Falta de assistentes operacionais colocou em risco abertura do ano lectivo no Conservatório de Música Calouste Gulbenkian

Entrevistas, As Nossas Escolas

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Paula Maia

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É uma situação que se arrasta há vários anos e que colocou em causa a abertura do presente ano lectivo. A falta de assistentes operacionais tem condicionado o bom funcionamento do Conservatório de Música Calouste Gulbenkian que tem reclamado junto do Ministério da Educação o cumprimento do rácio por forma a colmatar as várias dificuldades sentidas por esta comunidade educativa no seu dia-a-dia.

“Não há segurança efectiva, não há limpeza garantida a cem por cento”, assegura a directora do conservatório, dando conta da gestão difícil que os funcionários têm de fazer diariamente para assegurar alguns serviços, em detrimento de outros.

Apesar de não ser nova, Ana Maria Ferreira diz que a situação agravou-se este ano. “Tivemos para não abrir as portas. Acabámos por decidir pelo limite máximo como o dia de recepção aos alunos”, revela a directora, acrescentando que a escola esperou até ao último minuto pela entrada de novos contratos do Ministério da Educação que permitiu colocar na escola seis assistentes operacionais a meio tempo (três horas e meia cada). “Só a partir dos dia 13 de Setembro é que as pessoas entravam ao serviço, permitindo compor minimamente a situação”, revela a dirigente escolar.

Mesmo com a colocação de seis assistentes operacionais - que na prática, como diz Ana Maria Ferreira, corresponde a três funcionários - o conservatório bracarense “não tinha condições” para um bom funcionamento. A direcção decidiu convocar um Conselho Geral Extraordinário pare analisar a situação. Perante o sucedido a tutela permitiu, entretanto, abrir o concurso para um horário completo.

“Estamos no limite mínimo daquilo que é absolutamente necessário”, continua a directora do Conservatório Calouste Gulbenkian, adiantando que pela fórmula do rácio calculado pela tutela a escola deveria ter não os vinte e um assistentes operacionais com que conta actualmente, mas 26.
Ana Maria Ferreira explica que na fórmula do rácio não é contabilizado o pessoal que trabalha na cozinha da escola, local onde estão alocados, neste caso, quatro funcionários.
A proposta do ministério é que a escola entregue o serviço de refeições a uma gestão privada, uma decisão que os pais discordam por completo.

Após reunião com representantes da tutela, a escola recebeu a garantia de que a situação se irá resolver com a atribuição de mais assistentes, um facto que a directora da conservatório espera ver pelos próprios olhos, pondo por fim a várias anos de revindicações e dificuldades.
Caso se concretize as promessas do ministério, o Conservatório Calouste Gulbenkian equaciona a possibilidade de abrir as portas ao sábado aos alunos do ensino supletivo de música.

“Há muita vontade por parte dos alunos do ensino supletivo de terem aulas ao sábado de manhã, em vez de estarem na escola até horas tardias”, conta Ana Maria Ferreira, enaltecendo o papel que os funcionários têm tido na gestão diária desta escola artística.

A única escola artística do país com autonomia curricular

É uma das novidades apresentadas pelo Conservatório Calouste Gulbenkian. A implementação da autonomia e flexibilidade do currículo arranca este ano no 10.º ano de escolaridade. Na prática, este projecto-piloto permite à escola, e mais concretamente aos seus docentes, trabalharem e organizaram os conteúdos curriculares, adaptando-os aos diferentes ritmos de aprendizagem dos alunos que podem também beneficiar de uma série de ferramentas - pesquisas, trabalhos de grupo - para alcançarem as metas desejadas e cumprir o currículo estipulado pelo Ministério de Educação.

“Penso que este projecto tem tudo a ver com esta escola”, diz a directora do Conservatório Calouste Gulbenkian, adiantando que o projecto dá autonomia à escola para “trabalhar de modo diferente o currículo, mostrando aos alunos que podem trabalhar muito, bem e sem grandes pressões”.

Segundo Ana Maria Ferreira, esta nova modalidade permite que os docentes trabalhem em equipa, planeando em conjunto as suas aulas, “de forma que a os alunos percebam que o saber está interligado”.
O projecto-piloto foi introduzido no 10.º ano porque neste início de ciclo, segundo a dirigente escolar, há “ritmos de aprendizagem diferentes”, referindo-se aos alunos oriundos do exterior que apresentam ritmos e conteúdos distintos no domínio da música. “Este projecto permite aos professores trabalharem estas diferenças”, justifica ainda ainda Ana Maria Ferreira.
“A situação perfeita será quando esta autonomia abranger todo o ensino secundário”, remata a directora.

A música como uma janela de oportunidades para os mais variados contextos de trabalho

São ainda muitos aos alunos que optam por seguir a vertente musical na sua formação académica. Além do regime supletivo, o conservatório integra uma turma no ensino secundário, com 23 alunos. Assim, se muitos dos alunos que ingressam nesta escola artística escolhem outro estabelecimento de ensino para frequentarem o ensino secundário (embora muitos continuem a frequentar aulas de música no conservatório), outras decidem prosseguir a sua formação numa perspectiva uma carreira musical. A directora do Conservatório Calouste Gulbenkian adianta que o paradigma dos pais perspectivarem a vida dos seus filhos no âmbito da música mudou.

“Os nossos alunos do 9.º ano começaram a perceber, sobretudo na altura da crise, que afinal o seguir música lhes abria horizontes e perspectivas para muitas vertentes no mercado de trabalho”, afirma Ana Maria Ferreira.
Além do instrumentista e do professor de música, a dirigente escolar diz que os alunos que seguem esta vocação têm todo um mundo de oportunidades em outros contextos, como por exemplo, o GNRation, a Casa da Música, câmara municipais, sem esquecer o mundo da composição.

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