Ana Fragata: Tecnologias melhoraram qualidade de vida dos cidadãos

Entrevistas

autor

Rui Alberto Sequeira

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O Museu D. Diogo de Sousa em Braga recebe, de 18 a 20 de Abril a terceira edição do FICIS. Este ano o tema escolhido para o Fórum Internacional das Comunidades Inteligentes e Sustentáveis é ‘Fazer Cidade-Placemaking’. Ana Fragata, directora executiva do Fórum disse, em entrevista á rádio Antena Minho e ao jornal Correio do Minho, que se pretende trazer para o debate temas relacionados com a construção de espaços urbanos, que vão ao encontro das necessidades dos cidadãos.

P - Qual é o conceito de smart city (cidade inteligente)?
R - Uma cidade é um sistema de sistemas, com um sistema de redes, com infra-estruturas urbanas, com pessoas, edifícios, comunidades, entidades, transportes. Uma ‘smart city’ sustentável é uma cidade que é inovadora, que usa as tecnologias para melhorar a qualidade de vida e a eficiência das operações urbanas, dos serviços e a sua própria competitividade assegurando as necessidades das gerações do presente sem comprometer as do futuro.

P - Podemos considerar à luz desses conceitos, Braga como sendo uma smart city?
R - As cidades afirmam-se em diferentes domínios e em função das suas iniciativas. Braga afirma-se quer em ambiente, quer em mobilidade e dessa forma torna-se uma cidade inovadora ou ‘smart city’ através das iniciativas que implementa. Pode-se considerar uma ‘cidade esperta’ (smart city) nas iniciativas em que mais se afirma.

P - No caso de Braga em que domínios distintivos é que se afirma como ‘smart city’?
R - Nas tecnologias associadas á mobilidade, á eficiência energética; são iniciativas muito inclusivas neste tipo de ambientes das ‘smart cities’. A Europa exige que a nível ambiental, de mobilidade e de governança existam determinado tipo de iniciativas para se atingirem objectivos e compromissos.

P - O que distingue uma cidade de outra cidade passa pelas ofertas que tem para a população que a habita, a sua capacidade de atracção de pessoas e a harmonização de políticas que não criem assimetrias no seu espaço?
R - O grande objectivo das ‘smart cities’ é recorrer às tecnologias para melhorar a qualidade de vida dos cidadãos. Estas abordagens podem ser ao nível da governança - balcões abertos - ou da mobilidade (as redes cicláveis, as interfaces modais), ao nível do ambiente com o recurso à eficiência energética (através da iluminação com led´s ou sensores). As cidades afirmam-se nesses domínios através de determinações europeias para que se dê, por exemplo, a redução do dióxido de carbono, redução de ruído, a questão da qualidade da água, do ar. São matérias fulcrais em qualquer cidade, não apenas em Braga.

P - Digamos que há um padrão comum a todas as ‘smart cities’, sendo que depois cada uma desenvolve a suas especificidades?
R - Quais são os grandes objectivos que a cidade quer atingir? A partir desse momento, o caminho é construído com base em diferentes iniciativas. No Fórum Internacional das Comunidades Inteligentes e Sustentáveis (FICIS); que tem lugar em Braga entre os dias 18 e 20 deste mês de Abril; chamamos os cidadãos a partilharem as decisões. É importante que as iniciativas que venham a ser implementadas nas cidades sejam apelativas para que o cidadão partilhe a decisão, mas também, no futuro, partilhe a responsabilidade das opções que forem tomadas.
P - Essa estratégia aponta para uma participação ativa dos munícipes, apela para uma nova forma de estar na cidade.
R - Este ano o tema do FICIS: ‘Fazer Cidade - Placemaking’ já aponta nesse sentido. É fazer da cidade um espaço vibrante, onde as pessoas podem conviver. Também é importante que as empresas digam presente nestes novos projectos da cidade e que se possam gerar negócios.

P - A presença das empresas foi notória nas edições de 2015 e de 2016 do FICIS. Este ano há uma presença mais reforçada dos autarcas.
R - O que chamámos à participação foram municípios, cidades, que apresentem iniciativas em diferentes áreas para trazerem para o debate as matérias relacionadas com a governança, a economia, com a mobilidade. Convidámos autarcas a estarem presentes e mostrarem as suas políticas no âmbito das ‘smart cities’.

P - Os critérios para os convites aos autarcas foram influenciados pelas suas iniciativas no contexto da smart city?
R - Todas as cidades terão com certeza iniciativas interessantes neste âmbito das ‘smart cities’, das tecnologias. No FICIS 2017 optámos por algumas cidades, incluindo as que pertencem ao Quadrilátero Urbano (Braga, Guimarães, Famalicão e Barcelos) que vêm mostrar as suas iniciativas para serem ‘smart cities’ nos diferentes domínios que atrás referi.

