Benjamim Pereira: Encaro novo mandato com o máximo profissionalismo

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autor

Rui Alberto Sequeira

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Benjamim Pereira conseguiu para o PSD uma goleada eleitoral em Esposende nas autárquicas de Outubro. Em entrevista à Rádio Antena Minho e ao Correio do Minho, o reeleito presidente do Município esposendense diz que mudar toda a equipa de vereadores foi uma aposta ganha e reafirma compromissos assumidos com os eleitores para os próximos quatro anos.

P - No passado dia um de outubro foi reeleito presidente da Câmara Municipal de Esposende (CME) para um segundo mandato. Obteve uma vitoria histórica para o PSD no concelho ao conquistar seis dos sete lugares na vereação. Que análise fez deste autentica “goleada” eleitoral?
R - Seria hipócrita da minha parte dizer que não estou satisfeito, mas não fixei uma meta para atingir a satisfação em termos eleitorais. O que eu pretendia era ter uma oportunidade para implementar as minhas ideias, o meu projecto. Isso bastava-me. Foquei-me muito no meu trabalho durante o mandato anterior e sentia que as pessoas estavam connosco. As eleições não foram ganhas durante a campanha eleitoral, foram ganhas ao longo de quatro anos de trabalho, dedicação, empenho.

P - Fez uma renovação na equipa de vereadores do mandato anterior para este.
R - Sim uma renovação total.

P - Foi uma opção ou houve outras circunstancias?
R - A saída de algumas pessoas aconteceu por terem optado por outros projectos políticos. Eu defendo a limitação de mandatos e da mesma maneira que um presidente de câmara só pode candidatar-se três vezes penso que os outros actores políticos também se devem renovar nos cargos. Claro que a escolha de outras intervenientes está relacionada com o que é o meu projecto político onde procuro ter os melhores para determinadas áreas de intervenção politica. Esta é uma responsabilidade política que é minha. Agradeço publicamente o trabalho desenvolvido por todos aqueles que foram meus vereadores no anterior mandato.

P - A vitoria esmagadora nas ultimas autárquicas, com o PSD a conquistar seis dos setes lugares no executivo municipal, permite uma descompressão ou aumenta ainda mais a responsabilidades para este segundo mandato?
R - Se as pessoas acreditaram nosso projecto, a nossa responsabilidade aumentou imenso. Os compromissos existem, estão assumidos publicamente quer nos 20 comícios que fiz durante a campanha, quer por escrito no programa que apresentei aos eleitores. Este exercício de responsabilidade é para levar muito a sério. Não gosto de ir por caminhos populistas e enganar o eleitorado.
P - Como que vê o regresso do ex-presidente da CME, João Cepa - de quem foi no passado vice-presidente; ao executivo da autarquia esposendense ainda que eleito por um movimento independente.
R - João Cepa foi um bom presidente da câmara e desejo que seja também um bom vereador da oposição, aliás o único. É isso que eu espero dele. Eu tenho o meu projecto político para levar por diante, tenho um compromisso com os meus eleitores e, portanto, cada um tem o seu papel.

P - Mas teve um sabor especial o expressivo resultado eleitoral de um de outubro sobre o seu antecessor?
R - A minha vitoria não foi contra ninguém, foi a favor do município.


P - Após as eleições de 2013, foi público que o seu antecessor, João Cepa, fez uma oposição muito visível nas redes sociais e em outros fóruns à sua gestão e à sua figura.
R - As pessoas têm toda a legitimidade para ter a sua opinião. No caso que estamos a falar tratava-se de um cidadão com outro qualquer que não tinha qualquer cargo político. Eu não posso andar a responder a todos os cidadãos que discordam ou concordam com o que faço. O nosso relacionamento é institucional, de respeito mútuo, pelo menos do meu lado. Ninguém me vai ver na praça pública a responder, com falta de educação, a relembrar episódios menos felizes do passado. O povo não quer estas ‘tricas’ e a prova de que não quer, é que eu mantive-me em silêncio durante quatro anos e as pessoas reconheceram isso dando-me a maior votação de sempre. Acho que devia servir de lição para muitos. Eu costumo dizer que tenho nervos de aço. É muito difícil tirarem-me do sério.

