Gérald Bloncourt apresentou livro em Celorico de Basto
O Município de Celorico de Basto recebeu, recentemente, “o Olhar de Compromisso” do conceituado fotógrafo francês Gérald Bloncourt, âmbito das cerimónias dos
O Município de Celorico de Basto recebeu, recentemente, “o Olhar de Compromisso” do conceituado fotógrafo francês Gérald Bloncourt, âmbito das cerimónias dos dez anos de gemina- ção entre o concelho minhoto e Houilles.
O Centro Cultural da Biblioteca Municipal Professor Doutor Marcelo Rebelo de Sousa foi o palco escolhido para receber o fotojornalista, que apresentou, o livro “o Olhar de Compromisso” com os filhos dos grandes descobridores, um dos mais conceituados livros do género que retratam a emigração portuguesa desde a década de 50 à década de 70.
Tratou-se, portanto, de uma cerimónia intimista onde o fotojornalista mostrou “o seu olhar” sobre o percurso de muitos emigrantes portugueses, num livro escrito por Daniel Bastos e traduzido por Paulo Teixeira.
O presidente da Câmara Municipal de Celorico de Basto, Joaquim Mota e Silva, marcou presença na cerimónia de apresentação do livro e referiu tratar-se de uma pequena homenagem a Gérald Bloncourt. “Esta é uma pequena homenagem feita a um grande fotojornalista que retratou a emigração ao longo de muitos anos a esta parte. Estes retratos expostos nesta exposição são demonstrativos do trabalho feito ao longo dos anos, um testemunho vivo da adaptação dos emigrantes à terra que os acolheu, a forma como fizeram o percurso, o local de onde vinham” disse.
“Um trabalho cheio de história, memória e muita emoção, que retrata momentos que fizeram parte da nossa realidade e que enriquece a história de Portugal” destacou o autarca.
Gérald Bloncourt nasceu no Haiti em 1926, tendo vivido parte da sua vida em Houilles, arredores de Paris, local onde descobriu a emigração e os Portugueses. Ago
ra, com 90 anos diz que cada vez que visita o nosso país encontra “a mesma emoção no povo português. Conheci este povo e fiquei a admirá-lo, pela sua coragem, pelo trabalho, são capazes de fazer tudo. Mas queria saber mais desta gente que chegava a França, de onde vinha, o que os movia, e decidi visitar este país, então vim a Portugal, fiquei fascinado com Lisboa, com o Porto, e esta minha curiosidade fez de mim fotojornalista. Não há nada mais objetivo que a fotografia” destacou.
Durante as várias intervenções, o livro de Gérald Bloncourt foi mencionado como um documento histórico. Paulo Teixeira, tradutor da obra, referiu mesmo que se resume em três palavras: memória, gratidão e emigração.
Já para o escritor Daniel Bastos, este livro pertence a uma personalidade que “enriquece a história de Portugal, com um percurso de vida e olhar humanista dos nossos emigrantes.”
“Gérald Bloncourt retratou a história da emigração, esteve em Portugal aquando do 25 de Abril e retratou este momento histórico de forma única tendo vivido histórias muito particulares sobretudo no que concerne ao transporte das fotografias, uma personalidade ímpar”, vincou o escritor da obra.
Também Maria Beatriz Rocha Trindade, professora catedrática que estuda sobre a emigração e que descobriu este fenómeno migratório quando esteve em na capital francesa, destacou nesta cerimónia o facto do “poder político nacional ter verificado que os portugueses estão em todo o mundo, daí a decisão de modificar o dia de Portugal para o dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas”. “Portugal exalta-se pelo mundo pela sua história, agora mais rica com este livro”, concluiu a professora.
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