P - Este ano o FICIS vai também incluir uma abordagem á área da saúde?
R - A saúde é fundamental na qualidade de vida das populações. Quando estudamos as cidades, todos os indicadores associados à saúde são determinantes para se conseguir valorizar a qualidade de vida dos cidadãos. Em Braga temos um hospital que serve mais de um milhão de pessoas, há o INL - Instituto Ibérico de Nanotecnologia, que também estará presente no Fórum Internacional.

P - Pode parecer estranho essa presença do INL no painel relacionado com a saúde. Quer explicar a razão da escolha?
R - Há investigação na área da saúde associada à nanotecnologia. É uma instituição I&D (Investigação e Desenvolvimento) que tem mostrado resultados.

P- A saúde é um factor diferenciador ou vai ser no futuro cada vez mais diferenciador entre as cidades?
R - O domínio da saúde é determinante em qualquer cidade e por isso este ano decidimos incluir um painel sobre aquela temática no FICIS precisamente pela importância da saúde nas ‘smart cities’.

P - São diversos os estudos, os inquéritos, os indicadores que avaliam o grau de satisfação e o bem-estar da população das cidades, estabelecendo-se ‘rankings’. Que importância é que lhes atribui neste contexto de smart city?
R - As cidades afirmam-se nos seus domínios e é importante que elas próprias pertençam a redes. É a única forma de conseguirem afirmar-se nesta questão das ‘cidades espertas’. Não basta terem as iniciativas. É importante pertencerem a redes e divulgarem as suas iniciativas porque muitas delas são incluídas nestes ‘rankings’ de cidades. No entanto, torna-se necessário que sejam percebidas pelas pessoas, ou seja, os resultados dessas iniciativas têm de ser perceptíveis, valorizados, ou então não têm o retorno de que efectivamente se estava á espera.

P - Como é que surge este Fórum Internacional das Comunidades Inteligentes e Sustentáveis (FICIS)?
R - Há três anos num congresso mundial sobre ‘smart cities’ em Barcelona surgiu a ideia de fazer um fórum sobre aquela temática em Braga. À primeira vista parecia uma ideia difícil de concretizar, mas em 2015 conseguimos com muito empenho e trabalho, arrancar com a primeira edição que teve mais de 1000 participantes, 50 expositores, mais de 30 oradores e moderadores de onze países.

P - O primeiro FICIS em 2015 teve como tema ‘Uma Nova Forma de Pensar’, o segundo fórum: a Utopia e este ano o FICIS que decorre no Museu D. Diogo de Sousa tem como temática ‘Fazer Cidade-Placemaking’. Existe um fio condutor, um elo de ligação entre estes três Fóruns?
R - O primeiro FICIS pretendeu ser uma nova abordagem ao desafio das ‘smart cities’. No ano passado aproveitámos a passagem dos 500 anos sobre o lançamento de ‘Utopia’ de Thomas More, porque entendemos que a utopia ajuda a caminhar, a uma definição de objectivos e a ciência ajuda-nos a criar alternativas. Em 2017 temos o ‘Placemaking’, a criação dos espaços vibrantes na cidade, em que as pessoas possam conviver e debater.

P - O conceito de ‘smart city’ é um conceito recente?
R - Nasce na Europa. Tem vindo a ser abordado com diferentes denominações. O conceito de ‘smart’ está associado ás tecnologias. A dimensão que é importante sempre incluir e que foi a que levámos para o FICIS 2016 é a dimensão social. É importante discutir de que forma é que as pessoas se posicionam e como conseguem usufruir das tecnologias.

P - A ideia de ‘smart city’ está ligada á evolução das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC)?
R - Sem duvida. As tecnologias estão cada vez mais presentes. Temos nas cidades diferentes tecnologias e com recurso a estas conseguimos efectivamente obter melhores resultados e melhorar a qualidade de vida dos cidadãos.

P - Mas isso só pode acontecer se houver uma ligação entre todas essas tecnologias que temos ao dispor nas cidades. Por exemplo na mobilidade, o transporte ferroviário tem horários que não são compatíveis com os dos transportes rodoviários ou vice-versa. Os bilhetes não permitem a utilização de mais de um transporte colectivo, etc.
R - É verdade. Existem cidades que têm iniciativas muito mais desenvolvidas do que outras. Eu vivi em Copenhaga (Dinamarca) e havia uma integração modal exemplar. Podia ir de bicicleta até ao metropolitano, conseguia depois facilmente apanhar um comboio, um autocarro tudo interligado: a tal integração modal.