P - O seu antecessor João Cepa afirmou que a sua eleição há quatro anos aconteceu em grande parte devido ao bom trabalho que herdou. Esta reeleição conseguida de forma inquestionável foi uma avaliação dos esposendenses aos seus primeiros quatro anos e por outro lado o facto de se ter apresentado com uma nova equipa de vereadores, representou a ruptura com o passado?
R - Eu nunca olhei para essas declarações como ofensivas ou retirando qualquer mérito. Acho que as pessoas devem orgulhar-se dos trabalhos dos anteriores presidentes eleitos pelo PSD. Eu não preciso de retirar o mérito aos outros para me evidenciar. Estamos numa gestão contínua de desenvolvimento do concelho. Assim como houve coisas boas que recebi de anteriores mandatos, também houve outras menos boas.

P - A vitoria nestas autárquicas tem um peso político muito mais significativo que há quatro anos
R - É verdade. Se me disserem que eu arrisquei de mais ao mudar toda a equipa de vereadores, provavelmente sim, mas o resultado foi o que foi. Provavelmente eu estava certo nas decisões que tomei. Eu tinha consciência que podia ganhar as eleições com alguma facilidade. Isto não é falta de modéstia porque era isso que o povo me transmitia no dia-a-dia. Eu tenho que encarar este mandato com o máximo profissionalismo. Eu tenho de ter as melhores pessoas, pensar no melhor projecto. Se eu for novamente candidato à câmara, daqui a quatro anos, não vai ser mais fácil para a oposição. Nós temos um conjunto de projectos estruturantes que vão ao encontro das necessidades das populações. Admito que seja muito difícil fazer oposição perante as circunstancias que se vivem actualmente em Esposende. Temos projectos que são aliciantes para o futuro e vamos melhorar seguramente a qualidade de vida das pessoas de Esposende e daqueles que nos visitam

P - Numa entrevista que nos concedeu há quatro anos, quando foi eleito pela primeira vez, dizia que “não era político e que nunca sonhou ser presidente de câmara”.
R - O facto de eu ter sido presidente de Junta de Freguesia ajudou a ter maior proximidade com as pessoas e a interpretar o exercício de um cargo político de forma diferente. As pessoas hoje exigem políticos com outra forma de estar. Eu olho para a gestão municipal do ponto de vista empresarial, mas tendo sempre presente que estou a lidar com pessoas.

P - Uma das obras fundamentais para Esposende é a construção do canal interceptor, um projecto que vem do seu primeiro mandato, mas ainda não está no terreno.
R - Nós encetámos um conjunto de medidas que passou pela limpeza das linhas de água. Temos um trabalho realizado de levantamento da rede hídrica do concelho com a identificação das zonas mais problemáticas. No seguimento destas iniciativas surgiu a oportunidade de candidatarmos, no âmbito do actual quadro comunitário, a construção do canal interceptor de Esposende. Trata-se de uma ribeira artificial de 4,5 quilómetros de comprimento que une o oceano ao rio Cávado. Irá captar todas as linhas de água que vêm de nascente e que atravessam a cidade e que em resultado da construção ficaram constrangidas provocando inundações quando chove muito. O canal interceptor vai drenar as aguas evitando cheias. Estamos a falar de uma obra que vai custar cerca de 5 milhões de euros. Nas ultimas décadas será a maior obra realizada em Esposende.

P- Quando é que pensa ter essa obra concluída?
R - A construção do canal envolve a desafectação de 200 parcelas de terreno. O processo de negociação com proprietários está bem encaminhado, temos mais de 150 parcelas já adquiridas, tivemos de avançar com processos de expropriação e estamos á espera da declaração de utilidade pública e acredito quer no prazo de ano e meio podemos ter a obra concluída. Já termos financiamento, a candidatura aprovada, o concurso publico já foi efectuado.

