O governo dos 4 i

Ideias Políticas

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Hugo Soares

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Incompetência, insensibilidade, irresponsabilidade, incapacidade. O governo do Dr. António Costa soma e segue, imparável, a colecionar casos que têm deixado o País ora perplexo, ora em estado de choque, tal a enormidade dos seus erros e dos seus falhanços. Volvidos dois anos de geringonça, uma pergunta desde logo se impõe: foi para isto que António Costa quis o poder a qualquer custo, mesmo tendo perdido as eleições? Aparentemente, sim.

Que este nunca foi um governo com uma visão de futuro e um projeto para Portugal, já se sabia. Nasceu com a única finalidade de não deixar governar o partido que ganhou as eleições, o PSD, e para assegurar a sobrevivência do líder socialista, baseada numa aliança espúria com os partidos da extrema esquerda. Juntos, enredados numa cumplicidade quase sempre envergonhada e muitas vezes vergonhosa, têm conduzido o País por um caminho que, não fora a conjuntura internacional favorável e o esforço das nossas empresas e trabalhadores, já teria desembocado num beco sem saída. Mas se é assim desde o princípio, os últimos meses têm mostrado à saciedade o quanto este simulacro de governo está desnorteado, esgotado e de cabeça perdida.

A incompetência deste governo das esquerdas ficou exposta da forma mais dramática e traumática que se podia imaginar. A inoperância e a incapacidade que revelou nas tragédias dos incêndios florestais deste ano mostraram a verdadeira face de um executivo que só existe para dar boas notícias mas que é totalmente inexistente quando as coisas correm mal. E pior não podia ter corrido nos mortais incêndios de 17 de junho e de 15 de outubro, exibindo aos olhos de todos um Estado incapaz de cuidar dos seus cidadãos e de garantir a segurança das suas vidas.

O mesmo padrão de comportamento errático e incompetente repetiu-se no caso do roubo de material de guerra de Tancos, o tal assalto que, “no limite” nem existiu, segundo a absurda explicação do ministro da Defesa. Seguiu-se o episódio do jantar de encerramento da Web Summit no Panteão Nacional, com a caricata indignação do governo contra si próprio, por ter autorizado a realização do evento que, afinal, não deveria ter autorizado... Entretanto, falhanço atrás de falhanço, o governo socialista jamais assumiu as suas responsabilidades com humildade e dignidade. Nunca. Pelo contrário, sempre procurou atirá-las para os outros, em especial para o anterior governo.

Foi assim também com o nada edificante espetáculo que o governo deu a propósito da progressão das carreiras dos funcionários públicos. A tentativa de António Costa de atribuir o congelamento das carreiras ao governo de Pedro Passos Coelho foi, no mínimo, despudorada, sabendo-se que essa medida foi do governo de José Sócrates e que à conta do seu próprio governo já leva dois anos de congelamento. Aliás, toda a esquerda, incluindo os sindicatos controlados pelo PCP, aceitou fazer parte de uma encenação ridícula, desprezando completamente as expetativas dos trabalhadores da Administração Pública. Mais uma vez, no modo “abstrato” do Dr. António Costa, o governo não mede as consequências das suas promessas ou esconde-as. Em todo o caso, atira a factura para quem virá a seguir.

Mais ou menos o que fez com a promessa de transferência do Infarmed para o Porto. A coberto de uma pseudo-descentralização. o governo agiu sem pensar, em cima dos joelhos, sabe-se lá com que motivações e com que finalidade. O que foi, segundo o governo, uma decisão longamente ponderada e pensada pode vir a dar em nada. É este o valor da palavra para António Costa.
Finalmente, duas notas destes últimos dias. A primeira tem a ver com o chumbo inexplicável e vergonhoso, por parte do PS, BE, PCP e Verdes, de uma proposta do PSD, no âmbito do Orçamento de Estado para 2018, que isentava de IMI os imóveis ardidos nos incêndios deste ano.

A insensibilidade do governo e da maioria de esquerda - que se comporta no parlamento como um autêntico rolo compressor - chegou a este ponto. Como a proposta veio do PSD, estes partidos simplesmente recusaram um alívio e um apoio da mais elementar justiça a quem tudo ou quase tudo perdeu!
A segunda nota refere-se ao Conselho de Ministros em versão de talk-show com que o governo decidiu assinalar os seus dois anos de funções. Pagando a participantes para fazer perguntas, o governo julga que compra o silêncio e a conivência dos portugueses. Engana-se. A única coisa que se paga - e nas urnas - é tamanha irresponsabilidade.

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