Sobre uma futura alternativa de confiança

Escreve quem sabe

autor

Manuel Barros

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A agenda política nacional está a ser marcada por alguns acontecimentos positivos que vão desde as boas notícias do bom desempenho da economia, da realização e do êxito da Web Summit, da inauguração do novo terminal de cruzeiros de Lisboa, à evolução do turismo que continua a registar crescimento, e a aprovação do Orçamento do Estado.
A par de outros factos mais negativos, como as dinâmicas em torno das consequências dos incêndios do verão e outono, o desaparecimento e a descoberta das armas de Tancos, a legionella e os velórios interrompidos, a segurança dos espaços de diversão noturna, o desastre financeiro do BES e o vasto leque os escândalos que lhe estão conexos. Muitos outros, positivos e negativos, poderiam ser elencados, ao nível nacional e internacional. Apesar da sua importância, da atualidade e do interesse, que poderia porventura suscitar a sua abordagem, corria o risco de não acrescentar muito mais, pela forma exaustiva com que todos estes acontecimentos têm sido tratados, pela da generalidade dos órgãos de comunicação social nacional e regional.
Por esta razão, entendi centrar a atenção em dois assuntos de atualidade nacional, que poderão definir a sustentabilidade futura do que está a correr bem, e as soluções para os problemas que temos vivenciado nos últimos tempos. O segundo aniversário do governo suportado pela “geringonça parlamentar”, e as eleições para a liderança nacional do Partido Social Democrata.
Um, o acordo político que suporta a atual solução governativa, marcado pela imagem de ter sido assinado, por cima das costas das cadeiras que rodeavam a mesa onde foi concretizado, entre o Partido Socialista, o Partido comunista Português e Bloco de Esquerda que tem funcionado em cima de um ambiente de conspiração constante. Registando dissonâncias que se vão evidenciando, com base na demarcação do Partido Comunista, e na ação de aproveitamento do Bloco de esquerda, que vai sugando as oportunidades políticas, facilitadas por uma estranha conciliação de interesses diferentes.
Apesar de apreciar a estabilidade atual, começa a dar sinais de que as soluções não beneficiam o funcionamento democrático e parlamentar, demarcando-se de forma muito inteligente do preconceito ideológico. Por outro lado, António Costa, habilmente disfarça como pode. A vontade de se ver livre do gancho à esquerda, que o está a comprometer com uma devolução de rendimentos, num ritmo muito mais acelerado do que defendia e, por razões de racionalidade e equilíbrio orçamental de médio longo prazo. Uma evidência que está patente no orçamento para 2018. Agregando a convergência de interesses diferentes, faz temer o pior em relação ao controlo da despesa, numa altura em que está a tentar estabilizar a onda da reestruturação forçada, da equipa governativa.
Neste contexto, adivinha-se uma resposta assente na capitalização do mediatismo das medidas de consumo interno, enquanto perspetiva uma maioria absoluta. Apesar da queda provocada com a crise do verão e do outono, a sua popularidade atingiu valores muito altos.
A dissolução funcional da “gerigonça”, começa a dar alguns sinais, apesar dos resultados do orçamento. O facto de caminharem todos no mesmo sentido, não significa que queiram todos o mesmo destino. Outra evidência que me parece irrefutável. A longa jornada de consensos, já teve melhores dias, do ponto de vista funcional e do ponto de vista ideológico, apesar do beneplácito do Presidente da República, por estar empenhado na estabilidade atual, e ser muitas vezes o seu “anjo da guarda”. Atitude que tem merecido a aprovação da grande maioria dos portugueses, em nome da estabilidade governativa, de que Portugal precisa, depois do esforço com o programa de ajustamento e de intervenção da troika.
Um balanceamento cada vez mais delicado, que exige com um grande jogo de cintura, entre a tentativa de resposta, às franjas minoritárias das posições fraturantes e dos trabalhadores de rendimentos médios e precários e os desempregados, que não têm evitado que os sindicatos estejam na rua a manifestar a sua insatisfação em relação ao alcance das medidas que estão a ser tomadas. Acrescendo, simultaneamente, a cedências à política de centro do PS, no que diz respeito a matérias como o investimento público, as empresas públicas, a estrutura da carga fiscal, a questão da dívida pública e a atração de investidores, sem conseguirem evitar a crítica ao próprio governo e da política orçamental.
Perante estes factos, as dúvidas e as perspetivas futuras da estabilidade política e económica do país, as eleições para a nova liderança do Partido Social Democrata, assumem nesta conjuntura uma particular relevância, que estando fora da atividade governativa, ganhou as eleições legislativas. Nunca perdeu a confiança dos portugueses, apesar da solução política encontrada e os resultados alcançados, pelo acordo do PS com as esquerdas, não são alheios ao trabalho da governação da coligação PSD com o CDS, tal como defendem os seus dirigentes e os candidatos à liderança.
Em qualquer circunstância, o PSD é um pilar estruturante do sistema político e partidário desde a sua fundação em 1974, por Francisco Sá Carneiro. Uma história que extravasa a história do nosso regime democrático, defensora da democratização do Estado Novo e ligada ideologicamente à ‘ala liberal’, atualmente centrada no desenvolvimento económico, privilegiando mudanças sociais e culturais, como meio determinante de promover e alargar a democracia, afirmando-se como um partido colocado ao centro do espetro político. Uma eleição que promete uma grande participação, em torno de duas candidaturas fortes. Lideradas por dois políticos experientes com provas dadas, Rui Rio e Pedro Santana Lopes, que vão disputar o apoio do partido, e o que vencer será candidato a Primeiro Ministro. Um Partido de matriz reformista e humanista, com a visão contemporânea de uma sociedade justa e equitativa de pessoas livres, em reflexão contínua sobre a melhoria das condições de vida e da dignidade humana.
Uma situação particularmente difícil, pela expetativa da sociedade portuguesa e sobretudo, pela necessidade de estar preparado para servir o país, na oposição ou no poder, de uma forma sólida estável e sustentada, para continuar a merecer a confiança dos portugueses, fazendo-os sentir que são uma alternativa forte e um reduto de suporte, ao funcionamento do estado e das instituições, que acrescente valor e seja exercida de forma diferente da que está em funções.

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