Presidentes com discurso menos paternalista

Ensino

autor

Redacção

contactar num. de artigos 33560

Os Presidentes da República portugueses estão a adoptar discursos cada vez menos paternalistas. A conclusão é da investigadora do Centro de Estudos Humanísticos da Universidade do Minho (UMinho), Aldina Marques, e constam do projecto de investigação denominado ‘O Discurso do Presidente. Cem anos de discursos presidenciais em Portugal’.
O projecto engloba os discursos dos 28 Chefes de Estado desde 1910 e os que foram feitos em momentos especiais como as comemorações do 10 de Junho (Dia de Portugal e das Comunidades Portuguesas), o 5 de Outubro (dia da Implantação da República, em 1910), do 25 de Abril e de Ano Novo.
Nas tomadas de posse, por exemplo,o estudo avalia a construção das imagens dos Presidentes, na qual se nota diferenças linguístico-discursivas entre o Estado Novo e a democracia; e a caraterização daquele género discursivo (como a argumentação, as vozes, a relação do locutor com os destinatários), desde que surgiu com a República até atingir uma certa estabilização, “embora dinâmica e precária, consoante os tempos e actores”. O próprio chefe de Estado actual, Marcelo Rebelo de Sousa, não avaliado por o estudo ir até 2010, tem a postura mais activa face ao antecessor, Aníbal Cavaco Silva: nos primeiros 100 dias esteve em 250 iniciativas e o seu perfil pacificador lembra o primeiro Presidente da República, Manuel de Arriaga.
O projecto de investigação ‘O Discurso do Presidente. Cem anos de discursos presidenciais em Portugal’ surgiu aquando do centenário da República. A ideia é avaliar aquelas intervenções em actos públicos e de celebração nacional. Recolher e disponibilizar os conteúdos ao público é outro objectivo.

A autorda do estudo considera ainda que há vários momentos ainda por compilar, “por serem de difícil acesso”. Mesmo nas mensagens de Ano Novo - surgidas graças ao poder da rádio e reforçadas com o da TV -, só se encontrou online os discursos a partir de Jorge Sampaio, indicou Aldina Marques.

Aldina Marques, que investiga sobre o discurso político há mais de duas décadas concluiu que os debates no Parlamento português “endureceram. Apesar de ser um género discursivo que prevê a agressividade, como no Regimento da Assembleia da República, alguns deputados ultrapassam esses 'limites', recorrendo na sua argumentação a insultos ad hominem'. A prática mais dura do debate “não foi alheia à tensão criada pelo contexto de crise recente”, acrescenta a docente do Instituto de Letras e Ciências Humanas da UMinho.

vote este artigo


 

Comente este artigo

Faça login ou registe-se gratuitamente para poder comentar este artigo.

comentários

Não existem comentários para este artigo.

Últimos artigos das categorias relacionadas

Tempo

Classificados

Edição Impressa (CM)

Edição Impressa (MF)

Newsletter

subscrição de newsletter

mapa do site

2008 © todos os direitos reservados ARCADA NOVA - comunicação, marketing e publicidade, S.A. | concept by: Cápsula - soluções multimédia