Jorge Amado: “Queremos afirmar-nos uma escola verdadeiramente intercultural”

Entrevistas, As Nossas Escolas

autor

Marta Amaral Caldeira

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O Agrupamento de Escolas Dr. Francisco Sanches inicia este ano lectivo 2017/18 com mais alunos, muitos deles estrangeiros. E porque a “multiculturalidade” é o pilar do projecto educativo do agrupamento, o director Jorge Amado indica: “queremos afirmar-nos como uma escola verdadeiramente intercultural”.
O director do Agrupamento de Escolas Dr. Francisco Sanches refere que este crescimento de alunos acompanha o facto de muitos estrangeiros, inclusivamente filhos de investigadores da Universidade do Minho, e de muitas pessoas que “vieram recentemente para Braga e que escolheram o nosso agrupamento precisamente pela nossa característica da multiculturalidade”.

Este é um aspecto que tem dado um papel relevante ao Agrupamento de Escolas Francisco Sanches, tendo servido inclusive de case study para uma universidade brasileira, estudando a forma como o agrupamento bracarense promove a integração de alunos estrangeiros.
O certo é que as escolas do primeiro ciclo do agrupamento estão praticamente “a abarrotar”, o que levou a que a direcção tivesse que procurar formas alternativas de resolver esta situação, trabalhando directamente com outras escolas.

“Com excepção do 7.º ano de escolaridade, todos os outros anos as turmas estão completas”, mas Jorge Amado não deixa de criticar “a falta de uma política organizacional da rede escolar, sobretudo ao nível do segundo ciclo e no ensino secundário”.
Seja como for, o director sublinha que este novo ano lectivo arrancou “sem percalços” e com “normalidade” por parte do Ministério da Educação na colocação de professores.

“Precisávamos era de ter uma maior descentralização por parte do Ministério da Educação, e ter uma estrutura de apoio do ministério em todas as dimensões e de forma mais próxima”, aponta o director do Agrupamento de Escolas Dr. Francisco Sanches.
“O extinto CAE (Coordenação da Área Educativa) faz-nos muita falta, porque era um ponto de referência e até para tirar dúvidas e encontrarmos melhores soluções para o processo educativo”, afirmou, acrescentando que “o esvaziamento das competências da extinta DREN dificulta muito essa relação directa que havia com a tutela e não através da câmara municipal”.

“Penso que a câmara se deve preocupar mais com as questões do urbanismo porque para tratar das questões da educação não está vocacionada”, disse Jorge Amado, indicando, no entanto, que “já que tem essa competência delegada pelo governo, seria necessário começar a dar mais respostas, não só com intervenções, mas também com mais funcionários, acautelando também a manutenção das escolas em períodos de interrupção lectiva - até porque as escolas por si só não têm verbas”, frisou.

O responsável indica, por exemplo, várias situações que estão ainda por responder mesmo na escola-sede do agrupamento, como é o caso da manutenção dos elevadores, situações relacionadas com as plataformas elevatórias, o sistema AVAC, entre outras - e que, na sua perspectiva, “necessitam de zelo para evitar problemas dentro da escola”.

A necessidade de mais funcionários que apoiem o sistema educativo do agrupamento é outra das questões referidas pelo director Jorge Amado. “Este continua a ser um problema sério no nosso agrupamento, primeiro porque os nossos funcionários já têm uma idade avançada e as capacidades já não são as mesmas, depois falta de formação e estamos, de facto, condicionados para dar resposta a uma escola deste tamanho”.

Sucesso dos alunos desmotivados “é um orgulho” para o agrupamento

A comunidade escolar do Agrupamento de Escolas Dr. Francisco Sanches é um Território Educativo de Intervenção Prioritária (TEIP) desde 2009, tendo como estratégias orientadoras a “cidadania” e a “qualidade” com vista a uma melhor integração social e sucesso escolar dos alunos. É por este motivo que o agrupamento beneficia de um reforço dos seus recursos humanos “que permite responder às necessidades do nosso agrupamento e termos resultados positivos”.

A coadjuvação em sala de aula tem potenciado os resultados académicos dos alunos do Agrupamento de Escolas Francisco Sanches. “A coadjuvação em sala de aula, seja na divisão da turma numa hora semanal, seja com dois professores dentro da sala de aula, tem sido crucial para a melhoria de resultados e para o sucesso escolar dos alunos, tal como comprovam os rankings”, refere Jorge Amado.

“Estamos muito bem posicionados no ranking InfoEscola em termos de aprendizagem, uma vez que a Português estamos mais de 30 por cento acima da média nacional e a Matemática não estamos tão bem, mas também não estamos mal - vamos precisar de trabalhar esta área um pouco mais”, avançou. “Esta escola não está vocacionada para o ensino profissional, porque em Braga e na região já temos excelentes escolas que fazem esse trabalho, mas mantemos o nosso PIEF - Plano Integrado de Educação Formação a funcionar, com duas turmas que além da componente teórica, têm também uma forte componente prática, contando ainda com o apoio da psicóloga que faz um trabalho notável com os alunos”.

O director destaca, a este nível, a parceria com duas empresas - a Casa das Natas e a Quinta Lago dos Cisnes - que possibilitaram aos alunos fazer formação em contexto de trabalho e onde eles se revelaram excelentes profissionais.
“Para nós é um orgulho, pois à partida trata-se de alunos que estão condenados à exclusão, repetentes até de uma outra escola e que aqui, no nosso agrupamento, encontraram o seu sucesso escolar. Agora terão a possibilidade de ingressar numa escola profissional, pois para estes alunos, aquela aula tradicional não funciona”.

O Gabinete de Apoio à Família permite ao Agrupamento Francisco Sanches dar uma resposta diferenciada na oferta de Braga. Jorge Amado diz que “a verdade é que temos na nossa escola alunos que foram encaminhados para cá e que têm sucesso escolar e isso deixa-me muito satisfeito”.

“Obras feitas são boas, mas urge intervir na Quinta da Veiga”

Há, no entanto, algumas obras de melhoramento que são “necessárias” fazer no seio do Agrupamento de Escolas Dr. Francisco Sanches e a mais “urgente” é mesmo na Quinta da Veiga - que “não tem as condições físicas” para aquilo que são hoje as escolas.
“A EB1 da Quinta da Veiga tem um recreio completamente a descoberto e sendo esta a cidade com mais precipitação da Europa, penso que deveria corrigir-se esta lacuna”, frisou o director do agrupamento, Jorge Amado, indicando que “os alunos são obrigados a ficar num corredor, sem as mínimas condições acústicas”.

Amado refere que “a pavimentação exterior está ainda em fibrocimento e nem sei como o próprio centro de saúde ainda não agiu quanto a esta situação”, lamentou. “Já ando há dez anos a falar nisto e com promessas de que se vai intervir, mas ainda nada foi feito”.
O director do Agrupamento elogia as obras realizadas na EB1 do Bairro da Alegria, apontando no entanto que há uma série de situações que precisam ser resolvidas e que dizem sobretudo respeito a questões de energia e electricidade.

Quanto à melhoria das condições da EB1 de S. Victor, Jorge Amado considera-a “uma boa obra”, apontando que falta ali uma rampa de acesso para as pessoas e alunos com mobilidade reduzida. “Penso que é uma obra bem conseguida, só é pena o director do agrupamento ter sido ignorado em todo o processo”.

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