P - Devido á existência da sociedade ‘Polis Litoral Norte’ o Município de Esposende tem beneficiado de um conjunto intervenções. A sociedade está em fase de extinção, como é que antevê o futuro?
R - Eu faço parte da comissão liquidatária da sociedade, relembrando que estamos a falar de Esposende, Viana do Castelo e Caminha, mais a representação do estado (maioritário no capital social) através da Agencia Portuguesa para o Ambiente (APA) e do Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF). Posso dizer que as três autarquias, beneficiaram com o 'Polis'. No concelho de Esposende um bom exemplo da existência do programa ‘Polis Litoral Norte’ foi a requalificação profunda que se fez em São Bartolomeu do Mar. Com toda a sinceridade lamento que não continue. Haverá certamente um novo modelo de governação para o litoral. Já houve de- clarações do governo nesse sentido de que poderá existir um assumir de responsabilidades mais efetiva por parte da APA, em colaboração com os Municípios.

P - Esposende está dentro da área do Parque Natural Litoral Norte (PNLT). Tem trazido vantagens essa integração?
R - Eu sou um defensor do PNLT que resultou da anterior Área de Paisagem Protegida do Litoral de Esposende e que teve um papel importante ao evitar que se massifica-se a construção no nosso litoral, ainda antes da existência dos Planos Directores Municipais. As desvantagens principais do PNLT estão praticamente no modelo de gestão que devia ser mais flexível e na ausência de verbas para investir, quanto mais não fosse na manutenção do que foi construído. O Parque Natural é bom, porventura gostaríamos de um modelo de maior proximidade e de maior intervenção do Município. Posso dizer que a autarquia de Esposende manifestou disponibilidade junto do ministério do Ambiente para assumir responsabilidades nessa área. Acredito que num próximo pacote de transferência de competências isso venha a suceder. A vantagem é desde logo a existência de uma marca fundamental na preservação da natureza.

P - Esta semana foi apresentada a plataforma do Observatório Marítimo, qual vai ser a sua principal função?
R - O ‘Projecto ao Mar’ é uma candidatura da CME ao qual aderiu a UMinho. Tem a ver com a existência do PNLN e com a investigação dos valores ambientais ali presentes. É importante explorarmos esses valores para produzir conteúdos e mostrar o que é que o Parque Natural tem. Acreditem que temos sido surpreendidos com a riqueza do nosso mar. Temos ali um grande activo.

P - Numa entrevista que nos deu há quatro anos referia-se á necessidade de potenciar a economia do mar. Conseguiu esse objectivo?
R - Continuo com a mesma opinião. Não é apenas a pesca. Há o aproveitamento energético, há as actividades náuticas. O que poderia mudar radicalmente Esposende era a melhoria da barra porque permitiria o acesso facilitado ao mar e ao rio. Permitiria criar infraestruturas de acolhimento de embarcações. Temos uma doca de recreio por explorar há varias décadas, devido ao assoreamento do rio.

P - A melhoria da barra de Esposende é uma intervenção necessária há muitos anos, mas sempre adiada.
R - O problema da barra de Esposende não tem a ver com dificuldades em encontrar respostas técnicas, mas com a ausência de força politica. É preciso assumir com frontalidade. Somos um município de pequena dimensão que não está dentro das prioridades da tutela. Depois há limitações de carácter ambiental que impedem soluções definitivas. Há pouco tempo foi novamente intervencionada a restinga com uma solução que acabou por não resultar. Refizemos o molhe norte da barra. Temos neste momento uma candidatura para a reconstrução do molhe longitudinal ao Cávado, cerca de 1,5 milhões de euros. Eu acho que a Comunidade Intermunicipal do Cávado devia fazer todos os possíveis para que o rio fosse valorizado. O rio Cávado é um activo fundamental em termos turísticos e de qualidade de vida das populações. A navegabilidade do rio em determinados locais seria fundamental. Em resultado das barragens o caudal do rio não é o mesmo e o assoreamento do estuário do rio Cávado é gravíssimo neste momento.

