António Salvador: “A nossa ambição é chegar ao centenário e ser campeão”

Desporto, Entrevistas

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Paulo Machado

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António Salvador aposta num SC Braga com ambição, inovador e mobilizador para o futuro. São as ideias vincadas nesta entrevista, abordando a campanha eleitoral em curso e rebate as acusações que tem sido alvo pela candidatura da oposição. Salvador quer assinalar o centenário do SC Braga com a conquista de um título de campeão e apela à participação dos sócios no acto eleitoral do próximo sábado.

CM - Nesta disputa eleitoral é acusado de algum afastamento para com os sócios e a própria cidade? Como reage a estes argumentos evidenciados pela lista da oposição?
AS - Eu gostava de falar mais do meu projecto e menos das acusações do outros candidatos. Mas posso esclarecer que a propósito da ligação do clube à cidade e às empresas, ao contrário do que dizem, o SC Braga está ligado à cidade e aos seus associados. A prova disso são as parcerias com a Câmara Municipal de Braga, a Associação Comercial de Braga, a Associação Industrial do Minho, a InvestBraga e muitos outros comerciantes que estão ligados ao clube através de 97 parcerias que estabelecemos para beneficiar os sócios do SC Braga. Dizer que o clube não está ligado à cidade é uma falsa questão.

CM - E quanto ao facto do estádio não ter as melhores condições para os sócios?
AS - Reconheço que o nosso estádio não é o melhor do mundo quanto à sua localização, pois não está dentro da cidade e isso dificulta o acesso das pessoas ao estádio. Mas daí até considerar que o nosso estádio é o pior do mundo para se ver futebol é um desrespeito quer pelo nosso estádio como pelo clube. O candidato da outra lista não deve visitar muitos estádios por essa Europa fora, como diz que visita, pois basta ver outros exemplos e um desses casos é o do Barcelona, o seu estádio é pior para os seus adeptos em comparação com o nosso. O senhor Pli tem de reparar que o nosso estádio tem outras condições de conforto e pode comprovar isso, porque ainda num dos últimos jogos esteve presente nas nossas tribunas prestige e, pelo que se sabe, gostou de lá estar e apreciou o serviço prestado.

CM - Mas o seu opositor diz que vai tentar melhorar as actuais condições. O que foi feito ao longo destes anos?
AS - Temos feito muito para melhorar essas condições, nomeadamente as condições de acesso pois é o grande problema. Mas eu herdei um estádio no local onde está, com as condições que tinham e ainda assim melhorámos algumas dessas condições e vamos voltar a melhorar. E nós sempre estivemos preocupados em melhorar as condições do estádio, não é agora o senhor Pli, que foi recebido pelo presidente do município e, na sequência dessa reunião, veio dizer que o presidente transmitiu que ia fazer um caminho pedonal alternativo para o estádio. Espanto quando o senhor Pli veio afirmar que foi uma proposta que apresentou. Para provar que isso não é a realidade, no dia 20 de Março houve uma reunião de trabalho entre o vice-presidente da câmara e a directora municipal das obras, que decorreu no nosso estádio, com o nosso responsável pelas obras do estádio e aí apresentámos um dossiê completo com várias propostas de melhoramentos…

CM - Quer dizer que ao longo destes anos já interveio nesse sentido?
AS- É evidente. Nessa reunião foi apresentada essa proposta do tal caminho pedonal que o presidente da câmara disse que iria fazer na tal reunião que teve com o outro candidato. É um caminho pedonal desde a cadeia até à bancada nascente. Avançámos ainda com a colocação de mais dois elevadores na bancada poente para os nossos adeptos. Estamos a falar de elevadores com grande capacidade de adeptos. Mas este é um caminho difícil, sendo um trabalho que compete à câmara. Toda a gente sabe que existe um conflito grande entre a câmara municipal e o arquitecto responsável pelo estádio e a câmara ainda não conseguiu resolver esse problema, sendo que eu próprio preocupei-me em ultrapassar esse problema. Chamei o arquitecto Souto Moura ao estádio e mostrei as obras que fizemos, as quais ele achou muito bem todos os melhoramentos que se fez. Ele disse-me que, quando lhe pediram o projecto de um estádio, não foi para a realização de jogos de futebol, mas sim para pôr Braga no mapa do mundo e isso ele conseguiu e teve mérito. O nosso estádio é reconhecido em todo o mundo. Mas para além dos melhoramentos já feitos, queremos fazer mais, nomeadamente nos elevadores, caminhos pedonais e melhoria dos bares, porque a arquitectura que estava definida para os bares não se enquadrava num bar funcional para os nossos adeptos. Tudo isso já foi proposto e vai ser alterado, sendo um caminho que está a ser trabalhado, e fico estupefacto quando a outra lista vem agora falar disto por causa de uma simples reunião que teve com o presidente da câmara municipal. O problema é que nós não andamos aqui a apregoar o que fazemos na comunicação social ou na opinião pública. Nós fazemos e cumprimos, só depois mostramos. Todos estes assuntos já foram definidos numa reunião que tivemos com responsáveis da câmara, a 20 de Março, foram apresentados ao arquitecto Souto Moura e não viemos para a comunicação social fazer alarido disso.

