A cultura da segurança no turismo

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Abílio Vilaça

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Realizou-se no IPCA, na última semana, uma aula aberta subordinada ao tema que se refere no título desta crónica. Um tema atual, muito oportuno e que conseguiu atrair o interesse e o envolvimento de alunos finalistas da Licenciatura em Gestão de Atividades Turísticas, autoridades de proteção civil, sapadores bombeiros e profissionais de turismo.
O tema, muito atual, pois no dia anterior na cidade de Londres, a cidade que mais visitantes e turistas rebe por ano em todo o mundo (cerca de 84 milhões), havia sido palco de mais um ataque terrorista que causou várias dezenas de feridos e cinco mortes. Uma cidade que vive essencialmente do turismo, e que por certo, vai sofrer impacto na atividade. Foi assim, infelizmente, o que aconteceu em Madrid, em Paris, em Bruxelas, em Tunes, em Ancara, etc. Sempre que se verifica um atentado ou um ataque terrorista, o setor do turismo é o primeiro a pagar a fatura. São hotéis que registam menos ocupação, museus que perdem visitantes, atividades turísticas que deixam de se realizar, etc. etc.
O tema ganhou por isso ainda maior interesse, porque se tem vindo a assistir a um fenómeno, que tem destruído a confiança dos mercados turísticos dos países onde os ataques terroristas têm assumido maiores proporções. Os operadores turísticos, vivem numa ansiedade crescente porque quando lançam um destino turístico, com forte aposta em promoção e campanhas de motivação, nunca esperam que esse destino caia em desgraça pela mão de atos cobardes e criminosos.
A questão não se fica, apenas pela segurança física em espaços públicos. Deve atender a outros espaços, mais restritos, mas também abertos ao turismo, como acontece com hotéis, aviões, museus,… É sabido que existem planos de emergência nas unidades de alojamento, nos museus, nos parques temáticos, nos aeroportos, etc. O que não existem são planos de emergência anti-atos de terrorismo e anti-pânico. Os gestores de unidades de alojamento, de museus, de espaços de animação, vão necessitar de repensar os seus planos de emergência e de trabalhar em contexto das novas ameaças.
O comandante dos Bombeiros Voluntários de Barcelinhos, Dr. José Beleza, deu uma aula centrando a sua atenção na temática dos hotéis. Despertou o interesse e a necessidade de se assumir uma cultura de segurança, para além dos obrigatórios planos de emergência implementados. Faltam os simulacros e a motivação de uma consciência de respeito pela segurança, tão necessária a todos quantos trabalham para que o turismo constitua uma economia da felicidade e promova o bem-estar e proteja turistas e cidadãos.
A segurança em Parques de Aventura, foi-nos transmitida pelo dr. Paulo Barbosa, diretor da Diverlanhoso, que demonstrou as preocupações daquele Parque Aventura com a segurança dos seus clientes e com os seus equipamentos, onde as questões técnicas e a cultura da segurança são levadas a rigor. Chegam a ter num mesmo equipamento três sistemas de segurança em paralelo, que se substituem e simultaneamente reforçam a opção pela segurança. Um bom exemplo a ter em conta.
Muito interessantes e positivas as comunicações do Comandante Operacional da Proteção Civil de Barcelos, Licínio Ferreira Santos e do Sapador Bombeiro de Braga, Rui Gonçalves, que abordaram experiência pessoais de grande oportunidade. Foi, por todos salientada a oportunidade do tema, felicitando a ESG/IPCA por ser a primeira instituição do ensino superior, em Portugal, a tratar esta temática da segurança associada ao turismo. Elogiaram ainda os trabalhos efetuados pelos alunos, que investigaram a segurança no setor do turismo (aeroportos, parques temáticos, aviões, barcos cruzeiro, comboios, museus, monumentos, hotéis, festivais,…) e que se encontravam plasmados em posters para consulta da comunidade académica e convidados. Consideraram ainda que os gestores dos operadores de turismo e a academia deveriam tratar esta temática de forma mais permanente.
Estando o turismo a desenvolver-se de forma notável, exige-se uma assunção de uma cultura de segurança que permita eliminar as incertezas e o ambiente de insegurança latente.
O outo pilar da cultura da segurança, designado por safety, corresponde a garantir a todos os cidadãos e naturalmente aos nossos turistas que estão protegidos e que podem confiar no nossos país e nas entidades responsáveis por garantir a segurança. Neste contexto as autoridades devem construir as barreiras necessárias para evitar danos e ferimentos.
A cultura da segurança, ultrapassa a dimensão da assistência, da prevenção e do socorro. Baseia-se sobretudo na formação de uma consciência de que na economia da felicidade teremos de saber organizar os eventos, as empresas, as atividades tendo sempre presente as questões do safety e security. A cultura da segurança, surge para garantir que os acidentes não aconteçam e para que uma vez mais conscientes, melhor preparados para lidar com esta problemática
O turismo e os operadores turísticos sabem o quanto significa ter turistas em Portugal sentindo-se seguros.

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