P - É essa falta de força politica de Esposende que tem atrasado a formalização da aquisição da Estação Radionaval da Apúlia e do Forte de S. João Batista para ali criar um Centro de Investigação de Ciência Marinha e de um Centro de Divulgação Científica?
R - A situação dos dois imóveis é vergonhosa, um abandono total. São infraestruturas do estado e não é aceitável num país que se preocupa com tanta coisa fútil, deixar aqueles edifícios a degradarem-se quando há projectos partilhados com universidades. Já estou farto de correr para Lisboa para resolver a formalização da aquisição dos imóveis. Neste momento temos uma proposta formal para alienação da Estação Radionaval já formalizámos a nossa proposta. Propuseram-nos pagar em 15 anos e nós dissemos que pagávamos já. Temos um acordo com a UMinho e queremos este impasse resolvido. Em relação ao Forte de S. João Batista é um imóvel classificado numa das zonas mais nobres do concelho e está completamente vandalizado. Diria que Esposende sente-se um pouco prejudicado. Se for entendido pelo governo que os centros que pretendemos instalar nos dois imóveis com a envolvência de entidades idóneas são importantes para o desenvolvimento do território e do país, então formalizem o mais rapidamente possível a possibilidade da autarquia os adquirir. Eu, o investigador Rui Reis da UMinho e o anterior Reitor António Cunha já estivemos no Ministério da Defesa a tentar desbloquear a situação, mas até agora não saímos das intenções. O Município de Esposende tem dinheiro para pagar a aquisição.

P -Nos últimos anos Esposende tem multiplicado o número de eventos lúdico/culturais. Numa lógica de iniciativas para captar turistas é uma aposta para manter? O que poderá mudar?
R - O turismo é para nós a âncora do desenvolvimento do concelho e por isso a componente dos eventos ligados ao turismo é importante. O que aconteceu no ultimo mandato foi uma afirmação dessa vertente. O que se fez no passado de bom é para continuar. Melhorámos a comunicação sendo também um dado adquirido que não podem ocorrer exclusivamente no Verão. Interessa-nos que haja sustentabilidade no negócio turístico no nosso concelho e isso passa por criar hábitos junto das pessoas dos territórios vizinhos. Poderemos no futuro optar por uma ligeira redução do número de iniciativas, na melhoria da qualidade daqueles que se pretende que continuem e eventualmente criar alguns que se justifiquem.

P - Apesar do turismo ser a principal âncora do concelho de Esposende há também o interesse em captar outros investimentos empresariais que não tenham só a ver com aquele setor.
R- Esposende não tem uma vocação industrial. Todo o seu modelo de desenvolvimento tem de estar assente na qualidade do ambiente. Nós não aceitamos qualquer empresa em Esposende. Uma empresa poluidora, que venha trazer qualquer agravamento do ambiente, nós não aceitaremos. Também não nos interessa “mega empregadoras” que quando fecham as portas deixam um “buraco” grave em termos sociais. Interessa-nos potenciar as microempresas, as pme`s de base tecnológica que paguem bons salários e que empreguem pessoas com qualificação. Das 486 empresas criadas nos últimos 4 anos quase todas têm este perfil. Se nós não aplicamos a derrama, então, estamos a criar boas condições para empresas exportadoras e com grande volume de negócios. Elaborámos um regulamento onde temos um conjunto de benesses para as empresas que se querem instalar em Esposende. Depois, geograficamente estamos perto do aeroporto e dos portos de mar de Viana e de Leixões.

P - Estamos no momento de preparação do Plano de Atividades para 2018. Qual vai ser a linha orientadora do documento?
R - Existe um projecto muito importante que tem a ver com o Plano de Ação de Reabilitação Urbana (PARU). Temos quatro áreas de reabilitação urbana aprovadas e toda a regulamentação no terreno, temos um apoio que vai para valores perto dos 4 milhões de euros e temos uma série de obras alavancadas através do PARU. A requalificação junto da igreja de Apúlia e na zona central de Marinhas são obras em curso, temos ainda a requalificação do mercado municipal, a construção do arquivo municipal e outras intervenções previstas em espaços públicos e depois existe também a componente privada na reabilitação urbana. Temos obras de saneamento para serem iniciadas em Fão e Marinhas, temos a avenida de São Martinho, as ecovias.

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