Comportamento-padrão

Ideias Políticas

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Hugo Soares

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É certo e sabido que quando o Partido Socialista chega ao governo se instala no poder como uma lapa e atua como um polvo. Tem do exercício governativo uma visão de proprietário, de latifundiário mesmo, pois não há nesga de território que não queira ocupar com a sua influência. Para tornar isso possível, estende a sua malha tentacular sobre tudo o que mexe, tentando ocupar de forma extensiva e ostensiva todo o aparelho do Estado. E como se isso não bastasse, recorre sem qualquer tipo de vergonha à falta de transparência, à opacidade e à mistificação para sustentar a sua ação.

Quem se mete com eles, já se sabe, apanha. Tem sido assim, praticamente, desde sempre. Não é por aí, portanto, que há agora novidade com António Costa. O novo, o inusitado, o surpreendente é que, desta vez, este comportamento-padrão dos socialistas no poder é devidamente sancionado e apoiado pelo Bloco de Esquerda e pelo PCP. O silêncio domesticado dos partidos de esquerda perante a arrogância e a sobranceria de Costa e do seu PS é a grande novidade destes novos tempos.

Infelizmente, não é difícil recuperar uma mão cheia de exemplos bem recentes desse modo de atuar tão característico dos socialistas. Como não podia deixar de ser, o maior exemplo vem mesmo de cima, ou seja, do primeiro-ministro. O modo despudorado e, tantas vezes, antidemocrático como António Costa se tenta furtar ao escrutínio e à fiscalização do Parlamento está a transformar-se num triste espetáculo quinzenal. Não há debate em que o primeiro-ministro não se negue a responder às perguntas concretas que lhe são colocadas pelo maior partido da oposição.

Só um anormal funcionamento das instituições justifica que, debate após debate, o País assista impávido e sereno à reiterada ausência de respostas de um primeiro-ministro que, assim, desrespeita acintosamente os representantes do povo. A recusa injustificada - a não ser por motivações políticas - dos nomes propostos para o Conselho de Finanças Públicas ou a forma como impôs os nomes para o Banco de Portugal dizem tudo sobre o modo como o atual governo encara a independência das instituições. Não por acaso, Francisco Louçã - que anda a pedir a cabeça do governador do BdP há vários anos - já veio decretar que “não há nem vai haver um processo de substituição” de Carlos Costa. Leia-se: a coisa está controlada.

O último caso é o do verdadeiro veto político socialista ao nome da social-democrata Teresa Morais para o Conselho de Fiscalização do Sistema de Informações da República Portuguesa, um nome indiscutivelmente qualificado, credível e experiente para o cargo. Perpassa desta recusa um sectarismo tão evidente e tão grosseiro que remete o PS para um radicalismo que não se julgava possível. Espera-se que alguma lucidez venha temperar a inebriante bebedeira de poder que se vive no Largo do Rato.

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