Congresso quer colocar D. Rodrigo de Moura Teles na memória dos bracarenses

Braga

autor

Isabel Vilhena

contactar num. de artigos 1291

D. Rodrigo de Moura Teles (1644-1728) é provavelmente o mais ignorado dos maiores vultos da cultura portuguesa dos séculos XVII-XVIII. Designado Arcebispo Primaz de Braga em 1704, D. Rodrigo de Moura Teles deu início a um dos mais notáveis arcebispados que a cidade conheceu ao longo da sua história. Homem de uma enorme erudição e de uma invulgar sensibilidade política, D. Rodrigo arquitectou um programa invulgarmente coeso em termos económicos, sociais, artísticos e religiosos que iria transformar a sociedade e a paisagem sagrada da arquidiocese.

Colocar D. Rodrigo de Moura Teles mais presente na consciência histórica dos bracarenses é um dos objectivos centrais do Congresso de homenagem a Dom Rodrigo de Mota Teles que decorre até amanhã no Hotel do Parque, no Bom-Jesus.
“Cabe-nos nesta memória, ir buscar personagens que marcaram a história de Braga e da diocese. E, no caso de D. Rodrigo de Moura Teles estamos a recuperar algo de muito precioso”, afirmou o cónego José Paulo Abreu, responsável pela organização do congresso.

O cónego salienta o vasto programa de construções de D. Rodrigo que “marcou indelevelmente a cidade de Braga com monumentos emblemáticos como o Bom Jesus do Monte, a Capela de São Sebastião das Carvalheiras e a Igreja de Santa Maria Madalena da Falperra, entre muitas outros, cujo estudo e preservação é urgente assegurar”.

José Paulo Abreu destacou ainda o profundo olhar social, atento e solícito, do pastor arquidiocesano, com destaque para o Convento da Penha de França e para a Casa das Convertidas. “Além das construções e do novo rosto que deu à cidade, o Prelado estendeu a sua actividade e solicitude pastoral a toda a Arquidiocese de Braga; deixou marcas com os seus escritos, muitos de cunho pastoral; sob sua direcção e convocatória ocorreu um Sínodo Arquidiocesano. “E ainda hoje”, frisa o cónego, “os Lausperenes falam da sua devoção eucarística”. “Dentro da mesma dinâmica espiritual se entende o fenómeno associativo, patente em tantas Irmandade e Confrarias que patrocinou, integrou e favoreceu”.

Assente nos sete castelos do brasão de D. Rodrigo de Moura Teles, o congresso acolhe contributos de vários especialistas, com perspectivas e abordagens distintas, tendo em comum o estudo da vida e a obra de D. Rodrigo de Moura Teles, assim como o seu impacto na sociedade bracarense no primeiro quartel do século XVIII.

‘Restaurador do Bom Jesus’ dá novo impulso a candidatura

O impulso que D. Rodrigo de Moura Teles deu no processo de reabilitação total da estância do Bom Jesus: constrói um novo templo no Terreiro de Moisés, de forma elíptica; delineou os escadórios iniciando-os pelo pórtico; as Capelas da Via-Sacra; os Escadórios dos Cinco Sentidos, serve novamente de alavanca no processo de candidatura deste santuário a Património da Humanidade, por parte da Unesco.

O cónego José Paulo Abreu afirmou que a realização do congresso de homenagem a D. Rodrigo de Moura Teles “é mais um degrau nesta longa escadaria que esperamos que nos venha a conduzir até esse almejado título de Património Mundial. É um contributo muito importante. O Bom Jesus de Braga já está na lista indicativa e agora espera-se pelas votações. Esperemos que dentro dos 50 monumentos que integram essa lista, o Bom Jesus faça parte da minoria que terá direito a esse título”.

José Paulo Abreu lembra que “há em Congonhas, no Brasil, uma réplica do Bom Jesus, já devidamente valorizada com classificação de Património Mundial, e o Bom Jesus de Braga ainda está em processo de classificação deste património, em notório atraso a esse congénere que temos no Brasil”.

Segundo o cónego, “D. Rodrigo de Moura Teles é um homem muito grande que merece ser realçado e chegou a altura de o fazer neste enquadramento que é a candidatura do Bom Jesus a Património Mundial. Temos tomado imensas medidas e iniciativas para esta candidatura”.
Em 1720, D. Rodrigo de Moura Teles “o restaurador do Bom Jesus”, vendo o estado lamentável a que tinha chegado o templo devido ao quase abandono causado pela administração do Deão Francisco Pereira da Silva, nomeia-se Juiz da Confraria e inicia um processo de reabilitação total da estância.

vote este artigo


 

Comente este artigo

Faça login ou registe-se gratuitamente para poder comentar este artigo.

comentários

Não existem comentários para este artigo.

Últimos artigos das categorias relacionadas

Tempo

Classificados

Edição Impressa (CM)

Edição Impressa (MF)

Newsletter

subscrição de newsletter

mapa do site

2008 © todos os direitos reservados ARCADA NOVA - comunicação, marketing e publicidade, S.A. | concept by: Cápsula - soluções multimédia