Estados de choque!!!

Ideias

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Artur Coimbra

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1. As eleições autárquicas do passado dia 1 de Outubro, ficaram fortemente marcadas, do ponto de vista partidário, em sentido positivo e negativo. E foram objecto, como era de esperar, das mais díspares reacções e consequências.
No lado positivo, temos a vitória esmagadora do Partido Socialista, que levou o seu líder António Costa a proclamar uma das maiores vitórias eleitorais de sempre do PS, ao nível das eleições locais. Mais câmaras, mais votos, mais mandatos, mais freguesias. Mais tudo do que há 4 anos, e aí já o resultado tinha sido excelente, dando para comandar a Associação Nacional de Municípios Portugueses e a Associação Nacional de Freguesias.
O PS chegou às 160 presidências de Câmara, mais 10 do que em 2013 e nove delas retiradas ao PCP (Almada, Beja e Castro Verde, por exemplo, eram bastiões comunistas desde as primeiras eleições locais…).
Há quem sustente que tal facto pode vir a abalar as relações dentro do entendimento de esquerda, mas tal está por provar. Uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa… Ou esperemos que seja.
Do lado dos vencedores, de relevar ainda Fernando Medina, legitimado nas urnas em Lisboa, embora ficasse às portas da maioria absoluta, podendo vir a ganhar forma uma “geringonça municipal”, digamos assim; Assunção Cristas, que duplicou a votação do CDS em Lisboa, ganhou mais uma câmara  e acabou por “matar o pai”, Paulo Portas, porque conseguiu mais e melhor que ele, fugindo ao seu fantasma; Rui Moreira que cilindrou a concorrência no Porto, contra tudo e contra todos; e até Isaltino Morais, que (lamentavelmente) regressou a Oeiras, depois de ter estado preso, acabando por varrer os partidos concorrentes. Dir-se-ia uma nódoa na democracia, mas que a democracia permite, e não deveria fazê-lo…Se para um emprego público de varredor temos de apresentar registo criminal imaculado, porque é que um candidato a Presidente de Câmara, com cadastro por corrupção e que esteve detido, pode apresentar-se a sufrágio? Francamente não se entende…
Em estado de choque, negativamente, ficou o PSD e em especial o seu líder, Passos Coelho, com uns míseros 28% de votação. Que perdeu o Porto e Lisboa por números avassaladores (ficou em terceiro lugar em ambos os casos).
Foi uma derrota estrondosa, uma hecatombe do PSD, talvez a pior de sempre, tida como provável mas que superou as piores expectativas.
Passos Coelho que não abandonou nestes anos o seu estilo ressabiado e que não conseguiu actualizar-se e ler os “sinais dos tempos”. Todos já haviam virado a página, menos ele, que se mantém arreigado a fantasmas e a “demónios” que nunca mais chegam!...
É claro que tal atitude de negação da realidade só podia resultar no seu fim político. Não admira que o ciclo político de Passos à frente do PSD tenha chegado ao fim. E vai chegar porque, na terça-feira, depois de muita reflexão e de teimosamente ter concluído que não tinha futuro no partido e no país, anunciou que não será candidato em próximas eleições para a liderança do seu partido. Um partido que há muito abandonou a sua matriz social-democrata, matou Sá Carneiro e as suas ideias de tolerância, de democracia, de centro-esquerda. Passos Coelho foi o principal coveiro desse ciclo.
Eis que chegou finalmente à conclusão que o seu ciclo na vida política do país acabou. Bem mais cedo, com mais inteligência, o tinha percebido Paulo Portas, quando, inventada a “geringonça”, rapidamente concluiu que o seu tempo político se esgotara. E assim partiu para outra…
Pelo contrário, Passos Coelho andou a arrastar-se durante dois anos, a desmentir a realidade, agarrado a um cenário que foi ultrapassado com a governação de António Costa, ressabiado até à alma, e até ao fim. Ele que se tinha gabado durante anos de 'ter ido além da troika', como se isso fosse um troféu de caça e não um labéu mortífero, que finalmente se concretizou nos resultados eleitorais.
Um homem que parou no tempo, à espera que o comboio que já passou o viesse buscar e lhe desse razão.
Não veio. Veio o diabo, com que ele tanto ameaçava permanentemente o governo do PS.
Veio no domingo, 1 de Outubro, Dia Mundial da Música, o diabo da hecatombe, da derrota colossal nas eleições autárquicas. E que tudo levou!... O passado, negregado; o futuro, inexistente.
Passos passou à pequena história de um dos períodos mais negros da História recente deste país… Adiante.
Em conclusão, estas eleições vieram confirmar António Costa e o Partido Socialista como os dominadores políticos do momento, com o país em alta de confiança, os indicadores favoráveis, os portugueses a recuperarem a alma perdida nos anos do inenarrável e defunto passismo!... Os resultados desse período de extermínio moral e económico foram dados no primeiro dia deste mês, em eleições locais que tiveram a maior repercussão nacional!...
Costa estará porventura mais perto da maioria absoluta, e certamente de não vir a precisar dos partidos da chamada “geringonça” que vão tornar seguramente mais instável a governação socialista destes dois anos que faltam até 2019!...
O PCP está ainda a curar as mágoas da perda substancial do seu território autárquico (é o segundo grande perdedor das autárquicas), levando Jerónimo a endurecer o discurso ideológico. O Bloco continua à procura de si próprio, que autarquicamente não tem expressão!...

2. No domingo, 1 de Outubro, outro choque brutal foi a onda de violência policial na Catalunha, exercida voluntariamente pelo Estado espanhol, na mira de obstar à realização de um referendo independentista, que obviamente não é do seu agrado, do ponto de vista político e sobretudo económico.
Violência brutal e gratuita sobre homens e mulheres desarmados, que actuavam pacificamente.Um uso excessivo e desproporcional da força, como acusa a Amnistia Internacional.
Um dia que seguramente envergonhou a Espanha, ou a parte dela que tem sentimentos e que ama a democracia e a ordem.
Seguramente, tais episódios lamentáveis vão deixar feridas e marcas.
Como referia um jornalista espanhol, “nem os amigos europeus do primeiro-ministro Mariano Rajoy compreendem o que levou o líder do Governo a autorizar cargas policiais violentas sobre catalães que pretendiam votar num referendo declarado inconstitucional sobre a independência da região. Ainda que tivesse razão (o referendo não foi feito em condições normais), Rajoy contribuiu com algumas imagens que vão fortalecer a causa da independência”.
Toda a violência é censurável, e mais ainda contra cidadãos indefesos e desarmados.
A violência oficial acaba por virar-se contra quem a defende e quem a pratica.
A Catalunha está a tornar-se num imenso problema para a Espanha, primeiramente, mas também para a União Europeia e para Portugal! As consequências do independentismo serão incalculáveis e porventura perigosas!

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