Em jeito de balanço

Ideias Políticas

autor

Carlos Almeida

contactarnum. de artigos 109

Retomo a escrita neste espaço depois de uma pausa maior do que o habitual, causada pela realização das Eleições Autárquicas. Não tenho pois outro remédio senão começar precisamente por aí, sentindo-me na obrigação de tecer pelo menos algumas considerações sobre os seus resultados. Estranho poderia parecer se não o fizesse.
No passado dia 1, ficou claro que, dos eleitores que se manifestaram através do voto, a maioria (52%) quis que Ricardo Rio continuasse na Presidência da Câmara Municipal de Braga, conferindo-lhe agora uma equipa reforçada com mais um vereador - 7 no total de 11.

Do lado da oposição, a CDU apresenta-se como a única força política que aumentou a sua expressão eleitoral, alcançando 9,6% da votação, subindo também em número de votos, resultado, no entanto, insuficiente para aumentar de 1 para 2 o número de vereadores no Executivo Municipal.
O PS, que de acordo com Miguel Corais seria a única candidatura a disputar a presidência do município, perde cerca de 5 mil votos, o que lhe custou a redução do número de vereadores de 4 para 3.

BE e NC, que queriam alcançar a eleição de um vereador, falharam o objectivo e ficam de fora do Executivo Municipal.
Das eleições resultou, como está bom de ver, um reforço de posições à direita, o que, à primeira vista, pode ser lido como a aprovação da governação de Ricardo Rio no seu primeiro mandato. Mas será que é mesmo isso que os resultados representam? Não creio. Não me parece que seja assim tão simples.

Penso, por isso, que várias outras leituras podem ser tomadas. Desde logo, colocando todas as peças em cima da mesa.
Não está certo, não é justo que apenas as candidaturas do partidos do arco do poder tenham direito a acompanhamento televisivo. Não há imparcialidade e pluralismo quando alguns jornais e rádios nacionais cobrem apenas a campanha dessas mesmas candidaturas.

É grave e ilegal quando essas candidaturas usam as sedes da Juntas de Freguesias como sedes de campanha e armazém de brindes.
É grave e ilegal o uso indevido de meios técnicos, logísticos e humanos que são do município ou das freguesias, colocando-os ao serviço das campanhas.

Some-se a pressão social, o preconceito e os boatos espalhados de adro em adro, as vitórias incontornáveis anunciadas pelas sondagens, e talvez seja mais fácil perceber como se constrói uma grande vitória eleitoral.
Não terão sido estes os únicos factores a influenciar sobremaneira os resultados eleitorais, mas que são parte integrante um conjunto determinante, disso não tenho dúvidas.

Um outro aspecto que não deve ser ignorado, e sobre o qual devia haver uma profunda reflexão, é a taxa de abstenção, que aumentou para 42,4%, o que significa que em Braga cerca de 70 mil cidadãos eleitores não foram votar. As causas e motivações desta decisão podem ser muitas, mas é inquestionável que, pelo que se ouve, a desilusão e a falta de credibilidade da política são as maiores responsáveis. E isso não acontece por acaso. É resultado também de outros factores, eles próprios geradores da distorção dos resultados, como por exemplo a tendência crescente para fazer dos períodos eleitorais um permanente espectáculo onde há de tudo, menos ideias.

Esferográficas, bolas, baralhos de cartas, sacos de compras, porco no espeto, cerveja, favores, empregos e outros “jeitinhos”, tudo à discrição do freguês até ao dia do juízo final. Vale tudo. O que conta mesmo, a qualquer preço, é o voto lá no quadradinho. E que a festa continue. Afinal, é disso que o povo gosta, não é?

vote este artigo

 

Comente este artigo

Faça login ou registe-se gratuitamente para poder comentar este artigo.

comentários

Não existem comentários para este artigo.

Últimos artigos desta categoria - Ideias Políticas

Tempo

Classificados

Edição Impressa (CM)

Edição Impressa (MF)

Newsletter

subscrição de newsletter

mapa do site

2008 © todos os direitos reservados ARCADA NOVA - comunicação, marketing e publicidade, S.A. | concept by: Cápsula - soluções multimédia