Universidade do Minho atingiu a maturidade

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José Paulo Silva

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P - É o primeiro aluno da das Ciências Sociais e Humanas da Universidade do Minho eleito reitor. Este facto tem um significado particular tendo em conta que os seus antecessores eram provenientes das engenharias?
R - Tem algum significado, mas não gosto de olhar para essa circunstância especifica, nem para aquilo que eu pretendo que a UMinho seja como decorrendo especificamente desta minha origem disciplinar. É significativo neste processo o facto de a nossa instituição ser suficientemente madura para poder ser capaz de acolher candidaturas a reitor que provêm das suas diversas áreas científicas.

P - É um sinal de maturidade da UMinho?
R - Francamente, é isso mesmo que eu acho.

P - Na definição daquilo que será o futuro próximo da UMinho poderá haver alguma diferença?
R - Qualquer reitor que chega de novo vai pretender marcar alguma diferença em relação aquilo que foram as opções tomadas anteriormente. Eu penso que essas alterações não decorrerão pela circunstância dos meus antecessores mais recentes serem todos engenheiros .Gosto de olhar para esse aspecto como sendo o tal sinal de maturidade da instituição, que está, neste momento, disponível para acolher alguém que chega de uma área cientifica distinta, mas é alguém que tem uma experiencia já longa na gestão da universidade , que teve ocasião de compartilhar com colegas de outras áreas os diagnósticos e as soluções que vão sendo encontrados e, por isso, o meu olhar para o futuro é matizado e sensível às varias realidades existentes dentro da UMinho

P - Foi vice-reitor da UMinho durante oito anos. Pressupõe-se uma continuidade do trabalho?
R - É uma questão particularmente interessante. Olhando para a UMinho e para aquilo que é o seu percurso, não entendo a continuidade como um problema ou uma menos-valia, antes pelo contrário. A universidade tem vindo progressivamente a construir uma posição que me aprece muito sólida no contexto nacional e internacional e por isso eu entendo que a continuidade desse percurso é altamente desejável. É verdade que mudam os intér- pretes, é normal que possam surgir novas preocupações, novas orientações e que novas medidas possam ser implementadas. Eu participei activamente na vida da universidade nestes últimos anos e revejo-me em larga medida no percurso que fomos fazendo.

P - O professor Rui Vieira de Castro foi eleito reitor pelo Conselho Geral com 19 votos a favor e três votos em branco. Como é que entende esta quase unanimidade e o facto de não terem aparecido outras candidaturas alternativas?
R - Relativamente aos resultados., tenho sentimentos um pouco contraditórios. Fico reconfortado porque o programa de candidatura que apresentei foi sufragado de forma expressiva pelo Conselho Geral e não tenho dúvidas que esta votação aumenta a minha responsabilidade, porque existe da comunidade académica uma vontade para um determinado rumo para a UMinho. Existem várias visões sobre a universidade e eu gostaria que essas visões pudessem ter sido contrapostas no quadro deste processo eleitoral.

P - O reitor cessante, António Cunha, foi eleito para este mandato que agora termina num quadro de confronto de ideias sobre a passagem da UMinho a fundação pública de direito privado. O facto de a universidade estar já a funcionar com esse estatuto esbateu eventuais críticas?
R - A passagem da UMinho a fundação foi cefetivamente muito controvertida. O processo foi excessivamente longo, mas isso deveu-se a algumas indecisões políticas dos governos. Eu penso que a universidade deve estar comprometida com o sucesso pela opção adoptada, que é reversível. A universidade tem um período de cinco anos durante o qual o êxito do modelo de fundação vai ser testado.

P - Vai ser realizada alguma avaliação?
R - A UMinho vai ter que dizer num determinado momento se que continua com este modelo ou se quer regressar ao modelo não fundacional. Eu sou muito claro sobre esta matéria. Sempre defendi que a UMinho devia optar pelo estatuto de fundação porque ela permite à instituição ter instrumentos de gestão financeira, de pessoal, gestão patrimonial que a tornam mais apta a cumprir a sua missão. Aquilo que compete ao reitor e á universidade no seu conjunto é velar para que a opção pelo estatuto de fundação seja bem-suce- dida.

P - Essa avaliação sobre o modelo de fundação vai acontecer durante o seu mandato como reitor?
R - Há um conjunto de medidas que têm de ser tomadas naquelas três áreas que eu referi e que julgo que tornarão evidente aquilo que tinha sido uma afirmação mais conceptual, a de que o modelo de fundação tem vantagens para a instituição.

