Cidades Inteligentes precisam de cidadãos “inteligentes”

Ideias

autor

Pedro Machado

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Está a decorrer, em Braga, o Fórum das Comunidades Inteligentes e Sustentáveis, sob o tema ‘Fazer Cidade’.
Cada vez mais, é imperativo pensar as nossas comunidades para torna-las mais sustentáveis. Nesse sentido, nos últimos anos as politicas europeias e nacionais têm considerado as Cidades Inteligentes ou Smart Cities como uma prioridade.
Assim, o conceito de smart city é cada vez mais recorrente, quer em estudos académicos, quer nas agendas políticas.
Na génese deste conceito está a cada vez maior consciencialização de que as cidades, apesar de ocuparem cerca de 2% da superfície da Terra, albergam 50% da sua população. Cerca de 60-80% dos consumos de energia e 75% das emissões de carbono têm origem nas cidades, sendo expectável o agravamento destes números, com o crescimento populacional previsto para as próximas décadas.
Há diferentes vertentes numa “cidade inteligente”: competitividade, capital humano, participação cívica, transportes e tecnologias da informação e comunicação, recursos naturais e qualidade de vida. Interessa-me destacar estes últimos.
Para uma sociedade sustentável é necessária a eficiência na utilização dos recursos, proteção do ambiente, equilíbrio dos ecossistemas, gestão da água e dos resíduos, eficiência energética, utilização de energias renováveis, construção sustentável, mobilidade, emissões de gases com efeito de estufa, biodiversidade, entre outros.
O caso da gestão dos resíduos urbanos é transversal, ao abarcar diversos pilares duma cidade inteligente, abarca diferentes fatores de sustentabilidade: gestão de resíduos e proteção do ambiente, eficiência energética e emissão de gases (devido aos processos de recolha e tratamento), até na própria mobilidade (na vertente do processo de recolha dos resíduos, e os constrangimentos no trânsito que por vezes acarreta).
Mas também envolve outros pilares, quer ao nível da qualidade de vida (por via da colocação de contentores e ecopontos, exemplos de equipamento urbano), quer da participação dos cidadãos, aspeto fundamental de qualquer rede de recolha seletiva.
Por tudo isto, a cidade só poderá ser inteligente se os munícipes forem “inteligentes”, ou seja, que adotem comportamentos cívicos no uso que fazem dos meios à sua disposição. Concretamente, uma cidade inteligente tem que ter munícipes que usem e utilizem os ecopontos corretamente, nomeadamente, não colocando resíduos fora dos contentores.
Assim, a estratégia da BRAVAL, enquanto entidade gestora do sistema multimunicipal de resíduos urbanos, com responsabilidades ao nível da implementa- ção e gestão da rede de recolha seletiva, assenta nestes fatores, com o objetivo de tornar a nossa zona de abrangência cada vez mais sustentável.
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