Braga merece mais e melhor

Ideias Políticas

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Pedro Sousa

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Faltam cerca de quatro meses para as eleições autárquicas de 1 de Outubro. É, por isso, tempo de fazer balanços, de avaliar Ricardo Rio e o seu executivo que, em 2013, ganharam o direito de governar dos destinos do município.
Convém lembrar que Ricardo Rio ganhou esse direito assumindo-se, ao longo de cerca de dez anos, como alguém muito crítico da gestão anterior, criticando, muitas vezes sem sustentação e até de forma arbitrária, todas as áreas da governação.

De entre muitas outras coisas, todos nos lembramos de o ouvir recorrentemente, de forma vincada e muito viva, atacar um conjunto de escolhas relativamente à política urbanística da Câmara Municipal e de repetir até à exaustão a necessidade de afirmar um novo modelo de cidade, um novo contexto de desenvolvimento; ouvimo-lo e vimo-lo, também, assumir o papel de paladino da defesa das Sete Fontes, ao mesmo tempo que afirmava com segurança que, caso fosse eleito, resolveria de uma penada a questão dos parquímetros; na oposição, votou favoravelmente a aquisição e requalificação do edifício da Fábrica Confiança que dizia ser um edifício de enorme importância na preservação do património industrial e da memória colectiva do nosso Concelho, ao mesmo tempo que agitava a bandeira, não raras vezes populista, da suposta falta de transparência da gestão municipal.

Olhando, agora, a estes exemplos (e apenas a estes, para começar) podemos dizer que em relação à política urbanística o ainda curto legado de Ricardo Rio e seus pares é terrível, marcado por inúmeras trapalhadas, por decisões duvidosas, num registo opaco, obscuro e sombrio, nada compaginável com o discurso fresco, arejado e regenerador que, enquanto líder da oposição, repetiu insistentemente e durante vários anos.

Ao nível da tramitação administrativa, os casos da Quinta das Portas, em Maximinos, do Leroy Merlin, em Lamaçães e do Continente, na Rua 25 de Abril, ficaram marcados por inúmeras e insanáveis confusões, por pareceres técnicos desautorizados por decisões políticas, por decisões nada amigas da transparência, numa lógica trapalhona, confusa e nebulosa que em nada abonou a favor da credibilidade do Executivo Municipal e das obrigações de serviço público a que este está, por lei, obrigado a perseguir.

De entre outras e estritamente do ponto de vista da opção política, a decisão de instalar um “pavilhão de lata” (a expressão é do Pedro Morgado) em plena 25 de Abril, em pleno coração da cidade, é um erro histórico e grosseiro. Mais grave, porque durante mais de uma década, Ricardo Rio, na qualidade de líder da oposição, criticou dura e repetidamente, algumas vezes com razão, as opções do Partido Socialista no que ao Urbanismo e ao desenho da cidade diz respeito, falando, repetidamente, da necessidade de um novo modelo, de uma nova identidade urbanística, de decisões mais sensatas, mais centradas nos cidadãos e na sua qualidade de vida.

É, por isso, estranho (ou talvez não) que em pleno século XXI, num tempo em que as tendências das capitais europeias visam, no plano urbano, afirmar-se através de intervenções que proporcionem cada vez mais qualidade de vida para os seus habitantes e que sejam, ao mesmo tempo, capazes de captar novas receitas provenientes do turismo, de afirmar a sua identidade e de reforçar o sentimento de pertença e de ligação com a história e com o património, Braga assista a uma decisão desta natureza que é, a todos os títulos, incongruente, inconsequente e injustificável.

Afirmar um novo paradigma urbanístico e de desenvolvimento, obriga a que as intervenções desta natureza privilegiem a vivência humana e, de igual modo, a dimensão ecológica e de sustentabilidade, vectores centrais na construção actual das cidades.
Intervir urbanisticamente numa zona nevrálgica da cidade, principalmente numa das áreas mais cuidadas e com mais feliz desenho urbano do nosso Concelho, num dos quarteirões que foi pensado, projectado e executado à escala humana, de forma harmoniosa, proporcionando qualidade e ordem à vida urbana, para destruir um espaço verde e implantar um verdadeiro “mamarracho”, com as implicações que isso terá em termos da sustentabilidade do pequeno comércio, do aumento do volume de trânsito que será necessário acomodar e, consequentemente, da perda de qualidade de vida daquela zona em particular e de toda a cidade em geral, é uma ideia absolutamente nefasta que, põe a nu a visão pobrezinha e as prioridades, totalmente erradas, que Ricardo Rio e a actual maioria têm para Braga.

Comecei por falar das Sete Fontes, da situação dos parquímetros e da Fábrica Confiança. Aparentemente, e por não as ter voltado a referir, nem, tão pouco, ter concretizado as críticas que pretendia aduzir a esse respeito, pode aparentar que as votei ao esquecimento.
Não, não me esqueci. Na verdade, quem se esqueceu destas e de muitas outras coisas foi Ricardo Rio. As Sete Fontes permanecem, empoeiradas, na última gaveta do esquecimento, a situação dos parquímetros está longe de estar resolvida e a Confiança deixou de ser estratégica para, provavelmente, ser alienada pelo Município.
Já dizia Frei Tomás: “Olhem para o que ele diz, não olhem para o que ele faz”. Braga merece mais e melhor e sobre essa Braga que queremos ajudar a construir falarei no próximo artigo.

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