CM- Mas isso não é por estarmos em período de eleições?
AS - Este é um processo moroso e que há imenso tempo estava a ser trabalhado. O ano passado já tivemos uma fase de melhoramentos e este ano iremos avançar para uma segunda fase, porque as obras não se podem fazer com a realização dos jogos. O que irá agora ser feito já está definido desde o ano passado, apenas aguardamos o final do campeonato e neste intervalo já vamos avançar com as obras nos elevadores e também nos bares.

CM- Com a criação destas melhorias, está à espera que as pessoas vão mais ao estádio?
AS - É evidente que todas as melhorias ajudam a que as pessoas vão mais ao estádio, mas há uma teoria que eu defendo: para termos mais gente no estádio é necessário melhores resultados. Este ano não tivemos os melhores resultados e sou o primeiro a assumir a responsabilidade dos resultados não terem sido os desejáveis. Houve pessoas que deixaram de ir ao futebol pelo espectáculo praticado. Temos é de combater isso e fazer o que está ao nosso alcance. Por um lado, melhorar os resultados, por outro, fazer com que as condições sejam melhores para os sócios e adeptos.

CM - Um dos lemas da candidatura da oposição passa pela paixão. Há falta de paixão na equipa?
AS - Alguém consegue explicar como se mede a paixão dos adeptos? Existe algum medidor ou 'paixómetro' para saber quem tem mais paixão pelo clube? A paixão vê-se com actos e não em palavras. Paixão é aquilo que milhares de bracarenses fizeram na final da Taça da Liga ao deslocarem-se, a meio da semana e a um fim-de-semana à noite, percorrendo vários quilómetros para assistirem ao jogo da meia-final e final. Essa é a verdadeira paixão que os nossos adeptos têm e o candidato da outra lista, que tanto fala em paixão, ficou na esplanada de um dos restaurantes da cidade de Braga a assistir ao jogo pela televisão. Não percebo que se fale tanto em paixão, quando o nosso clube marca presença numa final de uma competição em Portugal e depois preferem ficar nas esplanadas da cidade em vez de assistir e apoiar a equipa numa final da Taça da Liga. Como é possível falar em paixão, quando um dos membros que é candidato a presidente do Conselho Geral da outra candidatura, ao longo destes 14 anos, nunca assistiu a uma reunião do Conselho Geral? Estou à vontade para falar disso, porque o Conselho Geral é um órgão autónomo e constituído por todos os anteriores presidentes dos órgãos sociais do clube. Pelo que sei, o candidato a presidente do Conselho Geral da outra lista nunca assistiu a uma reunião do Conselho Geral. Será que a paixão é o exemplo dado pelo candidato da outra lista a Presidente do Conselho Social e Cultural que, em 20 de Outubro de 2016, enviou um e-mail ao clube a dizer: “É absolutamente lamentável manter o indivíduo José Peseiro nos quadros profissionais do SC Braga tal como lamentável foi a sua contratação. Na qualidade de associado sinto-me defraudado com o desempenho desportivo da equipa sénior de futebol. Venho, pois, requerer a devolução do valor referente à minha cadeira anual”. Perante isto que foi apresentado, é esta a paixão da outra candidatura?

CM- O António Salvador é uma pessoa de paixão pelo clube?
AS - Hoje em dia, um clube de futebol com a dimensão do SC Braga tem de ser dirigido com paixão e eu tenho essa paixão. Eu sofro muito pelo clube, mas há uma coisa que nunca deixarei de ter e é a racionalidade de saber gerir. Quando isso deixar de acontecer, o nosso clube deixa de crescer. Temos de ser equilibrados, sendo necessária a paixão que eu tenho e toda a gente que trabalha no clube também tem. Hoje, toda a gente que trabalha no clube é de Braga e sofre com as derrotas e os insucessos, assim como vibra com alegria e emoção nas vitórias.