P - Na sua opinião em Portugal isso não acontece porquê? Referia a necessidade de as cidades constituírem ‘redes’. No distrito de Braga é uma evidência que não existe uma rede integrada de transportes públicos que responda totalmente ás necessidades das populações. Havendo tecnologia porque é que essas redes não se constituem?
R - Acontece tudo em função dos objectivos. Há diferentes áreas e a cidade tem de definir quais são as suas prioridades. A cidade define um caminho e depois desenvolve as áreas que mais lhe interessa. Digamos que são definidas as prioridades. Um dos investimentos cruciais numa cidade é o ‘centro de gestão de redes de redes’ que recebe os dados de todos os sensores, trata esses dados e depois através de determinadas ‘ferramentas inteligentes’, distribui esses dados para quem deles necessita.

P - Não é uma pratica corrente nas nossas cidades?
R - Existem cidades onde esse centro de gestão já existe. Em Barcelona, por exemplo.

P - Mas no nosso contexto regional ainda não existe?
R - Já se começa a pensar neste tipo de iniciativa. Receber dados por exemplo da monitorização do ar, da eficiência energética entre outros e depois poder distribui-los a quem deles necessita é importante nas tomadas de decisão das pessoas, das empresas.

P - Nesta entrevista e a propósito do FICIS 2017, falávamos da presença de autarcas e dos municípios que fazem parte do Quadrilátero Urbano, que até pode servir de exemplo em relação á ausência de uma plataforma intermodal de transportes. O desenvolvimento do conceito de ‘smart city’ obriga também a uma nova visão de exercício do poder local?
R - Quem governa a cidade, quem decide define os objectivos que pretende atingir, em conformidade com os seus cidadãos. No presente, os cidadãos - todos - estão mais despertos para as temáticas relacionadas com a cidade.

P - Há um novo paradigma de autarcas?
R - As sociedades estão a evoluir. As pessoas têm mais formação e estão mais despertas para receber informação. É a evolução natural e não há como fugir às novas tecnologias. O que é essencial é perceber que no centro destas questões está a qualidade de vida das pessoas que habitam as cidades e de quem as visita.

P - Encontra os autarcas receptivos?
R - É inevitável com a evolução da tecnologia as pessoas não estarem despertas para as temáticas relacionadas com as ‘smart cities’, o ambiente, a governança, a mobilidade.

P - Tem defendido que a mobilidade surge como um dos factores decisivos para a afirmação das cidades. No FICIS 2015 a temática da mobilidade foi muito discutida, até por causa da divulgação na altura do projecto ‘Bus Rapid Transit’ (BRT) que está a germinar em Braga.
R - A estratégia para a União Europeia obriga a que as cidades desenvolvam planos de mobilidade urbana para melhorar as questões ambientais e o desenvolvimento económico. Os transportes têm um papel essencial na coesão social. Existe uma necessidade de transição, numa alternativa ao automóvel. É importante que se assuma quer o transporte público nas cidades, quer a dos modos activos (bicicletas, andar a pé, etc). Independentemente da solução tecnológica que é adoptada - ou solução técnica - estas estratégias estão definidas pela UE: é importante reduzir as emissões de CO2, promover a coesão social, diminuir a sinistralidade e desenvolver as regiões no plano económico.

P - Das edições anteriores deste Fórum, das ideias que são apresentadas, sente que são acolhidas pelos presidentes das Câmaras da região?
R - Neste Fórum temos especialistas em diferentes áreas. Temos empresas que mostram soluções que são implementadas em diferentes cidades e que servem para resolver problemas reais. As tecnologias servem para isso mesmo, para lá da solução que é adoptada há objectivos e metas a alcançar na UE. Todas as iniciativas que são implementadas no âmbito das ‘smart cities’ vão nesse sentido.

P - Quais são as dificuldades que se colocam para a concretização desses objectivos?
R - Muitas das vezes a formação! As pessoas não têm conhecimento, não estão despertas para estas temáticas. Daí lançarmos o desafio ás pessoas para as virem discutir no FICIS.

P - No FICIS 2015 trouxeram a Braga diversos especialistas na área empresarial com soluções de sistemas inovadores de transporte público para zonas urbanas, mas depois o cidadão continua a ter um transporte publico aquém das suas necessidades, voltando a dar como exemplo o que se passa na área dos municípios do Quadrilátero. O que é que impede a concretização das soluções?
R - É preciso definir os objectivos que a cidade se propõe atingir. A mobilidade é uma componente como muitas outras. Estamos muito habituados ás tecnologias. Recebemos a informação muito rapidamente. As tecnologias é preciso integra-las. Acontece muitas vezes criar-se uma iniciativa numa determinada área, outra iniciativa num domínio diferente ou até dentro da mesma área; mas depois é preciso integrá-las. Não existe uma tecnologia que resolva tudo e a questão não é assim tão fácil. Daí chamarmos especialistas e empresas que têm experiência em diferentes domínios, em diferentes cidades para mostrarem os seus produtos, as suas soluções que podem ser implementadas em cidades como Braga.

