Bombeiros voluntários, os melhores de nós!

Ideias

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Artur Coimbra

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Tive o privilégio de apresentar a meio desta semana, no Teatro-Cinema de Fafe, a minha obra mais recente, “Bombeiros Voluntários de Fafe-Uma História de Heroísmo desde 1890”, que mereceu uma notícia na edição de sexta-feira deste jornal.
Foi uma noite fantástica, uma merecida homenagem aos Bombeiros Voluntários de Fafe, que juntou mais de duas centenas de pessoas.
Veio de Lisboa, simpática e simbolicamente, o Comandante Jaime Marta Soares, presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses.

Estiveram presentes diversas personalidades locais, como os vereadores Pompeu Martins e Antero Barbosa, além do Presidente da Assembleia Municipal, José Ribeiro. E alguns presidentes de Junta de Freguesia.
O programa de animação da noite incluiu a participação de diversos valores locais, como o actor Rafa Leite, a Escola Bailado de Fafe, o Ensemble de Clarinetes da Academia de Música José Atalaya, o cantautor Valter Lobo, o Coral Santo Condestável, o grupo Face B e o Grupo de Cavaquinhos dos Bombeiros Voluntários de Fafe.

A apresentação da obra esteve a cargo de Agostinho Teixeira, presidente da Assembleia Geral da Federação dos Bombeiros do Distrito de Braga.
Foi, na verdade, um hino de louvor à causa dos Bombeiros Voluntários de Fafe, mas também de Portugal.

Associado dos Bombeiros Voluntários de Fafe desde há décadas, pelo dever de apoiar a instituição certamente mais consensual, humanista, generosa e filantrópica de quantas tecem o território associativo do concelho, a que acrescenta a doação aos outros como o seu permanente modo de vida e a sua missão indeclinável, circunstâncias quase acidentais levaram-me a integrar o elenco directivo da Humanitária Associação desde 2009. Os anos que, entretanto, transcorreram permitiram-me reforçar e ampliar a admiração, o respeito, a estima e o reconhecimento por estes homens e mulheres que são a mais positiva referência e paradigma para os restantes cidadãos.

O bombeiro voluntário é, na verdade, o melhor homem do mundo, como alguém afirmou e não me canso de subscrever.
Os Bombeiros são aqueles homens e aquelas mulheres que associamos imediatamente ao socorro em situações de emergência, acidentes, inundações ou catástrofes, mas sobretudo ao combate aos incêndios florestais que enchem dramaticamente os ecrãs das televisões e as parangonas dos jornais.
Os bombeiros são os autênticos heróis do nosso quotidiano, conquanto Marta Soares lhes retire o “heroísmo” e os remeta à condição de homens e mulheres fardados de “soldados da paz”!...
Eles levantam-se todos os dias sem saber se vão comer, quando vão comer, se vão regressar a casa e rever a sua esposa (ou o marido) e os seus filhos, ou os pais e irmãos.

Eles não têm descanso, não têm horas para ler o jornal, ou para tomar o descansado café ou fumar o tranquilo cigarro; enquanto as chamas dão luta, eles dão combate às chamas.
Saem dos quartéis a desoras e não sabem quantas horas vão permanecer no mato, quantas vezes sem água para beber, ressequidos e exaustos, a lutar pelo que não é deles, a ouvir impropérios, injúrias e às vezes má educação. Ou porque não chegaram quando as pessoas queriam, porque os minutos em transe são horas sem fim, ou porque não trouxeram os meios adequados e mostraram a sua incompetência...
Mas os bombeiros não ligam, e fazem muito bem, porque são superiores à mesquinhez deste subjectivo imediatismo...

Quando tudo falha, seja em que situação for, sobra para os bombeiros.
Os portugueses acreditam plenamente nos homens que vão para o terreno - atacar um incêndio ou salvar uma vida, num acidente de viação ou numa situação dramática. É verdade e está estatisticamente demonstrado: os bombeiros são a classe social em quem os cidadãos mais genuinamente confiam. E por isso deveriam ser mais valorizados pelos poderes públicos, que têm ainda um longo caminho a percorrer nessa área.
Não me canso de exaltar o seu heroísmo, o seu voluntarismo, a sua dedicação, o sacrifício, a sua disponibilidade permanente, seja a que hora for, do dia ou da noite.

Ser bombeiro é quase uma doença. Há quem chame “vírus” ou “vício” a essa íntima e indeclinável paixão que leva a que os bombeiros passem muitas vezes mais tempo na sua “segunda casa”, o quartel, do que na primeira, a sua residência. Uma boa doença, convenhamos, que promove missões no sentido cristão do bem-fazer sem olhar a quem, do exercício da solidariedade, da generosidade, da entrega total à defesa da vida e dos bens alheios, sem olhar a credos, a condições sociais e económicas, a opções políticas ou ideológicas. Fazer bem sem olhar a quem. O seu paradigma é um evangelho de pensamento e acção: Vida por Vida, até ao sofrimento e à morte, tantas vezes.
Bem formados, excelentemente preparados, heróis e mártires, os bombeiros são os melhores do mundo e os melhores de todos nós.

É por estas e por outras que, obviamente, não poderia eximir-me a dar o melhor de mim numa obra sobre os admiráveis Voluntários fafenses. É o meu legado, o meu tributo, a minha homenagem mais profunda e irrecusável a quem faz da sua vida um sacerdócio em prol do semelhante!

Uma obra que passa em revista o historial dos Bombeiros Voluntários de Fafe desde a sua fundação, por João Crisóstomo, em 19 de Abril de 1890, até aos nossos dias, num percurso certamente feito de altos e baixos, de proezas e revezes, de sacrifícios e lutas, de investimentos e iniciativas da mais diversa índole.
Uma longa história de 127 anos, em 450 páginas de textos e imagens, de intensa memória, para memória presente e futura!

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