Como é que pode?

Ideias Políticas

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Hugo Soares

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Sendo cada vez mais impossível para a esquerda manter o manto de sombras sobre o que realmente se passou e está a passar na Caixa Geral de Depósitos, começa finalmente a fazer-se luz e a verdade - toda a verdade - começa a vir ao de cima. A começar pela verdadeira natureza de partidos como o Bloco de Esquerda e do PCP (do Partido Socialista já ninguém tinha dúvidas), que sempre se arvoraram em paladinos da defesa do banco público e arrogantemente se autoproclamavam de uma superioridade moral que, agora, não encontra eco nos seus atos.

A revelação de que a recapitalização de cinco mil milhões de euros da CGD implicaria, na outra face da moeda, um drástico plano de reestruturação não surpreende ninguém, apesar de nunca até hoje o governo se ter dignado a informar os portugueses sobre todo este processo, que desde o início se caracterizou por uma teia de confusões, equívocos, histórias mal contadas e, sobretudo, do maior défice de transparência de que há memória. O Partido Social Democrata sempre defendeu que uma operação que impõe tamanho esforço aos contribuintes tinha que ser cabalmente explicada. Pois nunca foi.

E de todas as vezes que exigimos a presença do ministro Mário Centeno ou de António Domingues para que dessem a conhecer o processo de recapitalização em toda a sua extensão, o PS, o Bloco e o PCP nunca, mas nunca, o permitiram. Começa a perceber-se hoje que o boicote sistemático que estes partidos fizeram na comissão parlamentar de inquérito à Caixa se deve ao facto de eles já saberem o que não queriam que os portugueses soubessem.

Mas a verdade é como o azeite, vem sempre ao de cima. É sabido, agora, que a recapitalização vai implicar uma reestruturação fortíssima, com o fecho de cerca de 200 balcões por todo o País e o despedimento de 2.200 pessoas. Alguém acredita que Bloco e PCP não sabiam destes planos quando aplaudiram de pé a recapitalização negociada pelo governo? Só mesmo os que acreditam em vacas que voam acreditam na sinceridade da indignação que bloquistas e comunistas agora manifestam. É muito cinismo, muita hipocrisia e muita cara de pau chamarem agora Mário Centeno para ele prestar contas destes encerramentos e destes despedimentos!

Como é que pode?, perguntar-se-ão, incrédulos, os portugueses. Pode porque esta maioria de esquerda se sustenta unicamente em esquemas obscuros e numa desavergonhada demagogia. Mas a verdade é que estes partidos que, por tudo e por nada, andam sempre com o serviço público na boca, são exatamente os mesmos que apoiam o governo que decidiu o fecho de duas centenas de balcões.

Quantos cidadãos, quantos pensionistas, quantos clientes do banco público vão ficar, de um momento para o outro, sem o acesso à Caixa que sempre tiveram? Serão milhares e milhares, seguramente. Onde está então o serviço público do banco do Estado que, ainda por cima, vai receber uma injeção brutal de milhões de euros pagos pelos contribuintes? E se no período dificílimo da troika esses balcões se mantiveram sempre abertos, porque é que têm de fechar justamente agora, neste novo tempo de bonança de esquerda? De facto, há muitas perguntas sem resposta…

Também sobre os prejuízos da CGD se começa a fazer luz. Aos poucos, as notícias e os depoimentos que se vão tornando públicos conduzem à conclusão de que as enormes imparidades da Caixa (o dinheiro que dificilmente será alguma vez recuperado) resultaram sobretudo de créditos concedidos no tempo do governo de José Sócrates, muitos deles frutos de negociatas que se encontram atualmente sob suspeita ou em investigação criminal.
As respostas tardam mas acabam por chegar, mesmo contra a vontade de quem tudo faz para as sonegar. A verdade destabiliza a Caixa? Não, a verdade só destabiliza quem mente ou quem esconde.

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