As portas de Braga

Ideias

autor

Joaquim Gomes

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Quem percorre hoje as principais ruas de Braga facilmente irá deparar-se com as portas das casas abertas para receberem o compasso. Trata-se de uma tradição de Páscoa, bem enraizada nesta região, e que os bracarenses mantêm com orgulho.
Braga é, indubitavelmente, conhecida pelas suas portas, não só pelas que se abrem nesta tradição de Páscoa, mas principalmente por todas aquelas que existiram e controlavam a entrada e saída de pessoas e mercadorias na urbe. Além disso, quando algum sinal de alarme ocorria, os habitantes eram avisados imediatamente para recolherem ao interior das muralhas, fechando-se de seguida as portas.
Das portas que, segundo o mapa da cidade de 1594, existiam em Braga, a principal era a ‘Porta Nova’, aberta no início da rua Nova de Sousa e estrategicamente mandada erigir pelo Arcebispo D. Diogo de Sousa, em 1512, tal como consta numa inscrição da época. Com o passar dos anos, esta porta tornou-se estreita e “A sobredita Porta Nova, sendo demolida, se fez de novo no anno de 1778 com majestoso pórtico, a expensas d’el-rei D. José I, em razão de se achar em ruína a antiga Porta Nova, e por parecer acanhada”. (1)
Há referências, contudo, à construção deste “Arco da Porta Nova”, uns anos antes, exatamente entre 1772 e 1773, num projeto de influência de André Soares e de Carlos Amarante.
Tratando-se da cidade dos Arcebispos, a Câmara de Braga ordenou a colocação de umas armas eclesiásticas, nesta ‘Porta Nova’, que ficaram sobrepostas às seculares. Esta foi uma decisão tomada pela estima que o então Arcebispo de Braga, D. Gaspar de Bragança, merecia aos bracarenses!
Na parte superior do ‘Arco da Porta Nova’ foi colocada uma estátua, símbolo da cidade de Braga, que anteriormente tinha figurado nos alpendres da Arcada, sendo de lá retirada aquando da construção da capela de Nossa Senhora da Lapa.
Para além da ‘Porta Nova’, local onde era formalizada a entrega das chaves da cidade aos Arcebispos que aqui chegavam, existia também a ‘Porta de S. Francisco’ cujo nome advém de um nicho com a imagem de S. Francisco que havia no cimo desta porta.
Outra porta existente em Braga era o postigo, ou “Porta de Santo António”, assim denominada porque havia no seu topo uma imagem de Santo António.
A ‘Porta de S. João’, também conhecida por ‘Porta Oriental’ foi sujeita a um melhoramento, que a tornou mais larga, em 1512, por decisão do Arcebispo de Braga, D. Diogo de Sousa. O último arco que conseguiu resistir com o passar dos anos foi derrubado em 1867, por decisão da Câmara de Braga, ano em que era presidida por Joaquim José da Costa Rebelo (Barão de Gramoza).
A ‘Porta do Souto’ ficou a dever o seu nome a um grande souto de castanheiros e carvalhos que havia no local e que por ordem do Arcebispo D. Diogo de Sousa foi cortado, abrindo nesse local a rua Nova (atualmente rua D. Diogo de Sousa) e, ainda, a rua do Souto. Com o passar dos anos, esta ‘Porta do Souto’ foi considerada pequena, contrapondo-se ao crescimento verificado na cidade, e sobretudo pela altura das procissões religiosas em que a grandiosidade dos carros e dos andores a consideravam estreita para a atravessar. Esse foi o motivo que levou o Arcebispo D. Gaspar de Bragança a ordenar o aumento da porta, quer em largura, quer em altura.
Outra das portas de Braga era a ‘Porta de S. Bento’, que fechava a cidade pelo lado do Campo de S. Sebastião. Ficou conhecida por ‘Porta de S. Bento’ por ter no seu topo um nicho com a imagem deste Santo.
No então Campo de S. Tiago estava outra das ‘portas de Braga’, a ‘Porta de S. Tiago’, também conhecida por ‘Porta do Colégio’, por estar muito próxima das instalações do Colégio de S. Paulo. Esta foi mandada construir pelos padres Jesuítas, uma vez que a entrada anterior para o edifício era efetuada pelo arco que então existia e que havia sido, entretanto, fechado.
A ‘Porta da Senhora da Ajuda’, situada em Maximinos, ficou assim conhecida por ter, sobre o seu arco, uma pequena capela onde se encontrava uma imagem de Nossa Senhora da Ajuda.
Pela ‘Porta de S. Sebastião’ descia-se “por entre as casas que eram de António Macedo; d’aqui ía ao monte de Penas, e procurava a ponte de S. João do rio d’Ave, passando primeiro por Esporões e Brito”. (1) Esta era uma importante porta de entrada e saída em Braga, onde também por ela era feito o controlo das pessoas e mercadorias oriundas de Guimarães, de Famalicão e do Porto!
Sendo os bracarenses, por norma, um povo acolhedor, prestável e sempre pronto a ajudar os seus amigos ou vizinhos, algumas destas portas estavam muito tempo abertas, sem necessidade de grande controlo de segurança. É de realçar que na sua porta principal, a “Porta Nova”, nunca chegou a ter colocada efetivamente uma porta, daí a tradição que se conhece dos bracarenses deixarem sempre a ‘Porta Aberta’!

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