A Região Demarcada do Douro estima um aumento da colheita para as cerca de 300 mil pipas nesta vindima, mas as atenções estão muito concentradas nas condições meteorológicas que poderão condicionar a produção.
Já se vindima no Douro. Algumas propriedades começaram a cortar as uvas brancas, enquanto as tintas estão um pouco mais atrasadas em termos de amadurecimento. Dentro de duas semanas a região demarcada estará em plena vindima.
Segundo dados da Associação de Desenvolvimento da Viticultura Duriense (ADVID), a expetativa de colheita para esta vindima possui um intervalo entre as 303 e as 366 mil pipas.
O responsável pela ADVID, Fernando Alves, disse à agência Lusa que se prevê uma “boa” colheita no Douro, mas “não extraordinária”.
A confirmarem-se as previsões, o aumento da produção será de cerca de 40 por cento comparativamente com a declarada no ano passado (211 mil pipas) e cerca de 20 a 25 por cento superior à média de produção do Douro (265 mil pipas).
Fernando Alves referiu ainda que a colheita deverá rondar o intervalo inferior porque o intenso calor que se fez sentir neste verão “limitou um pouco o crescimento do bago para grandes volumes”.
Quanto à qualidade, o responsável espera um “resultado final muito bom”.
Isto porque, explicou, verificou-se um 'bom abastecimento de água durante o inverno e primavera que ajudaram a planta durante o verão'. Já não chove no Douro desde 10 de junho.
“Medições feitas esta semana revelam que ainda existe uma razoável disponibilidade hídrica para as plantas e se a temperatura não for excessivamente al
ta a videira vai trabalhar mais depressa e melhor”, salientou.
Do ponto de vista sanitário, a doença que mais afetou a vinha este ano foi o oídio, obrigando os produtores a estarem muito atentos e a fazerem vários tratamentos.
Regularmente, Francisco Ferreira vai ver as previsões meteorológicas para os próximos dias. Esta é uma ferramenta a que recorre o responsável pela gestão agrícola e administrativa da Quinta do Vallado, localizada na zona do Baixo Corgo recorre cada vez mais.
O Vallado começou esta semana a cortar as uvas brancas e, para já, Francisco Ferreira, perspetiva uma boa produção e de boa qualidade. “As uvas estão sãs”, salientou.
Só que, acrescentou, essa mesma qualidade pode ser radicalmente alterada num curto espaço de tempo.
“Com a previsão do tempo podemos organizar melhor as coisas. Por exemplo, tenho umas uvas que só prevejo apanhar daqui a sete dias, mas se as previsões do estado do tempo me dizem que vai chover dentro de cinco dias, eu vou antecipar o corte dessas mesmas uvas”, salientou.
No Douro Superior, também Francisco Olazabal, da Quinta do Vale Meão, estima um aumento da produção em mais cerca de 40 por cento comparativamente com o ano passado.
“Choveu muito no inverno e as videiras têm muita água disponível no subsolo e estão a aguentar bem este mês muito quente e seco. A qualidade depende muito dos últimos dias antes da vindima”, salientou.
Olazabal referiu que as vindimas no Vale Meão arrancam na próxima semana com algumas castas mais precoces.
*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***
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