Ecossistema das Startups Nacionais

Ideias

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Vasco Teixeira

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Com a vinda do Web Summit para Portugal muito destaque tem sido dado às startups tecnológicas, sendo um excelente palco para os nossos empreendedores apresentarem as suas inovações a grandes investidores internacionais. As startups portugueses estão de parabéns pelos resultados que têm alcançado nos últimos anos. O ecossistema português cresceu o dobro da média europeia. No último ano, as scaleups nacionais (empresas que obtiveram financiamento de mais de um milhão de dólares) conseguiram captar 115 milhões de euros em financiamento, que corresponde a 40% do total captado entre 2010 e 2016. Segundo as conclusões de um estudo Startup Europe Partnership, “SEP Monitor Report”, que analisa o ecossistema de startups portuguesas, que resulta de uma parceria entre a Mind the Bridge e a Beta-i, Portugal tem 67 scaleups que captaram um total de 310 milhões de euros nos últimos seis anos. A maioria (88% do total) são pequenas scaleups, que obtiveram um financiamento total entre 1 e 10 milhões de dólares, o que representa 0,2% do PIB português. Contudo, apesar dos números consideráveis para o nosso país, Portugal ocupa o 15.º lugar do ranking dos ecossistemas europeus de scaleups.
A empresa Farfetch de origem portuguesa, constituída em 2008 e que teve durante vários anos as suas instalações no Parque Tecnológico AvePark (Taipas), é uma plataforma luso-britânica de comércio online de moda de luxo (disponibiliza num único site acesso a artigos de luxo de mais de 300 boutiques de 27 países), é o único “unicórnio” (termo utilizado para as startups avaliadas em mais de mil milhões de dólares). Outras empresas estão com grande potencial de crescimento, atendendo aos montantes de financiamento que conseguiram levantar. A Outsystems, que desenvolve uma tecnologia “low-code”, levantou cerca de 60 milhões de dólares, é a candidata a ser o segundo “unicórnio” português. Nesta lista seguem-se a Uniplaces, Veniam, Feedzai, Talkdesk e Aptoide, que ultrapassaram os 20 milhões de dólares em financiamento.
Os investidores norte-americanos quem mais investe nas scaleups portuguesas. As scaleups nacionais são levadas a deslocar as suas sedes para fora do país. O estudo mostra que quatro em cada cinco empresas fundadas em Portugal têm sedes fora do país, mas mantêm operações relevantes no país. É o caso da Feedzai, OutSystems, Talkdesk, Unbabel ou Veniam.
Lisboa é a cidade com mais scaleups (27), responsável por 221 milhões de doláres de capital angariado, que corresponde a 65% do total angariado pelas scaleups nacionais. O Porto está no segundo lugar com 23, tendo angariado apenas 22% (77 milhões de doláres) do investimento. Na terceira posição encontra-se Coimbra, com 10 milhões de dólares de financiamento para scaleups que operam, nas áreas de MedTech (tecnologias da saúde) e CleanTech (tecnologias limpas).
O empreendedorismo é o principal motor da inovação, da criatividade, da competitividade e do crescimento económico. O empreendedorismo e as pequenas e médias empresas (PME) são, particularmente para a economia europeia, a mais importante fonte de criação de emprego e de dinamização dos negócios e da inovação. São as novas empresas, em especial as PME, que geram mais novos postos de trabalho na Europa, sendo responsáveis pela criação de 4 milhões de novos empregos por ano.
No entanto só uma pequena fração das empresas startups criadas em Portugal são de base tecnológica. A aposta na inovação tecnológica assim como o financiamento, que é crucial na fase inicial (prova de conceito e desenvolvimento de protótipos) devem ser comtemplados por programas específicos. Portugal necessita de continuar a investir no Conhecimento e na Inovação como alavanca para o crescimento socioeconómico e o desenvolvimento sustentável.
A relevância da investigação científica e tecnológica, que determina muitas das inovações tecnológicas, é hoje cada vez mais considerada como fator indispensável para garantir maior competitividade das empresas e gerar crescimento económico, como foi reconhecido por todos os Estados-Membros na Estratégia Europa 2020 para o Emprego e o Crescimento, ao adotarem o objetivo de afetar 3% do PIB na investigação e desenvolvimento (I&D), correspondendo a 1% proveniente de fundos públicos e 2% do setor privado. A percentagem do PIB para atividades de ciência e tecnologia corresponde também a um indicador do próprio desenvolvimento dos países. Segundo dados da Comissão Europeia (CE), atingir até 2020 a meta de investimento de 3% do PIB da UE em I&D poderá criar 3,7 milhões de empregos, e no aumento do PIB anual em 795 mil milhões de euros, até 2025.
Algumas das novas empresas tecnológicas desenvolvem produtos, tecnologias ou processos para a nova revolução industrial, Indústria 4.0 (ou a Quarta Revolução Industrial), que corresponde à era da Inteligência Artificial, da Robótica, Impressão 3D, da Nanotecnologia e da Internet das Coisas (IoT - Internet of Things) que combina estas tecnologias com diversos fatores no trabalho e nos produtos dos consumidores, alterando de forma inovadora e disruptiva a economia, o que terá um grande impacto tecnológico nas empresas e na forma como esta digitalização da economia afetará as pessoas e a sociedade.
O próximo grande avanço tecnológico implica a incorporação de “inteligência” nos objetos de uso quotidiano (IoT). Atualmente, um cidadão comum tem, no mínimo, dois objetos ligados à Internet e, em todo o mundo, estima-se que existam cerca de 25 mil milhões de dispositivos ligados sem fios.

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