Actualidade política e os sinais de separatismo em Espanha

Escreve quem sabe

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Manuel Barros

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Tenho dedicado este espaço de opinião, a assuntos que tocam diretamente, sejam eles de dimensão local, nacional ou internacional. Uma opção de escolha, que nesta quinzena se mostrou bastante difícil. Uma dificuldade, que se prendeu com a densidade, a importância e, principalmente, pela atualidade e pela proximidade dos acontecimentos.
Desde logo, os incêndios que assolaram o país e ameaçaram a nossa cidade. Fazendo lembrar o “incêndio de Roma”, pela violência, pela a impotência e pela rudeza das imagens que nos iam chegando. Num ambiente irrespirável, a que todos estivemos sujeitos naquela noite e ainda hoje sentimos, pelo cheiro a terra queimada que teima em permanecer. Amigos que pediam ajuda, perante o desespero das famílias, a impotência dos bombeiros e das autoridades, apesar do seu empenho, entrega total e incondicional.
O país estava em chamas. Numa intensidade concertada, que pareceu ser preparada para pôr em ação, naquele momento. Uma máquina destruidora, direcionada para uma das nossas maiores riquezas, a floresta, a beleza natural e equilíbrio ambiental, que apesar de tudo, ainda vamos mantendo. Ajudada por um vento, invulgarmente, desorientado que dificultava os trabalhos de combate, e tornavam a sua orientação imprevisível, a cada momento. Uma conjugação de fatores, que teve a onda de calor invulgar que se fez sentir, como seu principal aliado.
A chuva tudo amainou na nossa cidade, na região e no país. Pairando ainda a preocupação, das temperaturas pouco habituais para esta época do ano. Tema que deu lugar a um aceso e barulhento debate político, ao logo destas duas semanas acerca do apuramento de responsabilidades, das medidas preventivas, das condições e dos meios disponíveis. Enquanto Pedrogão Grande, ainda marcava a ordem do dia, sem medidas concretas de ajuda às famílias afetadas. Um contexto conturbado, com muito ruído á mistura, construído com o com o contributo de todos os quadrantes políticos e setores, direta ou indiretamente, responsáveis por este setor. O Presidente da República agiu de forma assertiva, com afeto junto das populações afetadas e firmeza junto das instâncias políticas. O Governo tremeu, e a Ministra da Administração interna foi demitida, depois de ter pedido de forma insistente, para sair pelo seu próprio pé.
A remodelação governamental, que se precipitou de imediato, ditou a promoção da Proteção Civil a Secretaria de Estado. Um bom sinal político, que agora precisa, de fazer sentir a sua ação para restabelecer o clima de confiança das pessoas. Um assunto que está em andamento, com atualidade e na ordem do dia.
O orçamento do Estado é outro assunto de grande atualidade. As prioridades enunciadas pelo Governo para o exercício orçamental assentam na recuperação de rendimentos das famílias, na criação de emprego e no apoio ao investimento das empresas e à inovação. Tem como objetivo promover a proteção social e a valorização das pessoas, prevendo medidas para alcançar estas metas qualitativas, contando com um crescimento do emprego de 0,9% em 2018, e uma redução para os 8,6%, da taxa média de desemprego.
Por outro lado, os empresários dizem estar surpreendidos “pela positiva” com a evolução da economia. Afirmando que “os indicadores macroeconómicos são espetaculares”. Uma visão com reservas, que se fundamentam na necessidade de atuar sobretudo nos fatores internos, no aumento do investimento e na continuação do aumento das exportações, chamando à atenção para a sustentabilidade desse crescimento, por acharem que “tem gozado de um conjunto de fatores externos muito favoráveis”. Uma discussão que segue o seu caminho, que o tempo e a vida dos portugueses vão sentir e avaliar.
Não há dúvida, que o orçamento do Estado e o início do novo mandato autárquico, são assuntos, que mereceriam um tratamento mais atento. Mas, os acontecimentos dos últimos dias, em Espanha e na Catalunha, monopolizaram os assuntos da ordem do dia, a avaliar pelos últimos desenvolvimentos. O Senado espanhol aprovou esta sexta-feira, 27 de outubro, a aplicação do artigo 155º da Constituição, que permite suspender a autonomia da Catalunha. Um anúncio, que teve lugar minutos depois de o parlamento catalão ter aprovado uma moção unilateral de independência.
Uma medida que determinou a destituição do presidente da Catalunha, Carles Puigdemont, e de todos os membros do seu executivo, tendo sido nomeada para o lugar a vice-presidente da equipa governativa de Rajoy. O governo espanhol recorre, a uma cláusula da Constituição, pela primeira vez. A última opção que prevê a dissolução do governo regional e um direito de veto sobre as decisões do parlamento, até à convocação de eleições regionais no prazo de seis meses, a aplicara a uma autonomia que “prejudique o interesse geral de Espanha”. Uma medida última instância.
Estas medidas são consideradas as mais duras possíveis, que vão conduzir a uma suspensão de facto da autonomia e do governo catalão. Apesar de ter sido suavizada, por proposta de emenda aprovada no Senado, que previa uma aplicação gradual do artigo 155º, “dependendo das circunstâncias”. Numa tentativa, de deixar a porta aberta a um possível recuo na linha dura de Madrid, mesmo depois do parlamento catalão ter avançado para uma independência unilateral.
Muitos temem, que a declaração da independência leve a uma crise da economia mais rica do país. Nas últimas semanas, milhares de empresas mudaram a localização das sedes para fora da Catalunha, estimando-se que outras mais sigam o mesmo caminho. Uma situação que nos deve preocupar, na exata medida que os acontecimentos que nos parecem mais próximos, e da nossa política interna.
A estabilidade política e económica em Espanha, influencia diretamente a nossa vida. Uma fragilidade que vai afetar a estabilidade na Península Ibérica, e que confirmando a que a nossa vizinha Espanha, é “um país constituído por sete nações, unidas pelo Corte Inglês”, poderá ter um efeito dominó em toda na coesão territorial de toda a Europa.
O separatismo é uma das dinâmicas políticas, que faz parte da história da Europa. É um instrumento, que ao ser utilizado para pacificar, tem vindo a confirmar que as nações se identificam, cada vez menos com os estados instituídos. As respostas de contraponto constituem um exercício difícil, que exige lideres políticos á altura deste grande desafio. Vamos aguardar…

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