Radão: impactos sobre a saúde e como minimizá-los

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Ana Cristina Costa

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Oradão é um gás radioativo que se liberta para a atmosfera através de processos de desintegração do urânio, que tem 16 isótopos, todos radiativos, com tempos de ½ vida curto. O urânio está presente em quase todas as rochas e solos do planeta, variando a sua concentração conforme o tipo de rocha. Assim, está naturalmente presente nos solos, especialmente com maiores concentrações nos solos graníticos. Também se encontra em materiais de construção de granito e nas águas subterrâneas que estejam em contacto com o urânio. As características dos solos: porosidade, permeabilidade e presença de gretas/ falhas, aumenta a difusão e a exalação de radão. As condições meteorológicas: pressão atmosférica; chuva e a neve; velocidade do vento; variação das temperaturas faz variar a libertação de radão.

O radão:
- No ar interior: tende a acumular-se com concentrações superiores às da atmosfera,
- No ar exterior: tende a dispersar, com níveis geralmente baixos,
- Na água: tende a concentrar-se mas liberta-se com o movimento.

As zonas de distúrbio e a permeabilidade do substrato rochoso proporcionam a entrada e circulação do radão para o interior das habitações.
É um gás impercetível aos sentidos humanos, pois é incolor, inodoro e insípido. É ainda solúvel em água e em outros líquidos. Só é possível detetá-lo através de medições realizadas com equipamentos apropriados.

Normalmente o radão não constitui um perigo para a saúde, pois quando se liberta do solo e se mistura na atmosfera, não atinge elevadas concentrações. Contudo, se o radão se infiltrar em edifícios fechados a sua concentração pode atingir níveis altamente prejudiciais. Assim, o risco de radiação acresce em zonas onde os solos são de natureza granítica e existam edifícios de pequena dimensão ou com pisos inferiores (como por exemplo caves) que sejam pouco mal isolados e pouco ventilados.

O principal fator de exposição a este gás é através da inalação. Quando alcança os brônquios, irradia para os tecidos vizinhos e potencia o aparecimento de tumores pulmonares. É considerada a segunda causa de cancro do pulmão, logo a seguir ao tabaco e chega a aumentar 25 vezes a probabilidade de cancro quando ambos os fatores estão presentes.
Sempre que houver receio de níveis elevados de radão deverá proceder-se a medições. Assim como novamente após a implementação das medidas minimizadoras, para avaliar a sua eficácia e se já está com valores aceitáveis.

Existem várias ações que contribuem para a minimização da exposição ao radão e que por sua vez garantem uma boa qualidade do ar interior, nomeadamente:
- Ter atenção à qualidade da construção do edifício, ou seja se optar por materiais à base de granito, que estes tenham um baixo teor em radão;
- Aplicar barreiras entre o solo e os edifícios;
- Selar fendas que possam existir no pavimento, ou em paredes;
- Assegurar a ventilação para o exterior.

A União Europeia (Diretiva 90/143/EURATOM), recomenda que para habitações já construídas, as concentrações médias anuais não ultrapassem os 400 Bq/m3 e que para futuras construções, os níveis de radão sejam mantidos abaixo dos 200 Bq/m3. Estes limites estão já adotados na legislação portuguesa DL 79/2006, de 4 de abril (Regulamento dos Sistemas Energéticos de Climatização em Edifícios - RSECE). Se a concentração média de radão exceder estes valores deverão ser tomadas medidas para reduzir o radão no ar interior.
Trata-se de uma situação preocupante para a região de Braga, uma vez que aqui abundam os solos e edifícios graníticos.

Já nos anos 80 o radão era considerado um problema de saúde pública, mas ainda é um problema pouco entendido pela população, pois como se trata de um gás invisível e inodoro os riscos associados também não são percetíveis. É, portanto, importante sensibilizar para o facto da radiação natural poder constituir um perigo e divulgar medidas para minimizar os seus riscos. E incentivar à realização de medições da concentração do radão nos edifícios mais suscetíveis à exposição.

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