Paulo Rangel: “A região minhota é a que está mais preparada para o século XXI”

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Paula Maia

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“O Minho é uma terra do futuro”. As palavras são do eurodeputado e vice-presidente do Partido Popular Europeu (PPE) Paulo Rangel, o convidado desta semana do programa da Rádio Antena Minho ‘Da Europa para o Minho’, conduzido por Paulo Monteiro e pelo também eurodeputado José Manuel Fernandes.
Paulo Rangel, que participou, na passada semana, nas jornadas parlamentares PPE que decorreram em Braga, acedeu ao convite para uma conversa onde foram abordados vários temas de âmbito nacional e europeu.

Considerando a região minhota como um dos motores da economia nacional, o eurodeputado diz que a sua dinâmica vai beber a raízes históricas que nos apresentam uma região com uma forte identidade, enraizada num forte dinamismo, acrescentando que a região entre Douro e Minho, onde inclui a faxa que vai de Aveiro à Galiza, era a que “mais identifica o país” no chamado Condado Portucalense.

E é neste pressuposto histórico que faz com que, segundo o eurodeputado, no caso do Minho, as cidades tenha uma identidade muito particular. “Ser de Barcelos não é ser de Guimarães. Ser Guimarães não é ser de Braga. Esta identidade extrema, que às vezes vai até à freguesia ou mesmo ao lugar, que vem dessa cultura feudal, é que é o motor da competição exportadora”, diz.
“O Minho é uma terra do futuro porquê? Porque como tem estas identidades tem de se colocar em rede. E a rede, a network, é o conceito que explica o mundo actual”, prossegue o responsável.

A criação de uma rede a vários níveis faz com que o Minho, segundo o vice-presidente do PPE, esteja mais bem preparado para o século XXI e para os seus desafios do que a região “onde se fez a Web Summit e onde se pensa que está o futuro”.

Mantendo-se ainda na região Paulo Rangel comenta o resultado obtido também pelo PSD nas últimas autárquicas, com a vitória em várias câmaras socialistas, contrariando o resultado obtido no resto do país. “As distri- tais minhotas trabalharam muito bem, mas também acho que esse facto se relaciona com o tal espírito de competição e dinamismo minhoto. Se as pessoas absorverem o ADN das suas terras e forem capazes de o traduzirem nas suas personalidades, e neste caso dos partidos na sua performance, isto é possível”, diz o eurodeputado, sem esquecer o papel e o perfil dos próprios candidatos que também são inspirados por este dinamismo minhoto.

Questionado se não chegou a hora do Minho ter uma voz mais activa no país, Paulo Rangel afirma que a região tem uma posição “fortíssima” a nível nacional, “mais do que há 20, 30 ou 40 anos”.
Pelos vários pontos de interesses que integram, o eurodeputado não tem dúvidas de que hoje, a seguir a Lisboa e Porto, Braga e Guimarães são as duas cidades “que estão no mapa”.
“Braga mais pela sua afirmação de força, Guimarães mais pela sua afirmação cultural”, continua Paulo Rangel, acrescentando que “a voz do Minho hoje é superior.

“Não há ninguém que não saiba que Braga é a terceira cidade. Antes tínhamos Porto, Lisboa e Coimbra. Hoje temos é Lisboa, Porto, Braga e Guimarães. São logo duas cidades minhotas! É a lógica da rede. E atenção: tem que haver conflito, competição, rivalidade porque é ela que dá o tal sal que cria a tal dinâmica minhota. Mas um nível de tensão suficiente para não ser também destruidora”, continua o responsável, apontando o exemplo do Quadrilátero Urbano como o maior exemplo de trabalho em rede que necessita apenas de “uma marca”.
E deixa a sua opinião sobre como ir mais longe, sem depender de Lisboa: “na época das redes sociais temos a possibilidade de projectar, de uma forma autónoma e sem depender da televisão e da rádio, e de afirmar uma região”.

“Dinâmica de Braga” foi crucial para delinear estratégia do PPE às eleições europeias

Paulo Rangel, vice-presidente do Partido Popular Europeu (PPE), elogiou a escolha de Braga para acolher as jornadas parlamentares da maior força política no Parlamento Europeu. O eurodeputado - convidado do programa semana da Rádio Antena Minho ‘Da Europa para o Minho’ - teceu rasgados elogios ao ambiente de trabalho destas jornadas que contribuíram de forma decisiva para delineação daquela que será a da estratégia do partido para as próximas eleições europeias a realizarem-se em 2019.

“A dinâmica de Braga está imparável”, disse o eurodeputado que aplaudiu a organização do encontro, com um destaque particular para o eurodeputado minhoto José Manuel Fernandes que assumiu o papel de anfitrião neste encontro.
“Braga ficou no código genético daquilo que será a estratégia e até a táctica do Partido Popular Europeu para as eleições europeias de 2019”, frisou Paulo Rangel.