P - O financiamento ou o subfinanciamento tem sido abordado por si. É uma situação que seguramente preocupa o novo reitor da Uminho.
R - Esta passagem a fundação não afasta as universidades que optaram por este modelo do financiamento publico. Há um reconhecimento que o financiamento que o Estado coloca nas instituições publicas de ensino superior fica aquém do desejável. Já afirmei por diversas vezes que as universidades não podem estar à margem das dificuldades do país, mas também é verdade que estas têm primado pela boa gestão, estão a fazer um investimento na qualificação dos portugueses e com cada vez maior relevo na produção cientifica no contexto internacional. A UMinho é um bom exemplo da implicação directa no desenvolvimento económico do território onde está inserida. Neste quadro que descrevi tenha-se em atenção aquilo que as universidades estão a fazer e pondere-se se há ou não subfinanciamento. Isto não dispensa as universidades de poderem aumentar as suas receitas próprias.

P - No caso da Uminho, essa percentagem de receitas próprias tem vindo a crescer?
R - Está acima de 50%. Mais de metade do nosso orçamento (52%) provém de receitas próprias. A UMinho tem feito crescer de forma muito significativa as receitas oriundas de projectos europeus.

P -Nessas receitas próprias estão incluídas as propinas.
R - Vejo com dificuldade que nas actuais circunstâncias, tendo em conta aquilo que ainda é a situação de muitas famílias de onde provêm os nossos estudantes, possa haver espaço para o aumento das propinas, sobretudo as de primeiro ciclo e de mestrado integrado, que são uma fatia importante das receitas da universidade. A nível dos mestrados e dos doutoramentos há também que ponderar as próprias circunstâncias de contexto, o que fazem as outras instituições nacionais e estrangeiras. Quase 20 % do nosso orçamento resulta do pagamento de propinas.

P - Qual é o peso no orçamento da UMinho das receitas resultantes da ligação ao meio empresarial, da investigação e de parcerias em projectos?
R - É muito expressivo. Estamos novamente a falar de valores a rondar os 20%.

P - Existem condições para aumentar essa contribuição?
R - São condições que muitas vezes estão dependentes daquilo que é o estado da economia portuguesa e também das políticas publicas ou da disponibilidade dos actores privados para se envolverem em projectos.

P - A parceria estabelecida com a multinacional Bosch instalada em Braga é uma parte substancial desses 20 % que mencionou?
R - Temos projectos europeus de grande expressão, caso dos grupo 3B´s e outros. A parceria com a Bosch tem também um outro significado, até por ser único a nível do país com estas características de relação universidade-empresa, tornando-se um projecto bandeira para a instituição.
P - O que se deduz do seu programa de acção é que estes exemplos de excelência se devem replicasr em outras áreas de formação da universidade?
R - Exactamente. Numa dimensão diferente do que temos com a Bosh, esses projectos devem ser ensaiados.

P - Existe alguma assimetria dentro da UMinho nessa relação universidade-empresas, sendo que nem todas as áreas pela sua natureza poderão estabelecer projectos?
R - Claramente a área das engenharias, até pelo seu histórico de ligação ao tecido empresarial, vai mais á frente , mas isso não significa que os outros fiquem para trás. Há um conceito que me é muito caro que é o da exemplaridade: se podemos fazer aqui então vamos tentar fazer em outro lugares. E esta ideia está a ser aplicada. Se repararmos, temos os projectos desenvolvidos pela nossa Escola de Medicina em articulação com o Hospital de Braga, temos os projectos da nossa Escola de Economia e Gestão com muitas empresas da região. Podemos olhar para os projectos desenvolvidos pelo Instituto da Educação, Escola de Psicologia, Escola de Ciências. Eu acredito que esta interacção com a sociedade pode ser levada mais longe.

P - Como é que perspectiva o relacionamento futuro da UMinho com o Instituto Ibérico Internacional de Nanotecnologia? Apesar da proximidade física, passou a ideia de um afastamento.
R - Porventura terá existido uma expetactiva excessiva relativamente àquilo que poderia vir a acontecer em matéria de relacionamento entre as duas instituições. O que é verdade é que as relações têm vindo progressivamente a consolidar-se. Eu vou ter na minha equipa um professor que, entre as suas missões, irá trabalhar no aprofundamento da relação com o INL.

P - Temos também o Avepark, nas Caldas das Taipas. Também aqui houve expectativas elevadas em relação a este parque tecnológico, onde está sediado um centro de excelência liderado pela Uminho?
R - O Avepark passou por algumas dificuldades e, quer a universidade, quer a Câmara de Guimarães souberam encontrar uma plataforma para lidar com essas dificuldades. Hoje há razões para estarmos mais optimistas, principalmente a partir do momento em que parece existir um movimento de localização de novas empresas no Avepark e também numa altura em que vamos ter uma nova estrutura de investigação o “Discoveries Centre” - um projecto europeu, coordenado pela Uminho, que agrega várias instituições nacionais e que tem como parceiro principal o “University College of London”. Penso que vai ser decisivo para dar um novo impulso ao parque tecnológico. Estou hoje mais optimista.

