Momentos de contestação

Voz às Escolas

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Luisa Rodrigues

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Recentemente iniciado, o ano letivo de 2017/2018 tem primado pela emergência de momentos de contestação, por parte dos professores e dos assistentes operacionais, sendo que, quer uns quer outros se encaixam na designação mais abrangente de funcionários públicos, o que decorre do facto de ambos serem ‘empregados’ do Estado, à imagem de uma panóplia de profissionais que asseguram o funcionamento das diversas estruturas na dependência desse mesmo Estado.

No entanto, e sem qualquer intencionalidade de desmerecimento das restantes categorias de funcionários públicos, gostaria de enfatizar a inquestionável importância dos profissionais de educação na formação e sustentabilidade da sociedade, certa de que, pondo de parte qualquer tipo de ‘bairrismo’, todos reconhecemos que estamos a falar de uma classe cuja ação condiciona, para o bem e para o mal, o nível de proficiência do desempenho de qualquer setor, seja ele público ou privado.

Num breve exercício de visita aos grandes pensadores gregos, já então se defendia que ser professor era uma das profissões mais importantes, tendo em conta que as demais, na sua generalidade, dependiam da sua ação enquanto veículo, por excelência, para a formação de cidadãos capazes de assumir um papel interventivo na sociedade, promovendo, de forma assertiva, as mudanças capazes de acompanharem a evolução dos tempos; já então se defendia que a missão da escola passava, para além da transmissão do conhecimento, que só por si seria o garante da existência de pessoas melhores e, consequentemente, de uma sociedade mais perfeita, pela formação da pessoa enquanto ser humano, dotado de ferramentas que assegurariam um futuro em que prevalecesse a defesa de um diálogo construtivo, perspetivando uma maior harmonia e justiça sociais.

E se, efetivamente, na época se defendia o papel de reconhecida importância dos professores, o certo é que, num processo que me atrevo a designar de ‘contra natura’, com a evolução dos tempos fomos assistindo a um crescendo de desvalorização de uma classe a quem continuámos a atribuir e a assacar responsabilidades, num completo desrespeito pelos direitos que assistem a quem, modéstias à parte, todos devemos o ‘lugar ao sol’ que conquistámos.
A sociedade evoluiu, de forma surpreendente, não há o que questionar, mas continuamos a uma distância imensurável do expectável, no que reporta à definição e, sobretudo, à priorização de medidas que, pese embora não trazerem grande ónus político, pelas repercussões em determinados setores da vida pública, respondam, realmente, às necessidades de intervenção mais prementes do nosso país.

Numa análise global, assusta-me a falência de alguns setores, como a área da saúde, por exemplo, mas mais assustador ainda seria se, pela falência da área da educação, continuássemos, num futuro próximo, a ter ‘profissionais de saúde’, mas não os profissionais de saúde de que tanto precisássemos quando nos deparássemos com situações de que dependesse a nossa sobrevivência.
Pelo que corroboro o pensamento dos grandes filósofos que defendiam que todas as demais profissões dependem da ação dos profissionais de educação.

Em verdade, não deveríamos, sequer, ter que recorrer a formas de luta como as que têm sido levadas a cabo e que, no futuro, só não terão consequências mais nefastas porque somos, acima de tudo, PROFISSIONAIS dotados de uma forte consciência cívica e moral, consciência essa que condiciona uma tomada de decisões que coloquem em risco o futuro de uma geração que, esperamos, possa vir a fazer a diferença, catapultando a merecida mudança.

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