A indignação de um governo indigno

Ideias Políticas

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Hugo Soares

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1. Com o bom senso a imperar, todos consideramos que o jantar de encerramento da Web Summit nunca deveria ter acontecido num monumento como o Panteão Nacional, onde estão sepultados alguns dos nossos heróis nacionais. Por uma questão de respeito, de dignidade e , como já disse, de elementar bom senso. Mas aconteceu, e aconteceu porque a Direção Geral do Património Cultural, organismo tutelado pelo Ministério da Cultura, deu a autorização necessária para que acontecesse. Poderia, muito simplesmente, não ter autorizado e o evento não se teria realizado no Panteão, o que não seria inédito. O certo é que autorizou.
O mais chocante nisto tudo, porém, foi o lamentávelespetáculo que se seguiu, protagonizado pelo primeiro-ministro e secundado pelo seu ministro da Cultura. Este último veio dizer que “estranhou” o facto, uma declaração no mínimo absurda que, entre outras coisas, revela a total ignorância do que andam a fazer as direções gerais do seu ministério. Mas António Costa foi ainda mais longe na sua despudorada reação à polémica, considerando “absolutamente indigna” e “ofensiva” a utilização do Panteão para eventos festivos.

E o pior de tudo é que um e outro não só tentaram fazer de conta que nada tinham a ver com a autorização que foi dada, como mais uma vez ensaiaram o já estafado número de atirar as culpas para o anterior governo.
Este padrão comportamental do primeiro-ministro e do seu governo chega a ser doentio e os portugueses têm razões para se preocuparem. Porque já perceberam que têm um governo que só dá a cara quando há aplausos para receber(veja-se, por exemplo, as repetidas vezes que Costa subiu ao palco da própria Web Summit) mas que se eclipsa sempre que algo corre mal. E um governo que éintrinsecamente, e ao mais alto nível, refratário à assunção de responsabilidades e refratário à verdade é um governo indigno das funções que exerce.

2. Esta é uma constatação cada vez mais clara para os portugueses, a cada dia que passa, a cada problema que surge, a cada tragédia que nos assola. O grande problema é que as incapacidades, fraquezas e debilidades do governo de António Costa têm assumido consequências verdadeiramente intoleráveis… e para um número insuportavelmente elevado de nossos concidadãos o que quer que este governo diga ou faça já vem tarde.
O surto de legionella no Hospital S. Francisco Xavier, em Lisboa, cujo número de vítimas mortais e de infecionados lamentavelmente não para de aumentar, é mais um caso que vem expor de forma crua o quanto o Estado tem falhado nestes últimos tempos. E falha onde não podia, de modo algum, falhar. Falha no núcleo central das suas funções e da sua razão de existir: na proteção da vida das pessoas, na garantia da sua segurança, na obrigação de assistência às suas necessidades mais básicas e essenciais. Em tudo isto, o Estado - que o governo representa em primeira instância - tem falhado. É triste e trágico mas não há outra forma de o dizer.
E isto porque temos, infelizmente, o governo que temos. Um governo que não age, apenas reage e reage sempre da pior maneira possível. Sem capacidade de resposta, com desnorte, negando a realidade, com desresponsabilização e atirando sempre as culpas para os outros. Não é um governo digno desse nome.

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