Mário Centeno vai exigir a António Costa

Ideias

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José Manuel Fernandes

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Mário Centeno foi eleito esta segunda-feira presidente do Eurogrupo, o que prestigia o próprio e Portugal.
O Eurogrupo é constituído pelos ministros das finanças dos Estados-Membros pertencentes à Zona Euro, que elegem, por maioria, o Presidente para um mandato de dois anos e meio. Reúnem-se de forma informal, para debater questões relacionadas com as responsabilidades específicas que partilham em matéria de moeda única e para favorecer as condições de um crescimento mais forte na União Europeia e desenvolver e coordenar as políticas económicas.

O Conselho Europeu aprovou a criação do Eurogrupo em 13 de dezembro de 1997 e a primeira reunião aconteceu em 4 de janeiro de 1998. Em 2004, foi eleito o primeiro presidente do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker. Só no ano de 2009, com o protocolo n.º 14 do Tratado de Lisboa é que o Eurogrupo foi formalizado. Nas reuniões, a Comissão também participa e o Banco Central Europeu é convidado. Embora as discussões das reuniões sejam confidenciais, são realizadas conferências de imprensa para informar o público sobre o resultado geral da reunião. O grupo encontra-se no dia anterior à reunião do ECOFIN (constituído por todos os ministros das finanças da UE) e o Presidente do Eurogrupo é o responsável por informar o ECOFIN do que foi discutido durante a reunião.

A eleição de Mário Centeno estava muito facilitada. Por um lado, o próximo presidente tinha que, quase obrigatoriamente, ser um socialista, uma vez que o Partido Popular Europeu tem a presidência da Comissão, do Conselho e do Parlamento. Por outro, a boa herança deixada por Pedro Passos Coelho permitiu a Mário Centeno recolher os louros e ser eleito. Nunca nos devemos esquecer que os efeitos de uma boa governação demoram tempo a fazer-se sentir. E, por último, o mérito por atingir as metas orçamentais, ainda que seja à custa de cativações e habilidades. É um heterodoxo nos resultados ainda que não o seja nos meios para os atingir. Não admira que não execute os orçamentos que são aprovados, mas execute uns completamente diferentes, alterados pelas cativações e mais cativações.

Mário Centeno tem agora muito trabalho pela frente. Faço votos que o faça bem, Portugal e a Europa agradecem. Tem as condições necessárias e entra numa altura em que pode tirar dividendos das propostas da Comissão para a reforma da zona euro. A Comissão pretende criar uma linha orçamental que cumpra várias funções: funcionar como backstop para a União Bancária, possibilitando a sua conclusão; apoiar os Estados da Zona Euro a executarem as reformas necessárias; criar um fundo para combater os choques assimétricos; apoiar os Estados-Membros que queiram aderir à zona euro; criar um fundo monetário europeu que substitua o Mecanismo Europeu de Estabilidade para apoio a Estados-Membros que estejam em dificuldade financeira. São propostas ambiciosas, que colhem apoios por toda a Europa, e não faltarão socialistas a afirmar a paternidade de uma proposta de Juncker.

Mas, em Portugal e para a geringonça, a gestão será certamente mais complicada. A esquerda radical tem a característica de ser maniqueísta e está sempre pronta a rotular os outros. Será que quando Mário Centeno, presidente do Eurogrupo, exigir reformas estruturais ao Mário Centeno, Ministro das Finanças, a esquerda radical e António Costa o vão apelidar de neoliberal?
A eleição de Centeno deve ser motivo de satisfação. Só os comunistas e bloquistas é que não gostaram. Apoiam o Centeno ministro das Finanças, mas não o Centeno presidente do Eurogrupo. Não é surpreendente! A esquerda radical quer sair do euro, não reconhece legitimidade ao Eurogrupo e detesta as reformas estruturais, precisamente a exigência que o agora presidente do Eurogrupo Mário Centeno vai fazer a António Costa e a si próprio!

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