Qualificação dos portugueses: o peso dos números

Voz às Escolas

autor

Manuel Vitorino

contactarnum. de artigos 14

Um breve relance pela base de dados - Pordata, mostra-nos que, em Portugal, entre 1960 e 2011, a população residente com 15 e mais anos, com ensino superior completo, aumentou 25 vezes, passando de 49.065 para 1.244.742 indivíduos. Foi um passo importante, ainda assim, representava em 2011, apenas 11,79% da população do país.
Outra mudança significativa operada, nesse período, foi o número indivíduos do sexo feminino, que passou de 10.720 para 754.337 indivíduos.

O número de diplomados no ensino superior, em 2011 foi de 87.129 indivíduos e de 74.757. em 2015, altura em que as mulheres já representavam 59 por cento dos diplomados no ensino superior.
Subjacente a esta tendência está o aumento do número de anos da escolaridade obrigatória, e em particular, a conclusão do ensino secundário, que passou de 8.360 pessoas em 1961; para 377.981 pessoas em 2015, tendo registado um máximo de 312.497 indivíduos, em 2009.
Paralelamente, a percentagem de homens ou mulheres, entre os 18 e os 24 anos, que deixou e estudar sem completar o secundário, registou um decréscimo significativo: de 50 por cento, em 1992, passou para 13,7 por cento, em 2016, valor ainda elevado face ao investimento feito e aos desafios que se colocam ao país.

O mesmo aconteceu com a taxa de analfabetismo: em 1970, era de 25,7por cento; em 2011 desceu para os 5,2 por cento.
As mudanças societais e o processo de desenvolvimento do país e das suas regiões, entre outros factores, contribuíram para elevar os níveis de qualificação da população e reduzir o abandono e insucesso escolares.

Se continuarmos a deixar falar os números, numa breve comparação entre Portugal e a média dos 28 países da União Europeia, em 2015, verificamos o seguinte:
• Taxa de abandono precoce - 13,7% vs. 11,0%
• População com o ensino secundário ou mais - 45,1% vs. 76,5%
• Trabalhadores por conta própria sem o ensino secundário - 61,1% vs. 21,1%
• Trabalhadores por conta outrem sem o ensino secundário - 45,5% vs. 17%
• Taxa de desemprego -12,6% vs. 9,4%
• Taxa de desemprego da população com ensino superior - 9,3% vs. 5,6%

No essencial, um olhar crítico sobre estas estatísticas, vai de encontro às finalidades do eixo “Qualificar os Portugueses”, do Programa Nacional de Reformas, apresentado pelo Governo, em 2016. Pretende-se que: i) 50% da população ativa conclua o ensino secundário; ii) atingir a meta de 50% de alunos de nível secundário em percursos profissionais de dupla certificação (vulgo cursos profissionais); iii) assegurar que, até 2020, 40% dos adultos entre os 30 e os 34 anos detenham um diploma de ensino superior.

O Plano Nacional de Promoção do Sucesso escolar e o relançar a educação e formação de adultos, estão entre as prioridades para melhorar a qualificação dos portugueses. Importa referir que os adultos em Atividades de Aprendizagem ao Longo da Vida ronda apenas os 9%, e as metas apontam para 15% até 2020 e 25% em 2025.

Há todo um trabalho a fazer:
i) valorização do ensino profissional, combatendo dessa forma o estereotipo social que o apresenta como um segunda escolha, quando as estatísticas mostram que os alunos que concluem esta via de ensino apresentam uma taxa de empregabilidade 25% superior aos demais alunos;
ii) Promoção da formação da adultos, de forma flexibilizada, personalizada, tendo em conta os percursos de vida profissional de cada um, integrando as aprendizagens formais e não formais nos processos de formação e de certificação escolar e profissional;
iii) Alocação de recursos, nomeadamente, aos serviços de psicologia e orientação vocacional, com a orientação a realizar, mais precocemente;
iv) Funcionamento de equipas multidisciplinares - psicólogos, assistentes sociais, mediadores, técnicos de saúde -, que promovam o interface entre a escola e as realidades sociais e familiares, contribuindo para uma co-responsabilização efectiva das famílias e das instituições sociais, que contribua para diminuir o abandono e insucesso escolares a níveis residuais;
v) Ajustamento dos programas e referenciais de formação, adequando-os à realidade atual da escolaridade obrigatória de 12 anos, eliminando a função selectiva ainda reinante, que utiliza o ensino secundário como filtro para acesso ao ensino superior.

A partir daqui, com o aumento da qualificação da população em toda a cadeia de valor - ensino básico- ensino secundário- ensino superior -, podemos falar com mais propriedade de outras coisas, como produtividade, convergência com outros países da União Europeia, atractividade para o investimento, melhoria da empregabilidade e do modelo de desenvolvimento do país.

vote este artigo

 

Comente este artigo

Faça login ou registe-se gratuitamente para poder comentar este artigo.

comentários

Não existem comentários para este artigo.

Últimos artigos desta categoria - Voz às Escolas

Tempo

Classificados

Edição Impressa (CM)

Edição Impressa (MF)

Newsletter

subscrição de newsletter

mapa do site

2008 © todos os direitos reservados ARCADA NOVA - comunicação, marketing e publicidade, S.A. | concept by: Cápsula - soluções multimédia