P - Não quer levantar um pouco a ‘ponta do véu’ em relação essas soluções que vão surgir no FICIS deste ano?
R - Este ano para além da saúde, temos também a apresentação de soluções na área da energia. Vamos ter a área relacionada com a mobilidade, como sucedeu em outras edições, com diversos es’bike sharing’, a gestão de tráfego nas cidades, soluções tecnológicas de integração de dados, a eficiência energética, a gestão da iluminação.

P - Quanto mais uma cidade for ‘smart’ mais capacidade de atracção tem?
R - Não podemos ver a questão só pelo lado da tecnologia. Uma cidade que tenha iniciativas que facilitem a mobilidade, com um bom ambiente urbano, menos poluição, são cidades onde é mais fácil viver, mais apelativas.

P - Está nesta altura envolvida num projeto de investigação muito virado para a história milenar da cidade de Braga. A historia de uma cidade tem um papel importante na definição de ‘smart city’? É importante não esquecer o lastro histórico de uma cidade para a projectar com novas soluções para o futuro?
R - Cada cidade é única. Não há duas cidades iguais e a história faz parte da cidade.

P - O património histórico construído pode ser uma mais valia na afirmação das cidades?
R - Sem duvida. As cidades também podem ser apelativas pelo seu património. Aliás as tecnologias também podem ser associadas ao património. Estou envolvida num projecto sobre o património da Bracara Augusta. O FICIS este ano é no Museu D. Diogo de Sousa porque decorreu de uma conversa com a directora daquele espaço precisamente por eu estar envolvida no projecto de investigação. O património e a ciência estão interligados com as tecnologias.

P - A Bracara Augusta era no seu tempo uma ‘smart city’?
R - Poderia ser se já existissem as tecnologias.
P - Tem afirmado que cada cidade é única. Não se corre o risco de se ‘importarem’ modelos de ‘smart cities’ que não de adequem á realidade de uma determinada cidade?
R - É importante que estejam no terreno os interlocutores correctos. Pessoas habilitadas ou capacitadas para responder a esses desafios. Desta forma consegue-se que as iniciativas implementadas sejam de acordo com as necessidades da própria cidade.

P - Estamos a falar de um processo dinâmico.
R - É um processo dinâmico que tem um ‘timing’. Demora algum tempo até ser absorvido, mas é sempre importante que exista um objectivo a alcançar.

P - De que forma é que as pessoas começam a sentir esse conceito passado á pratica de ‘smart city’? Hoje existem grupos de cidadãos esclarecidos que reivindicam através da sua acção, uma participação importante na discussão dos assuntos relacionados com a cidade.
R - Esse é um grande objectivo do FICIS. Fazer com que essas pessoas participem no fórum e discutam as temáticas. As pessoas apropriam-se de iniciativas fáceis de implementar e que tenham resultados de curto prazo. Iniciativas que facilmente sejam perceptíveis e que consigam medir - por exemplo - o nosso consumo energético ou o ser mais fácil chegar a determinado local; isto valoriza a nossa vida na cidade. Conseguindo integrar estas iniciativas mais facilmente, as pessoas conseguem percebe-las e sentir que têm influencia no seu dia-a-dia.

P - O orçamento participativo das câmaras municipais é uma boa ferramenta para trazer as pessoas ao debate sobre as estratégias de desenvolvimento das cidades?
R - Tem vindo a crescer a participação dos cidadãos nos orçamentos participativos. É um grande primeiro passo para as pessoas poderem participar e definir quais são as iniciativas que devem ser implementadas nas suas cidades.

P - O desenvolvimento do projecto de ‘smart city de alguma maneira pode ficar diminuído devido a restrições financeiras dos próprios municípios?
R - Há fundos da UE que também permitem que esses projectos sejam implementados. Urge definir quais são as grandes iniciativas que cada cidade pretende implementar.

P - Foi Analista para a Sustentabilidade nas Nações Unidas. Quer falar dessa experiência?
R - Estive na UNOPS que é um organismo da ONU que faz análise da sustentabilidade relacionada com infraestruturas. Neste projecto estive envolvida quer com hospitais ,escolas estradas, aeroportos, prisões e portanto um dos grandes exemplos que posso dar aconteceu no Afeganistão numa universidade para mulheres em que se teve de criar uma infraestrutura nova, porque as mulheres tinham aulas em tendas e juntamente com essa infraestrutura criada, foi preciso constituir também um jardim de infância, uma maternidade e todos os sistemas adaptados ao Afeganistão em que sabemos que há dificuldades ao nível de fontes de alimentação e dificuldades energéticas.

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