CM - No plano da gestão apela-se muito a maior transparência no SC Braga.
AS - Quando falam em falta de transparência estão a ter uma enorme falta de respeito para com o clube e não comigo. Andar com a bandeira do clube na praça pública a dizer que há falta de transparência é muito mau, quando as instituições de Portugal e da Europa reconhecem a transparência e saúde do SC Braga. Gostaria de confrontar o candidato da outra lista ao Conselho Fiscal, sendo responsável por certificar as contas, quando na assembleia da SAD de 26 de Outubro ele e outros accionistas fizeram algumas questões para esclarecimento. O senhor José Luís Dias pediu esclarecimentos sobre algumas situações, principalmente sobre o negócio da transferência do Rafa. Nessa altura, esclareci tudo ao pormenor e expliquei que, quando o SC Braga comprou o passe do Rafa, foi em parceria com outra empresa, porque era um jogador de II Liga e não quisemos correr o risco. O SC Braga acabou por vender a parte do Rafa por cerca de 16 milhões de euros, tendo direito a 40%, mas o SC Braga ainda conseguiu buscar valores à outra parte e trazer para o clube. O negócio do Rafa deu mais de dez milhões de euros em resultado para o nosso clube. Foi dos negócios mais rentáveis da história do nosso clube e como não há nada a esconder os esclarecimentos foram prestados ao pormenor. Tudo o que se compra e tudo o que se vende está nas contas da nossa Sociedade e tudo muito claro, de uma forma transparente. Certo é que esse candidato da outra lista, José Luís Dias, foi esclarecido, votou a favor e também esteve na aprovação de uma proposta do voto de louvor que foi por unanimidade.

CM - O seu adversário tem questionado a não inclusão de alguns nomes na rubrica de activos do relatório e contas. Há explicação?
AS - Basta uma leitura mais atenta ao relatório e contas, sem necessidade de superiores conhecimentos técnicos, para perceber que jogadores adquiridos a custo zero não inflaccionam o activo das SAD's, uma vez que os mesmos são valorizados pelo custo de aquisição. O mesmo acontece com os jogadores provenientes dos escalões de formação. A questão é tratada com tamanha clareza no relatório e contas que, apenas por distracção ou mera ignorância, se compreende tais afirmações. Vou apenas citar alguns excertos do relatório e contas: “Na análise do capital próprio não deve ser ignorado que esta rubrica não tem em consideração o justo valor de alguns activos da sociedade, nomeadamente os Passes dos atletas, uma vez que os mesmos se encontram registados pelos valores de aquisição líquidos de eventuais amortizações e imparidades, claramente abaixo do respectivo valor de mercado. Este facto faz com que um jogador oriundo das camadas jovens de formação seja considerado por um montante de zero ou muito próximo de zero quando o respectivo valor de mercado é substancialmente superior.” “Note-se que os passes dos jogadores estão valorizados ao custo de aquisição, o qual não traduz o real valor de mercado dos mesmos. Uma avaliação diferente, com base em preços de mercado, nomeadamente pela análise das propostas de compra que chegam à Sociedade, exponenciaria o valor do activo.”
“O valor do plantel incluído na rubrica “Activos intangíveis” encontra-se registado ao custo de aquisição deduzido de amortizações e perdas por imparidade.” (pág. 49). É o caso do Pedro Santos, do Boly, mas também do Alan, do Ricardo Ferreira, do Luíz Carlos e muitos outros... Quanto ao Rafa, se tivesse feito essa pergunta na AG, teria sido esclarecido e escusaria de levantar agora suspeições em praça pública. Aliás, foi o que fez um seu colega na assembleia geral da SAD.

CM - O que se passou para essas pessoas, que há meses aprovaram votos de louvor à sua gestão, estejam agora na lista da oposição?
AS - Não consigo perceber, há uns meses essas pessoas foram esclarecidas, aprovaram e depois estão numa lista que tanto fala em falta de transparência. O senhor Pli, curiosamente, também esteve presente numa assembleia do clube nessa mesma altura e poderia ter feito as perguntas necessárias, se é que tinha dúvidas, mas calou-se. Aquilo que entendo é que as pessoas estão afastadas da realidade do nosso clube e ainda não perceberam que gerir um clube com a dimensão da nossa SAD não tem nada a ver com a gestão de há 20 anos. O outro candidato deveria acompanhar mais a actividade do clube e da SAD para ter este tipo de insinuações. Só o vi em duas ou três assembleias e numa delas foi a aprovação de contas da última assembleia e a outra foi na aprovação da nossa academia.

