César - o Imperador

Ideias

autor

Borges de Pinho

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Não nos estamos a referir a Roma, nem a Júlio César, um imperador que se projectou no período da dominação romana, nem muito menos nos debruçamos sobre outros imperadores que prencheram todo um longo e fascinante período da história e do mundo e com reais e incontornáveis reflexos na vida, pensar e acção dos povos, mormente no domínio das armas, costumes, usos, língua e cultura.

Muito contribuindo, diga-se, com o seu domínio e expansão, e num quadro ordem e poder, para o surgir de um marco histórico no desenvolvimento e evolução do mundo, deixando marcas e sinais da sua presença no desenrolar e estender de todo um império poderoso. Sinais e marcas que se perpetuaram em pedra, em monumentos e em algumas ruínas que o tempo vem conservando, e ainda em línguas, idiomas e culturas que não escondem a sua origem romãnica e os efeitos da importante influência cultural de Roma e seus imperadores pelo mundo inteiro.

Como em Yorq, uma cidade do universo territorial inglês, onde ainda são visíveis sinais de sua passagem, como uma estátua a Constantino, uma coluna romana, etc. etc, ainda que tal época histórica de domínio de Roma seja também recordada por abusos, atropelos, vilezas, malfeitorias, loucuras e crimes que sinalizaram um tempo.

Como os crimes e o hediondo de um Nero tão execrável, louco, poeta, incendiário e perturbador que há quem ainda hoje se entretenha a pôr esse nome a cães e a usá-lo em cruzadismo como símbolo e sinal de hediondez e de pessoa execráveil e vil. Mas há também quem, com incompreensíveis e alapados desejos de grandeza e poder, aponham ao primeiro nome dos filhos o de César, augurando-lhes maiores benesses e projectando-os como um ‘imperador”, quaisquer que sejam os meios e motivos.

Mas importa deixarmo-nos de divagações e debruçarmo-nos apenas numa figura actual, César de seu nome e também ‘imperador” pelos seus actos e nepotismo que deixa extravasar, e cuja posição no PS, como seu Presidente e ainda como líder do seu grupo parlamentar, deixa muito a desejar. Desconhecendo-se as razões concretas que levaram a associar ao nome Carlos o cognome de César, a verdade é que tal figura açoriana se destaca e se projecta no ‘império” de Costa, o socialista a quem oportunisticamente se ‘encostou” e apoiou após ter emigrado dos Açores para o Continente, como eles tão bem sabem dizer, e no seguimento de um longo e alargado ‘reinado”e domínio nas Ilhas. Onde aliás imperou! ...

Claro que ao referirmo-nos a Carlos César não queremos de modo nenhum revolver a história nem reviver passados de séculos e vidas dos imperadores romanos, mas tão só falarmos deste ‘mortal” César, hoje na ribalta, cujos actos perturbam e chocam fazendo dele o ‘César do nosso descontentamento”. Aliás, um ‘imperador” e ‘presidente” que não é romano nem nada que se assemelhe, sendo tão só açoriano, o que até nem será defeito de maior.

Apesar, diga-se, de todo um natural e indisfarçável sentido e posição de isolamento e afastamento em relação ao nacional e ao mundo que as ilhas em si mesmas provocam nos seus naturais, moldando-lhes vivências, sentimentos e até comportamentos, com os seus efeitos perversos, como aliás tivemos oportunidade de constatar e sentir nos anos 70, quando fomos deslocados para a ilha das Flores. Primeiro no luxuoso e moderno ‘Funchal”, e depois, aos baldões, no ‘Ponta Delgada”, uma imitação minimalista do primeiro, que nos levou de S. Miguel até Lajes das Flores, com uma paragem no porto da Horta e ‘apeadeiros” ou ‘aguadeiros” nas ilhas da Graciosa, S. Jorge e Corvo. Ficava-se ao largo, longe da costa, com a ‘descarga” de pessoas e mercadorias a ser feita para pequenos barcos de boca aberta surgidos para o efeito, cada um carregando e ‘marcando”a história, a vida e o pensar de um povo.

