdido’: um livro de esperança

Marlene Cerqueira ·

“Este não é um livro de violência, é um livro de grande esperança, um livro que nos diz que no meio de tudo o que corre mal há sempre uma saída”. As palavras são de Felisbela Lopes, pró-reitora da Universidade do Minho, que ontem apresentou o livro ‘Angola —O Horizonte Perdido’, da autoria de António Coimbra.

Apresentado no Clube de Ténis de Braga ao final do dia, este livro conta-nos a história de um português que, como tantos outros, construiu a sua vida em solo africano, que depressa aprendeu a amar e que, um dia, foi obrigado a deixar.

Felisbela Lopes deu por “bem empregue” o tempo que investiu a ler as 436 páginas escritas por António Coimbra e partilhou com uma plateia, composta por quase uma centena de pessoas, as suas impressões pessoais sobre a obra.
“É uma obra muito prazerosa de ler”, confessou a pró-reitora, alertando, no entanto, que este é um livro “exigente”, um livro para “leitores atentos”. O leitor é convidado a entrar na história pelo seu remate, e ao longo das páginas vai acompanhando a narrativa de ‘Tonito’.

Confissões do autor

E o ‘Tonito’ tem muito do autor, como o próprio confessou no decorrer da apresentação do livro.
“Muito do que está neste livro foi vivido por mim, mormente no que se refere à guerra no Lobito. Eu, o Toni, vivi aquelas situações”, confessou António Coimbra, revelando que também os episódios contados a propósito da infância de ‘Tonito’ foram por si experienciados.

No entanto, o autor alertou que “há outras situações descritas que são romanceadas. Eu não sou aquele ‘mafarrico’ que às vezes aparece na história”, referiu num tom divertido, denotando que na plateia além de admiradores tinha sobretudo amigos.

António Coimbra admite que “este livro tem uma parte polémica” que se prende com a forma como a descolonização foi feita. A editora, a Papiro, na sinopse da obra refere que “A voz de António Coimbra é a voz de todos aqueles que, revoltados com a versão ‘oficial’ dos acontecimentos, se querem fazer ouvir”.

António Coimbra não está contra a descolonização, como fez questão de deixar bem patente. Está sim contra a forma como foi realizada.
“A descolonização tinha de ser feita, concordo com isso, mas eu entendo que nunca deveria ter sido feita como foi, porque deixou à deriva milhares de pessoas. Eram pessoas de bem, que viviam do seu trabalho e que, de um momento para o outro, ficaram com a roupa que tinham no corpo”, esclareceu.

A apresentação do livro coube a Felisbela Lopes e a apresentação do autor coube a um amigo de António Coimbra, o vice-reitor da Universidade do Minho, José Mendes, para quem “este livro foi escrito em Portugal no momento exacto”.
José Mendes elogiou o carácter de António Coimbra, que conheceu no Clube de Ténis e com quem já disputou algumas partidas deste desporto.

Na sessão usou também da palavra a vice-presidente do Clube de Ténis de Braga, que agradeceu ao autor o facto de ter escolhido a sede desta associação para apresentar esta obra, uma vez que esta iniciativa também ajuda a divulgar o próprio clube. Com 264 sócios, o Clube de Ténis de Braga é actualmente por quase 400 alunos.

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