Altos Voos

Ideias Políticas

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Hugo Soares

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Com António Costa, não são apenas as vacas que voam. Os melhores amigos do primeiro-ministro também voam. Diogo Lacerda Machado, o melhor dos melhores amigos, acaba de voar para a administração da TAP. Nada mau.
Para quem não se recorda, Lacerda Machado é o grande amigo de António Costa que surgiu providencialmente para dar uma mãozinha ao governo em vários dossiês complexos: o da reversão da privatização da TAP, o dos lesados do BES, o dos lesados do Banif, o do diferendo BPI/Isabel dos Santos e até, segundo noticiado na altura, o do dossiê do crédito malparado, quando o governo ainda dizia que a solução passava pela criação de um banco mau...

Mas adiante. Quando este amigo apareceu em cena, o primeiro-ministro explicou, com a ligeireza que o carateriza, que se tratava de uma participação informal e até gratuita, em nome da amizade que os unia. O facto de alguém negociar em nome do Estado português sem qualquer vínculo formal só poderia parecer perfeitamente normal e aceitável a um primeiro-ministro deste jaez. Só depois de muitos protestos, lá veio um contrato de prestação de serviços, a preço de amigo (2000 euros mensais), que tem sido renovado até hoje. Agora, com esta nomeação para a administração da TAP, é no mínimo legítimo pensar que há aqui uma espécie de acerto de contas. É o preço da amizade.

O agora administrador da transportadora aérea (cuja experiência no ramo passa por ter sido administrador da Geocapital, a empresa que provocou um enorme buraco financeiro na companhia na década passada) negociou a reversão do processo de venda de 61% da TAP ao consórcio Gateway. O resultado dessa negociação foi uma divisão 50%-50%, o que não só não devolveu o controlo maioritário da companhia aérea ao Estado, como a esquerda tanto exigia, como encerra um perigosíssimo potencial de bloqueio, caso os acionistas se desentendam.

Mas há um pormenor relevante: neste negócio, ficou para o Estado a nomeação do chairman da empresa e de um naipe de administradores. Quem diria!? Mas o que esta notável coincidência revela é mesmo o mais inquietador: para o PS, só interessa que o Estado esteja nas empresas e nas instituições porque isso significa a possibilidade de lá colocar os seus amigos de todas as ocasiões. Controlar o aparelho é controlar o poder.

E vice-versa. Se uma empresa faz mais e melhor, por ela própria e pelo País, sendo privada em vez de pública, isso não interessa nada.
Uma palavra final para a candura de Catarina Martins e dos comunistas na reação a este caso (e ao dos offshores, e a todos os outros). A esquerda voa agora baixinho na contestação. Converteu-se ao “low cost” político, porque na verdade custa muito pouco fazer política assim: mandar umas bocas, encenar uns remoques, mas no fim do dia fazer o que o governo quer e manda.

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