E se nos ficou na memória a passagem dos burros da Graciosa amarrados a guindastes por fortes cilhas, esperneando e sobrevoando o mar, e ainda a imagem de um alto clérigo em S. Jorge a descer a escada de portaló, já noite cerrada, e a passar para um balouçante barquito apenas apoiado num latagão de cor, também não esquecemos o ruído das malas e caixotes a rolar no tombadilho com os sacões de um mar de Fevereiro, naturalmente revolto. Mas é com saudade, diga-se, que tudo isto se recorda porque também são muitas as saudades dos açorianos com quem então convivemos que, apesar das suas deficientes, difíceis e precárias condições de vida e as limitações e efeitos perversos do isolamento, sempre se mostraram simples, leais, sérios, disponíveis e amigos, mesmo do ‘continental” intruso que fora lá ‘depositado”.

Claro que isto foi nos anos 70, e muita água passou sob as pontes e muito enxurro correu pelas ribeiras, tendo depois vindo o 25 de Abril, a política, o Bosco do Amaral, as questões de governo e autonomia, os jogos partidários, as eleições e... Carlos César, que, pé ante pé, e com mais ou menos arte e engenho, o que não se questiona, chega a deputado, presidente do Governo Regional, Presidente do PS e porta-voz do grupo parlamentar. E a ‘imperador”, naturalmente...

Ganhando visibilidade e poder, sem nunca conseguir disfarçar todo um trauliteirismo verbal e arrogante que a própria natureza alimenta e cultiva, passou a co-imperar com Costa, em quem apostou, habilmente se encostou e vem apoiando, ‘vivenciando” cargos, respirando ‘vaidade” mas ‘mostrando” em toda a sua ‘nudez” as qualidades, os defeitos, os destemperos e até o cinismo de quem tem o poder. Tudo numa posição e prática socialista de convivência e em conveniência e oportunismo com os colegas da geringonça. Tudo estaria certo, e nada haveria a comentar, se não tivesse vindo ao conhecimento dos portugueses, continentais e das ilhas, que o nosso César, como um ‘imperador” poderoso, afinal é um defensor acérrimo do nepotismo e muito preocupado e ligado à família. Na verdade ‘o número de familiares que desempenham cargos políticos ou públicos em instituições lideradas pelos socialistas (...) agora já são seis” (JN, 14.6.17).

Particularizando-se, dir-se-á que há dias ‘juntou mais um membro aos cargos ganhos sem concurso: a sobrinha Inês (...) foi contratada pela Gebalis, empresa municipal da Câmara de Lisboa, para ser técnica especializada em estudos e planeamento”, a sua mulher, Luísa César, já ‘esteve num emprego de nomeação política” pois que ‘mesmo depois de aposentada e sem qualquer concurso público, foi coordenadora dos Palácios da Presidência”, ‘o filho de ambos, Francisco César é deputado regional nos Açores, eleito pelo PS”, ‘a nora Rafaela (...) foi contratada para chefe de gabinete da secretária regional adjunta da presidência para os Assuntos Parlamentares”, ‘o irmão Horácio César, pai da Inês, antigo jornalista, depois de reformado, foi contratado para assessorar João Soares na sua passagem relâmpago pelo ministério da Cultura”, e ‘a cunhada Patrocínia César, mãe de inês, é há vários anos assessora do Grupo Parlamentar do PS” (id). Um cesarismo nepotista e dominador chegou ao poder, mesmo sem ‘promessas” ao Senhor Santo Cristo, e os açorianos já não terão que ir para os E.U. ou Canadá. E qual será o destino dos demais ‘membros” domésticos da família, eventualmente cães, canários, papagaios, etc.? Os gatos’açorianos”, diga-se, ainda poderiam ser bem úteis no parlamento para acabar com os ‘ratos” continentais...


PS: O tempo não muda a história nem as realidades.

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