Ensinar a curiosidade e ensinar a refletir: alicerces para uma mudança no processo de ensino

Ensino

autor

Filipe Clemente

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Quanto vale o conhecimento temporário, apropriado especificamente para o teste da unidade curricular X, no mercado de trabalho? Quanto vale a classificação obtida na unidade curricular Y na definição de um bom profissional? Que proporção dos conhecimentos adquiridos no processo educativo são mantidos durante a prática profissional? Todas estas e muitas mais são questões que preocupam quem pretende melhorar o ensino ou refletir sobre a forma de o concretizar.
Albert Einstein, numa das suas muitas atribuídas reflexões sobre o ensino, enaltece que a “educação não é a aprendizagem de factos, mas antes o treino da mente para pensar”. Na verdade, e de forma empírica, assistimos a uma crescente necessidade de alterar o rígido, formatado e tradicional método e estilo de ensino centrado na exposição de conhecimentos por parte do docente e na redutora intervenção e ativação dos estudantes.

Naturalmente que a mudança do paradigma não é fácil e muito menos pacífica. No ensino superior, o formalismo ainda é uma instituição reduzindo as possibilidades de uma mudança substancial na forma de ensinar. No entanto, e em determinadas condições ideais, essa liberdade para romper o paradigma emerge potenciando a experiência de aprendizagem para alunos e para docentes.
A mudança que procuro destacar centra-se na capacidade de o docente, para além de expor os conhecimentos, incentivar os alunos a procurarem-nos de diferentes formas, não incentivando meramente com estímulos verbais, mas com ações concretas e devidamente planeadas.

Atividades de pesquisa, resolução de problemas e de exploração de tópicos de interesse para os estudantes poderão potenciar o comprometimento dos alunos com aprendizagem.
Evidentemente que outros fatores deverão ser considerados para uma readequação do processo de ensino sendo um deles o relacionamento do docente com os estudantes. Como normalmente procuramos concretizar, o respeito ou se impõe ou se conquista, sendo que a segunda opção demora mais tempo, mas poderá ser mais permanente. Não se procura defender um formalismo ou um informalismo excessivo. Algo no meio, na dependência da personalidade do docente e do tipo de estudantes que se possui, poderá ser a solução para, também, manter os estudantes interessados e alertas para as instruções e recomendações providenciadas nas aulas.

Outro dos fatores para uma mudança no processo de ensino será a multidisciplinariedade dos conhecimentos. Evidentemente que a sociedade impõe especificidade de conhecimentos para uma melhor intervenção. No entanto, e muitas vezes se mal direcionada, essa especificidade limita a capacidade de refletir fora do nosso âmbito de intervenção. Porque não pode um profissional do desporto ter co- nhecimentos básicos de programação, de tecnologia aplicada, de osteopatia, de marketing ou de economia? Aprender a pensar ‘fora da caixa’ no desporto carece de conhecimentos periféricos que não se restrinjam à especificidade do processo de treino ou prescrição! A imaginação será certamente mais importante que o conhecimento. E essa imaginação deriva da capacidade de projetar diferentes cenários para a resolução de problemas concretos.

É por estes motivos que o nosso Curso Técnico Superior Profissional em Treino Desportivo (Escola Superior de Desporto e Lazer de Melgaço) se diferencia de um outro qualquer curso. O relacionamento, o processo pedagógico-didático e a multilateralidade de conhecimentos imperam e diferenciam-nos positivamente e de forma reconhecida pelos estudantes. Ensinar e aprender não deve obedecer a padrões rígidos, mas sim corresponder às necessidades contextuais e às exigências futuras da profissão. E no final, revivendo uma vez mais Albert Enstein, “A imaginação é mais importante que o conhecimento. O conhecimento é limitado. A imaginação abrange o mundo”.

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