CM- Ainda na questão da transparência, pode explicar o que foi feito às acções da SAD que foram alienadas pela câmara municipal?
AS - Em função do modelo das leis autárquicas, o senhor presidente da câmara comunicou-me que não poderia continuar como accionista da SAD do SC Braga. Eu cheguei a propor doar as acções ao SC Braga, mas isso faria com que o SC Braga ultrapassasse o 50% do capital ao somar as acções que o clube já tinha. Então, foi proposto doar até completar os 50% e o restante (cerca de 3%) seria vendido ou fazer de outra forma que o presidente entendesse. E porquê até 50%? Porque as acções da SAD estão num mercado aberto e poderia alguém fazer uma OPA sobre as acções do clube a um preço que o SC Braga não tivesse possibilidade de acompanhar, que ao abrigo da lei poderia reduzir esse capital até 10%, e não quisemos correr esse risco. Foi então que propus a doação das acções até 50%, mas o presidente da câmara disse que os seus juristas disseram que não era possível face ao direito de igualdade perante a concorrência, sendo a SAD do SC Braga uma sociedade aberta no capital. Por isso, fez o comunicado a anunciar que estariam à venda no mercado de valor e a determinado dia. Mas o SC Braga e a SAD nada têm a ver com isto, ainda assim, preocupei-me em fazer com que fossem doadas até 50% das acções ao clube. Mesmo depois do presidente da câmara ter decidido colocar as acções no mercado, ainda tentei fazer com que as acções ficassem no clube e, no primeiro dia em que abriu a venda das acções, dei ordem ao SC Braga para comprar as acções até 50% do capital, só foi pena que na primeira hora do mercado aberto as acções foram todas vendidas…

CM - Ficou preocupado por não ter conseguido a compra dessas acções para o clube?
AS - Por um lado gostava de o ter conseguido, mas por outro lado, os bracarenses devem ficar satisfeitos pela forma como a nossa SAD é gerida, são os próprios investidores a considerarem que é uma empresa rentável. Ainda há quatro anos houve um empresário dos Açores, formado em Gestão e Economia, com participação no mercado da bolsa, que, numa assembleia geral disse que a única sociedade anónima que dava garantias era a do SC Braga. E por isso investiu nas acções do mercado do SC Braga e hoje tem cerca de 3,5 das acções da SAD, todas compradas no mercador de valores. Há uma empresa que tem cerca de 30 mil acções, a Bear Stearns Securities, que é um dos maiores fundos mundiais em investimentos. Para ter uma ideia, pertence ao segundo homem mais rico do mundo e comprou estas acções em bolsa. Isto reflecte a importância da SAD e até gostaria que as acções ficassem no clube, mas foram compradas por outra empresa de investimento.

CM - Conhece as pessoas que ficaram com as acções que eram da câmara?
AS - Essas acções foram adquiridas pela Pershing Limited. Estamos a falar de um grande investidor financeiro a nível mundial que chegou ao mercado e comprou as acções, como amanhã pode chegar outro e também comprar. Eu próprio, juntamente com minha família, comprei acções, temos cerca de 3,5% das acções e quase todas compradas no mercado de valores, à excepção de 1,5%, que comprámos logo na sua constituição.

CM - Às vezes questiona-se quem são as pessoas que estão por trás destes grupos. O António Salvador conhece essas pessoas?
AS - Estamos a falar de grandes empresas internacionais, a própria Bear Stearns Securities pertence a um dos homens mais ricos do mundo e detém vários fundos. O importante é saber quem são as empresas que compraram as acções e saber onde estão as acções, mas é difícil saber quem é A, B, C ou D, porque são empresas multinacionais.

CM- O António Salvador está há 14 anos como presidente do SC Braga e há quem considere que o seu modelo está esgotado. É necessário fazer um 'refresh' a esse modelo?
AS - Isso do modelo esgotado é apontado pela candidatura da oposição, mas isso é algo que vem formatado há vários meses. Há entrevistas e opiniões em rádios e jornais, onde alguém, que não o senhor Pli, usa uma narrativa que tem um pai que ainda há menos de dois anos elogiava este modelo de gestão. Porque é que se mudou de narrativa do dia para a noite? Não quero estar a perder tempo em debater coisas que não são concretas para os nossos sócios. O outro candidato quer discutir o parque de merendas, se fica ao lado direito ou esquerdo do estádio, se no bar devem ser vendidas pizzas quentes ou salsichas frias… não posso estar a perder tempo com estes assuntos, porque as minhas propostas estão voltadas para um clube moderno, em crescimento, que vai chegar ao seu centenário e será o ponto mais alto da sua história.