P - Dez por cento da investigação nacional é produzida na UMinho. Que desafio é que se coloca e que resposta é que esse desafio exige?
R - Estes dez por cento são já um valor muito interessante. A UMinho tem vindo de ano para ano a aumentar a percentagem do peso da sua investigação no contexto nacional. Nós temos grupos de excelência dentro da universidade em diversas áreas. O nosso desafio interno maior é generalizar estas práticas e fazer com que mais grupos e mais investigadoreres possam, nas suas áreas respectivas, assumir posições de liderança. No programa de candidatura indiquei alguns caminhos possíveis que vão desde a capacitação das nossas unidades de investigação, o desenvolvimento de estruturas de apoio mais fortes à investigação que realizamos e também - esta é uma matéria que eu quero discutir internamente - um sistema de incentivos á produção científica.

P - O sistema de incentivos que vai propor é de natureza financeira?
R - Aquilo que eu tenho neste momento em mente é um sistema de incentivos que não tem de ter, necessariamente, expressão financeira. Pode passar, por exemplo, pela disponibilização de recursos humanos tendo em conta o histórico da actividade cientifica das unidades de investigação. Não se trata de premiar em absoluto as unidades, mas olhar para o que elas foram capazes de ir fazendo, como foi evoluindo o seu desempenho ao longo do tempo e incentivar a continuação de desenvolvimentos positivos da sua activi-dade.

P - Tem já uma ideia, dentro do quadro de gestão financeira da instituição ,dos valores que podem ser disponibilizados para esse sistema de incentivos?
R - É evidente que esse valor não pode ser tão expressivo quanto nós gostaríamos, mas essa é uma questão que eu vou deixar para quando discutir o assunto a nível interno.

P - Essa intenção é que investigação não fique tão dependente da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) ou de outro tipo de apoios?
R - A nossa dependência hoje é bem menor do que no passado. O grande financiador da investigação que é feita na UMinho é a Comissão Europeia.

P - As relações com a FCT estão normalizadas? Num passado recente o seu antecessor fez criticas severas aos critérios usados pela FCT para os apoios aos projectos de investigação?
R - Houve um tempo em que os olhares da FCT descuidavam bastante aquilo que se passava para lá de algumas das nossas universidades, ao nível da investigação. Foi preciso afirmar que essa era uma pratica insustentável. Actualmente ,a situação melhorou com uma mudança de atitude da FCT, mas estamos atentos.

P - 'Mobilizar, Desenvolver, Transformar' é o lema da sua candidatura a reitor da UMinho. Que mensagem pretendeu passar para a academia com esta trilogia?
R - As dificuldades quando afectam de forma intensa as pessoas, tendem a induzir estados de alma que não são de grande optimismo e foi essa circunstância que eu pretendi exprimir quando utilizei no meu lema o verbo mobilizar. É fundamental para a UMinho continuar o seu caminho de afirmação. Essa mobilização consegue-se ouvindo as pessoas e envolvendo-as nas tomadas de decisão. Esse é um compromisso forte da minha parte: assegurar uma relação de maior proximidade. A mobilização faz sentido se a ela associarmos o desenvolvimento da missão da própria instituição, através do cumprimento de objectivos de formação de elevada qualidade, de produzir investigação, de interação com a sociedade. Os desafios que se vão colocando á universidade e a forma de os encarar estão expressos na ultima ideia: transformar. Nós vivemos em circunstâncias que são muitíssimo dinâmicas e que exigem uma continua transformação da própria instituição. Esta transformação não é da universidade para se adaptar á sociedade, mas uma transformação que deve ser ela própria transformadora da própria sociedade.

P - Quais são os planos do novo reitor para o desenvolvimento dos campi universitários de Azurém (Guimarães) e de Gualtar (Braga)?
R - A minha preocupação é a de assegurar um desenvolvimento equilibrado dos dois campi. Temos caminhado no sentido de alguma diversificação da oferta educativa e também da actividade científica no campus de Azurém. Nós gostamos de chamar à zona de Couros, na cidade de Guimarães, campus de Couros e temos vindo a colocar aí diversos cursos, nomeadamente na área das Artes. Será em Couros que ficará a licenciatura em Artes Visuais que espero possa começar no ano lectivo 2018/2019.

