A urgência da leitura

Voz às Bibliotecas

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Victor Pinho

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Realizada, recentemente, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, a conferência do Plano Nacional de Leitura deste ano abordou o tema da urgência da leitura.
Com a participação de reputados especialistas, e tendo como moderadores destacados membros do governo, em debate estiveram os conceitos e fundamentos que devem suportar políticas de leitura e escrita favoráveis às múltiplas literacias, apontar novas vias de evolução e inspirar novas acções criativas e inovadoras.

O programa abriu com a conferência de Néstor García Canclini, professor e antropólogo argentino que, entre outros aspectos, falou da multiplicidade das literacias e de se ler em todo o lado, em suportes impressos e informáticos, para respondermos aos nossos interesses pessoais e nos formamos como cidadãos.

O panorama da literacia e do apego dos jovens à leitura é hoje bem melhor do que uns anos atrás, mas teme-se que possa haver estagnação ou mesmo regressão, como foi salientado por Isabel Alçada, anterior Comissária Nacional do Plano Nacional de Leitura. Por isso, é necessário continuar as campanhas e o entusiasmo à volta dos livros e da leitura.
È que, apesar de todos os esforços, das Bibliotecas, das Escolas, e das Famílias, ainda se lêem poucos livros em Portugal. Depois, há a concorrência de outras formas de leitura, sms, correio electrónico, ebooks, que sendo leitura, concorrem com o livro e facilitam o acesso à leitura e à escrita.

Fazem-se estudos, promovem-se encontros, debatem-se os problemas relacionados com a leitura e a falta dela e chega-se à conclusão de que é necessário ler mais e ler melhor. Sobretudo é necessário encontrar estratégias que levem as nossas crianças e os nossos jovens a sentir pela leitura um gosto, um prazer pessoal.
Torna-se necessário, neste domínio, formar orientadores da leitura, bibliotecários, professores, professores bibliotecários, pais, que aconselhem a leitura de um determinado livro, atendendo à idade e à preferência de cada um, porque a leitura de um livro pode determinar a leitura de outro e assim sucessivamente.

As bibliotecas têm aqui um papel importante. Devem criar laços, estimular uma relação afectiva com o acto de ler.
A preparação e a paixão dos que trabalham nas bibliotecas são fundamentais na criação de estímulos à leitura que vão desde o crescimento e divulgação do acervo, ao auxílio na pesquisa e orientação de leituras, passando pela organização e disponibilização da documentação e pela implementação de estratégias que permitam racionalizar os meios e optimizar e diversificar a prestação de serviços.

A escola deverá saber encontrar estratégias que promovam a reconciliação com a leitura, que proporcionem prazer, que alarguem horizontes, que estimulem o desejo de saber, procurando encontrar o equilíbrio entre os vários tipos de leitura, de modo a que os alunos encontrem, efectivamente, resposta aos seus desejos, dúvidas e inquietações.
A escola só poderá fazer e conquistar leitores, não pela imposição, mas pela compreensão, pela atenção aos afectos.

A família deve ver no livro um instrumento de valorização pessoal, deve oferecer livros. Deve criar condições de tranquilidade e propiciar às crianças e aos jovens momentos de leitura e de recreação com a mesma.
Nunca é demais lembrar a entrevista de Maurício Leite, o brasileiro itinerante que se especializou em levar malas de livros às crianças do Brasil e dos Palop que, em entrevista à revista “Actual” do jornal “Expresso”, a dado passo, afirmou:
“O pai quer sempre deixar o que há de melhor para o filho. E pensa sempre em dinheiro. Mas tudo o que você deixar de material, alguém pode tomar ou negociar, o governo pode desapropriar. A única coisa que não vão roubar do seu filho é a cultura, caso você tenha dado uma para ele.”

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