CM - Quais são as propostas que António Salvador tem para o futuro do SC Braga?
AS - O meu projecto Braga de Futuro para os próximos quatro anos assenta em três pilares: ambição desportiva, inovação e mobilização. A ambição desportiva deste clube está bem clara, no seguimento daquilo que temos feito. Antes de chegar ao clube, na história do SC Braga, tínhamos feito 22 jogos em competições europeias. Depois disso, fizemos 95 jogos e isso reflecte a nossa ambição. Antes de cá chegar, o SC Braga esteve cinco vezes no quarto lugar e três vezes no quinto lugar. Nestes últimos anos, ficámos sete vezes no quarto lugar, três vezes no quinto lugar, uma vez no segundo lugar e uma vez no terceiro lugar. Só em dois anos é que ficámos fora destes lugares. Temos ainda uma Taça Intertoto, uma final da Liga Europa, duas presenças na Liga dos Campeões, uma Taça da Liga e uma Taça de Portugal. Isto diz bem a ambição do nosso clube, mas não queremos ficar por aqui. Queremos estar em mais finais, queremos estar nas competições europeias, onde o SC Braga é reconhecido pelas instituições europeias do futebol. Ainda há cinco anos, o SC Braga recebeu um prémio da UEFA como o clube que mais cresceu e de forma organizada. Foi um prémio atribuído pela maior instituição europeia do futebol. Não prometo nada, mas procuro fazer sempre mais. Acredito que a nossa ambição é chegar ao centenário e ser campeão.

CM -O que pretende com a mobilização?
AS - Não é verdade que estamos desligados dos sócios, mas reconhecemos que falta algo para acontecer um maior envolvimento. Mas isso só acontece porque em 96 anos de história nunca tivemos nada para dar aos nossos sócios, nunca tivemos a oportunidade de ter um espectáculo dentro das quatro linhas e fazer sentir aos sócios a paixão. Nunca tivemos nada que fosse nosso e dos nossos sócios, para que sintam o clube com uma paixão enorme e algo que eles pisam e sintam que é deles. Essa é uma luta que tenho há dez anos, felizmente com a chegada do novo presidente ao município houve a compreensão daquilo que eu lutava há dez anos como sendo o caminho certo para o clube e para a cidade. Nesse sentido, houve essa cedência dos terrenos para a Cidade Desportiva…

CM - É o grande projecto de futuro?
AS - A Cidade Desportiva é aquilo que o SC Braga precisava de ter há muito tempo. A partir daqui haverá uma maior mobilização dos nossos adeptos, porque vão passar a viver o seu dia-a-dia na Cidade Desportiva. Além do Centro de Formação, que está pronto, e no início da próxima época já se iniciam lá os trabalhos para a formação. Temos ainda uma segunda fase, que contempla o multiusos, a parte administrativa e o futebol profissional. É nesse sentido que haverá uma maior vivência com os nossos sócios. O Multiusos passará a ser a casa das nossas modalidades e teremos a parte do futebol profissional e da SAD virada para a Avenida principal. Aí teremos o serviço de atendimento ao sócio, a loja do clube, um bar de apoio, um campo com três mil lugares onde jogam a equipa B e o futebol feminino. Mas isso não se esgota aqui, queremos criar a Praça do Centenário, onde iremos homenagear todos aqueles que deram o seu contributo ao longo da história, desde dirigentes, treinadores, jogadores, funcionários e colaboradores. É nesse sentido que pretendemos fazer um Centenário digno daqueles que fizeram a história do nosso clube. Iremos ter ainda um museu, num modelo digital, com a mais alta vanguarda das novas tecnologias, para os nossos adeptos e também para aqueles que nos visitarem.