P - Olha com alguma preocupação para o estado do edificado nos dois pólos da UMinho? Vai manter a reitoria no Largo do Paço?
R - A ideia é manter sempre a reitoria no Largo do Paço como lugar simbólico da própria instituição, mas este imóvel é muito exigente do ponto de vista da sua manutenção. Nos dois campi temos edifícios que correspondem a fases diferentes de construção. Alguns com 30 a 35 anos começam a necessitar de intervenções. A UMinho vai ter de fazer um esforço para essa intervenção. Eu tenho sempre a esperança que um dia o Estado olhe para o estado dos edifícios das universidades e perceba que fazia todo o sentido. dentro das limitações, abrir uma linha de crédito que permitisse financiar a recuperação do parque edificado.

P - Os terrenos da Quinta dos Peões, em frente à Uminho, em Gualtar, limitam uma futura expansão?
R - São terrenos privados, no entanto a UMinho gostaria muito de ser ouvida quanto à solução que para ali vier a ser encontrada, sendo que a universidade vai opor-se, dentro dos meios que tiver ao seu alcance, a qualquer solução que descaracterize aquele espaço e estará disponível para conversar. A Uminho, a nascente e a poente do campus de Gualtar, tem limitações muito sérias, pelo que a solução encontrada para a Quinta dos Peões deve dignificar a presença da universidade.

P - A internacionalização foi outra das vertentes da sua candidatura a reitor, tendo salientado a necessidade de avançar para parcerias e estratégias com universidades de referência acrescentando que 'não estamos (UMinho) a conseguir enviar para fora do país tantos estudantes como gostaríamos'?
R - Eu julgo que há poucas experiências tão enriquecedoras como a de se poder estudar numa universidade estrangeira. Nessa medida. o programa 'Erasmus' foi dos mais bem conseguidos da União Europeia e o que mais terá contribuído para a formação da ideia da Europa entre os jovens. A verdade é que a UMinho tem hoje uma capacidade de atracção de estudantes estrangeiros e não existe uma correspondência de alunos portugueses da UMinho a fazerem o caminho inverso.

P - As razões económicas não limitam essa opção dos estudantes?
R - Há limitações e essas são muito dificilmente superáveis, porque obriga a um esforço adicional das famílias. A UMinho não pode fazer grande coisa neste capitulo. Também há estudantes que entendem esta mobilidade como uma potencial ameaça para a conclusão dos seus estudos e outros têm receio de ir para um contexto diferente e desafiante.

P - O que é que a UMinho pode fazer?
R - Pode desempenhar um papel de estímulo, de clarificação, de demonstração das vantagens de uma experiência de mobilidade.

P - Na apresentação do seu programa de acção levantou a questão a quebra demográfica no país e as suas consequências na oferta e procura de cursos nas universidades.
R - Em Portugal vivemos uma crise demográfica expressiva que já teve impacto em outros níveis de ensino e que vai também chegar às universidades. Nós temos hoje cerca de 40% de jovens entre os 18 e os 22 anos, no ensino superior. Se esta percentagem se mantiver, a quebra demográfica vai levar a que, em 2030, teremos apenas 70 % dos estudantes que agora estão a ingressar no ensino superior. Significa perder um terço dos nossos estudantes. Se não fizermos nenhuma reorien- tação, vamos ter uma grande capacidade instalada nas instituições e não vamos ter os públicos adequados a essa capacidade. Eu não acredito que os denominados estudantes internacionais sejam a panaceia, mas a verdade é que temos capacidade de atrair estudantes junto de mercados da América Latina, dos países de expressão portuguesa ou até da China. Há mercados que a universidade deve ser capaz de explorar.

P - Defende a criação de novas ofertas formativas que podem não passar pelo 1ºciclo?
R - A União Europeia foi generalizando a expressão da educação ao longo da vida. Fê-lo em função da necessidade de transformação quase em contínuo daquilo que são as competências de cada um de nós para responder a novas exigências colocadas no nosso quotidiano profissional. A Uminho, que já tem alguma intervenção nesta área, deve assumir de forma mais estruturada e mais sistemática esta área de formação, procurando novos públicos e novos modelos de formação

P - Na sua candidatura defendeu a criação de uma escola doutoral. É uma ideia ou algo que tenha uma tradução física?
R - Não estamos a formar doutores apenas para o sistema do ensino superior ou cientifico. Estamos a formar doutores para aquilo que são as necessidades do país quer no domínio publico, quer privado. A existência de uma estrutura que seja capaz de proporcionar formações de natureza transversal aos vários cursos de doutoramento da UMinho, que possa propor- cionar convergência de professores e de investigadores oriundos de várias áreas cientificas, gerar novos projetos, que seja capaz de ajudar a construção de referenciais para a formação doutoral faz todo o sentido e é essa a ideia que eu tenho para escola doutoral da UMinho

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