Os laços emocionais e funcionais com as bibliotecas

Voz às Bibliotecas

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Aida Alves

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Uma casa deve ser um espaço onde, por definição, nos sentimos bem. Onde identificamos áreas, objetos, pessoas e animais com os quais interagimos e dos quais nos apropriamos, em termos afetivos. Ligamo-nos a ela por laços emocionais, funcionais e utilitários. Habitualmente, numa casa, há uma interação afetiva entre pessoas que nos transmitiem valores, conhecimentos e memórias. Por norma, onde existe esta forte interação afetiva, a casa chama-se também “lar”. O lar assume a forma de um lugar, que extravasa o plano físico, e nos transporta para uma dimensão espiritual, emocional e humana que o transcende.

Em setembro, após as merecidas férias de verão para descanso, onde nos alienamos do quotidiano, assistimos ao regresso à vida da escola e do trabalho para muitos de nós. Voltamos, também, às nossas “segundas casas”. No processo do retomar algumas rotinas, há também uma necessidade de inovar, e fazer algo diferente que nos motive internamente. Na prática, há uma necessidade de recomeçar. Lêem-se catálogos de novas coleções para a casa, de moda outono/inverno, fazem-se listas e projetos de remodelação de espaços, planeiam-se os tempos de lazer e os hobbies fora de contexto laboral, as idas ao ginásio, as horas de exercício físico, aulas de teatro, dança e música.

Num contexto mais profissional ou escolar, providenciam-se as listas de manuais escolares, compram-se os materiais para a escola, validam-se efaturas, projetam-se os meses de outono, novembro e o dezembro, com a aproximação das festas de Natal, entre outras atividades e projetos pessoais e institucionais. Por vezes, findo o setembro, já se assenta em nós um certo cansaço, físico e psicológico, inerente a todos os recomeços e processos de inovação.

Há, nesta fase, necessidade de reatarmos ou reavivarmos alguns laços funcionais e emotivos, dentro e fora de casa. Procuramos também contextos de aprendizagem, de reflexão, de recreação. Neste reavivar de laços, há um espaço na cidade que, para além de toda a oferta existente em equipamentos culturais vários, pode ser uma espécie de segunda casa fora do seu lar. Refiro-me à biblioteca pública mais próxima de si onde se pode sentir confortável e apoiado. Pode criar simbiose e troca de valor entre a sua biblioteca particular e a biblioteca pública. Pode trocar experiências e saberes com demais pessoas. Pode socializar, divertir-se, e aprender, num contexto informal.

Nas bibliotecas existe uma aprendizagem social informal que é mediada por agentes culturais, que promovem as dimensões educativas, formativas, humanas e sociais, com a experimentação de práticas pedagógicas e recreativas.
Uma boa parte dos autores defende que o afeto é importante na atividade de ensinar e aprender, entendendo que as relações, entre ensino e aprendizagem são movidas pelo desejo e pela paixão, e que, portanto, é possível identificar e prever condições afetivas favoráveis que facilitam a aprendizagem.

Nesta perspectiva, pode prever-se que aprenderemos com muito mais facilidade quando estamos rodeados de afeto e quando há prazer envolvido no processo. Este conforto e satisfação diz respeito à própria matéria em aprendizagem, mas também ao local e circunstâncias em que decorre. Aprendemos melhor quando nos sentimos bem e confortáveis durante o processo de aprendizagem.

É neste contexto que a biblioteca pública mais próxima de si pode ajudá-lo, ao fornecer-lhe diferentes e múltiplos espaços com dimensões sociais e educativas, onde pode interagir favoravelmente com os livros, os CD de música, DVD filme, e as atividades, de forma confortável e agradável.
Estando na sua biblioteca pública mais próxima, sinta-se um pouco em casa.
Nela cresça, ajudando-a a crescer consigo, desenvolvendo laços emocionais e funcionais, de forma recíproca e construtiva.

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