CM - Quanto vai custar a academia?
AS - Em primeiro lugar, acho que os bracarenses deveriam ter orgulho em ter uma infra-estrutura única no país que inveja os grandes clubes portugueses e todos os outros. Esta infra-estrutura vai custar 20 milhões de euros e estou a falar no projecto global da Cidade Desportiva. Se analisarmos a área de dimensão de terreno e área de construção, perante os rácios de metro quadrado, é uma infraestrutura abaixo do preço médio contratual que existe no mercado. É uma falta de respeito apontar valores quando não sabem do que estão a falar e nem se apercebem da dimensão da nossa academia. Quero deixar claro que eu lutei por esta academia, mas tive o cuidado de apresentar aos nossos sócios e mostrar se era isto que eles queriam. Numa das assembleias mais concorridas de sempre na história do nosso clube, os sócios deixaram bem claro que queriam este projecto, ao contrário do senhor Pli, que se absteve nessa questão.


CM - Uma das razões apontadas pelo António Peixoto para se abster nessa assembleia foi o facto de não conhecer em concreto os custos da manutenção. Tem uma ideia desses custos?
AS - Há pessoas que não conseguem perceber a dimensão de um clube como o SC Braga. Já ouvi falar que a academia terá um custo de manutenção superior a três ou quatro milhões de euros e isso é uma farsa ou é o reflexo de alguém que não sabe o que é minimamente gerir um clube. A nossa academia, no seu todo, com a Cidade Desportiva, não terá um custo superior a um milhão de euros anual. Posso garantir isso, pois tivemos o cuidado de apontar no projecto o controlo da manutenção da academia, desde os materiais, a forma como se faz a manutenção, a eficiência energética… tudo foi levado ao detalhe. Mas nem que custasse um milhão e meio ou dois milhões, não há nenhum clube em Portugal ou na Europa que tenha as condições que iremos ter para dar um salto de qualidade para o futuro.

CM - Ainda assim, considera possível tornar o SC Braga sustentável?
AS - O negócio do futebol, hoje em dia, passa pelos nossos parceiros e os activos que temos e esses são os jogadores. Depois, há que saber trabalhar à volta disto e nada mais a esconder. Isso tem de ser rentabilizado, tendo os melhores parceiros connosco e uma formação de excelência para termos bons activos, com a marca do nosso clube. Por isso estamos a criar estas condições, mas não é só para o futebol como para as restantes modalidades. Os atletas que irão passar na Cidade Desportiva vão sentir a sua alma guerreira. Neste momento, não existem condições para grande coisa, ainda assim, estamos a ter brilhantes resultados e quero dar os parabéns ao Hugo e à sua equipa, porque têm feito um trabalho excepcional. Temos jovens nas selecções em todos os escalões.

CM - Sente que o clube pode estar dividido com esta disputa eleitoral?
AS - As candidaturas ao SC Braga são sempre saudáveis desde que venham com propostas claras e objectivas. Quando sou acusado pelo meu opositor de não me sentar com ele para debater ideias, ora não me posso sentar quando não encontro na outra candidatura qualquer ideia válida para o nosso futuro. Além disso, tem-se visto nas redes sociais críticas constantes e insultos pela parte da outra candidatura, quer às pessoas que estão comigo, quer às nossas famílias. Isso não é saudável para o clube e não vejoda parte do candidato uma chamada de atenção para esses insultos que têm surgido diariamente nas redes sociais. Não podemos ainda confundir os adeptos e os sócios do nosso clube, que são os que demonstram paixão pelo clube e não se revêm numa minoria de pessoas que ainda no último jogo com o Tondela insultaram os jogadores, atiraram as nossas camisolas para o chão. Isto não se pode confundir, por isso marcámos uma posição em comunicado. Até posso perder votos nestas eleições, mas enquanto for presidente deste clube não posso confundir a verdadeira paixão dos nossos adeptos por meia-dúzia de indivíduos que não se revêm na família do SC Braga.

CM - Como está a planificação da nova temporada?
AS - O Abel é o treinador que faz parte do Braga de Futuro e estamos a preparar a nova época com ele. Há jogadores que não irão continuar e outros que têm de entrar e já estão negociados. Queremos preparar atempadamente a época para evitar os erros que admito que foram cometidos o ano passado. Neste momento, já contratámos o Fransérgio, Raúl Silva, Diego Souza e posso confirmar o Sequeira e o Paulinho (ex-Gil Vicente). Estes dois últimos estavam em final de contrato e são jogadores de qualidade que podem ser mais-valias para o nosso plantel. Mas temos ainda mais reforços dentro da casa, como são os casos do Wilson Eduardo e Hassan, porque estes dois jogadores são importantíssimos e na época que acabou tiveram azar por via das lesões.

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