Quaresma: tempo para dar sentido à nossa vida!

Escreve quem sabe

autor

Carlos Alberto Pereira

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A quaresma é o tempo propício para olharmos para o nosso percurso de vida e para refletirmos sobre o sentido cristão que lhe demos, mas, sobretudo, para com o aproximar do tempo da celebração do Ressuscitado, pautarmos o sentido da nossa vida com Ele, por Ele e para Ele.
Para me ajudar, recorri à mensagem do Papa Francisco, para este tempo quaresmal que vivemos1. Ao relê-la fiquei agradavelmente surpreendido pela clareza das ideias, pela simplicidade da linguagem e pela força com que nos envolve.

Partindo da conhecida parábola “do homem rico e do pobre Lázaro”, o Papa foca a nossa atenção em três pontos fundamentais:
1. «O outro é um dom»;
2. «O pecado cega-nos» e
3. «A Palavra é um dom».

Em “o outro é um dom” coloca-se a justa relação que temos com as pessoas e que consiste em reconhecer, com gratidão o seu valor. Em olhar para ele com os olhos do coração, aos modos de Saint-Exupéry. Francisco recorda-nos que “a Quaresma é um tempo propício para abrir a porta a cada necessitado e nele reconhecer o rosto de Cristo”.

Em “o pecado cega-nos” o enfoque centra-se na superficialidade do exterior, no possuir, para exibir, em vez de partilhar. Francisco aponta para nos libertarmos, pois, a vida do “rico” está prisioneira da exterioridade, da dimensão superficial e efémera da existência, e todos nos recordamos do final do soneto “Palácio da Ventura” de Antero de Quental:
Abrem-se as portas d’ouro com fragor...
Mas dentro encontro só, cheio de dor,
Silêncio e escuridão - e nada mais!

Finalmente, em “a Palavra é um dom” Francisco relembra-nos a liturgia da imposição das cinzas, no início da Quaresma «lembra-te, homem, que és pó da terra e à terra hás de voltar» e que, dum momento para o outro, os dois personagens (o “rico” e “Lázaro”) descobrem que nós «nada trouxemos ao mundo e nada podemos levar». Concluindo este ponto, o Papa Francisco identifica o verdadeiro problema do “rico” é não dar ouvidos à Palavra de Deus (...) e, consequentemente a desprezar o próximo.
O quarto artigo Lei do Escuta lembra-nos «O Escuta é amigo de todos e irmão de todos os outros Escutas», como ele se enquadra nesta orientação que o Papa quis imprimir ao percurso da Quaresma.

Lobitos, Moços e Exploradores, Marinheiros e Pioneiros e Companheiros e Caminheiros, procuram, na vivência das suas atividades, desenvolver a responsabilidade pelo irmão escuta que o acompanha, mas, também, por aquele outro irmão com quem cruzam, pela primeira vez, um olhar. Ao verem neles a face de Cristo, valorizam muito mais aquilo que os une em detrimento do pouco que os separa, desenvolvendo assim o dom da reciprocidade e crescendo como construtores de paz. Este crescimento, enquanto pessoas, leva-os também a crescerem enquanto Igreja e, com o evoluir dos seus percursos educativos, todos eles, individualmente e em comunidade, caminharão para a felicidade ao identificarem-se, cada vez mais, com o Homem Novo.

Finalmente, dei por mim a olhar, de forma intensa, para nós, os dirigentes, sobrecarregados por tantas e tantas adversidades que os tempos de hoje nos colocam sobre os nossos ombros de educadores católicos. Curiosamente, sinto que “este jugo” é suavizado pela ajuda dos outros irmãos e pelo olhar suave do Redentor. Mas quantas vezes sinto que este olhar, ainda que suave, me perturba profundamente, pois lembra-me que nem sempre ajudei o outro, que nem sempre lhe facilitei a vida, que nem sempre valorizei a sua ação e que por vezes sobrevalorizei as pequenas coisas que nos separam, esquecendo a monumentalidade dos elementos que nos unem.
Regresso ao texto do Papa Francisco para reter o seu desejo final: saibamos abrir as nossas portas ao frágil e ao Pobre. Então poderemos viver e testemunhar em plenitude a alegria da Páscoa.

Finalmente, aproveitar a ocasião para desejar Votos de Santa e Feliz Páscoa aos leitores e colaboradores do Correio do Minho, bem como às suas famílias.

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