O “bom ambiente” que caracterizou esta reunião permitiu, segundo o vice-presidente do PPE, definir três linhas que considera fundamentais. Em primeiro lugar, a discussão da estratégia do partido no domínio dos conteúdos e temas (emigrações, zona euro) e modelos de campanha. Em segundo, marcar Portugal, e em particular Braga e o Minho, como um nome a reter neste percurso e, em terceiro lugar, a criação de uma dinâmica de relacionamento pessoal, algo que Paulo Rangel considera fundamental.

“As relações diplomáticas, e na União Europeia temos essa experiência, fazem-se essencialmente daquilo que designamos de network, ou seja, a rede das pessoas. Esse espírito e dinamismo foi aqui conseguido”, diz o eurodeputado, justificando que a escolha de Braga para acolher estes trabalhos foi “muito acertada”, não só por ser uma cidade mais pequena, acolhedora, mas porque “ela própria teve essa capacidade de criar esta dinâmica”, continua.

Outro dos factores contribuiu para o incremento desta dinâmica interpessoal foi o o programa social integrado nestas jornadas parlamentares. Os elementos da presidência do PPE e os vários delegados presentes participaram também num programa social que foi inserido nesta jornada e que lhes deu a possibilidade de conhecerem alguns dos ícones históricos da região, como é o caso da Sé de Braga, o Bom Jesus, os Lenços dos Namorados, além de demonstrações musicais, onde bem a gastronomia foi esquecida “O José Manuel Fernandes conseguiu trazer essas raízes à superfície. Foi absolutamente essencial. Esse lado social contribuiu muito para a dinâmica interpessoal que é fundamental para as equipas trabalharem em conjunto, para se harmonizarem e limarem arestas que existem, porque sabemos que o projecto europeu é feito de contradições mesmo quando se vem da mesma família política”, remata o eurodeputado.

Paulo Rangel defende criação de Força Europeia de Protecção Civil

A criação de uma Força Europeia de Protecção Civil é um dos temas que o Paulo Rangel tem colocado no centro de discussão do Parlamento Europeu. No programa ‘Da Europa para o Minho’, o eurodeputado adianta que neste momento está a ser estudado um mecanismo de Protecção Civil, que já existe, mas que é necessário reforçar. “Precisamos de ter um conjunto de meios e forças de intervenção a nível europeu para que em casos de terremotos, inundações, incêndios ou uma catástrofe industrial, possam ajudar as forças nacionais. Não faz sentido que Portugal tenha uma frota grande de aviões para combater incêndios. Faz sentido partilhar esses meios com a Europa e sempre que necessário chamá-los”, diz a propósito.

A criação de uma Força Europeia constituir-se-ia, segundo o eurodeputado, como um ‘embrião’ de corpos de forças armadas que possam desempenhar funções em nome da União Europeia, seja no território europeu para sua defesa, seja especialmente fora da Europa onde poderia assumir uma posição mais forte.
Quanto ao mecanismo de Protecção Civil já existente, Paulo Rangel diz que ele é “claramente insuficiente”. “O mecanismo será um reforço. Mas, não é isso que pretendo. O que aspiro é uma verdadeira Força Europeia de Protecção Civil”, exigida pelos desafios que se impõe, como é o caso das alterações climáticas cada vez mais visíveis.

Abordando ainda questão de âmbito europeu, Rangel falou sobre uma das principais quest ões da actualidade no Parlamento Europeu: o Brexit.
A saída do Reino Unido da União Europeia é, segundo o eurodeputado, um “grave erro” que os britânicos cometeram. Pessimista em relação à actual situação, o vice-presidente do PPE não exclui uma “saída desordenada” do Reino Unido. “Não vejo o Reino Unido a fazer esforços nem progressos”, comenta.

Paulo Rangel confessa ter pensado que, nas negociações, esta saída originasse uma grande divisão entre os 27, mas tal não veio acontecer. “Surpreende-me que os 27 estejam totalmente unidos quanto ao Brexit. A posição é bastante dura, firme a não abriu brechas”, continua o responsável.
Outro factor que está a deixar marcas neste processo foi, de acordo com o vice-presidente, a eleição de Donald Trump, presidente dos EUA. “Parecia um grande adepto do Brexit, mas como é um grande isolacionista, já deixou cair uma série de tratados com o Reino Unido”, diz.

Uma terceira questão prende-se com o facto do Parlamento Europeu não se ter deixado “capturar” pela agenda das negociações. Mas, Paulo Rangel não tem dívidas de que este será um tema que vai condicionar o acto eleitoral europeu.
Com o futuro incerto sobre esta questão, Paulo Rangel confessa ainda não excluir também uma fase de transição que acabe por terminar, ao fim de três ou quatro anos, num regresso no Reino Unido. “Para já estou pessimista”, remata.

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