A beleza da finlandesa

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David Lima

Braga, centro da cidade, numa esplanada ao pé da Arcada. O Luís, de Freiriz, bebendo uma limonada, e o Diogo Leiras, que é de Felgueiras mas mora na Quinta da Armada, à espera da namorada.
- Sabias que no dia dezoito tenho que ir a Felgueiras? Por falar nisso, que dia é hoje?
- Dezoito do oito.
- Então Felgueiras lá se foi… E que horas são?
- São… precisamente dezoito e oito.
- Ena, pá! É tudo dezoito e oito?
- Realmente… Que estranho… É cada “incidência”! Queres saber quanto paguei pelas sapatilhas do Ivo? Exatamente dezoito e oito! Bem, dezoito e oito por causa do IVA.
- Mas, afinal, foi por causa do Ivo ou da Iva?
- Por falar na Iva, olha ali, que diva! Olha, aprecia! Que mulher, que deslumbrante beleza! Deve ser finlandesa…
- Filão de quê?
- Aposto que não sabes qual é a capital da Finlândia. Sabes?
- Hum…
- Helsínquia!
- El Sinque? Parece espanhol… ou mexicano… Assim a modos de El Chapo!
- Poi só te digo, as mulheres que saem nas capas das revistas nem lhe chegam aos calcanhares…
- Qual canhares, qual quê! Não lhe chegam a canhares nenhuns. É que nem a canhares de cima, nem a canhares de baixo, nem a canhares daquilo…
- De Aquiles, queres dizer… Diz-se calcanhar de Aquiles… Mas que mulheraça! Bem que podia ser miss Finlândia. Mas pode ser que por lá não façam concursos de misses…
- Eu já ouvi dizer que não. Nem de misses nem de mísseis. Se houvesse concurso de mísseis, até eu podia concorrer…
- Por outro lado, vê lá tu, fazem concursos de ursos!
- Ai que camelos!
- Camelos, não, na Finlândia não há camelos, isso é lá nas Arábias… É mesmo concursos de ursos… Mas aquilo deve ser como no ciclismo, acho que agora a volta à Finlândia já não se disputa.
- Eu acho bem… que já não se diga.
- Mas que mulher, que deusa! Eu olho para ela e lembro-me daquele belo poema “Seus lânguidos cabelos sensuais são mais que apelos de ardoroso amor…”
- E aquelas curvas, já reparaste bem?! São demais!
- Deixa-te de lascívia, mente perversa!
- Deixo a lixívia e meto conversa? Eu acho que vou mesmo ver se entro à fala com ela… Só é pena eu não arranhar inglês. Ora diz-ma aí: como é que se diz “gosto de ti”? Como é que se diz “tirar fotografia”?
- Take a photo. I love you.
- Oh, afinal é facílimo: gosto de ti é “tem ca foto”. E depois, ai lábio! Vou lá e digo isso. E é já!
Pois, dito e feito. Coragem, um sorriso estudado, aí vai ele.
- Há-lou! Finland? El Sinque? Ai lábio! Meu Deus, tanto baton no lábio! Tem ca foto?
- Olá, bem parecido! Sê bem aparecido! Queres tirar uma foto?
- Eh… bem… sim… Lá na Finlândia estuda-se português nas escolas, é?
- Ai isso eu não sei. Eu estudei até ao nono ano em Felgueiras. Acho que aquele teu amigo era da minha turma, o número dezoito da turma oito. Já agora, como te chamas?
- Luís. E tu?
- Flávia. Bem, só sou Flávia desde os dezoito anos e oito meses… Dantes chamava-me Flávio.
- Ah! Pois… percebo… Puxa! Então xau-xau, adeus e bái-bái.

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