O bom, o mau e os vilões

Ideias

autor

João Marques

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Comecemos pelo bom, que é muito e que merece o devido destaque. Nos últimos tempos, Braga tem tido excelentes notícias no que respeita à atividade económica, aos resultados de gestão da autarquia e aos eventos de dimensão internacional que projetam este concelho bem para lá da tradicional esfera de influência regional e nacional.

É sintomático que se tenha sabido, num semanário de referência, que Braga, em 2016, viu as suas exportações aumentarem em quase 20% face ao ano de 2015, o que significou um salto direto para o “top ten” dos municípios mais exportadores do país. Este resultado é ainda mais importante se olharmos para o perfil económico do concelho, cada vez mais sustentado numa economia virada para as novas tecnologias, para os produtos de muito valor acrescentado e para o rejuvenescimento de produtos e serviços tradicionais, onde se destacam o turismo e o comércio. Lembre-se que, como capital do distrito, não raras vezes se cai no erro de considerar Braga como uma cidade onde pululam os serviços públicos (e privados) e pouco mais.

Também não é justa a qualificação de capital do betão, apesar da importância económica que a construção civil assume. Sem desprimor pelo grande valor e valia deste vetor económico bracarense, sabemos que hoje, fruto da crise, mas também da pujança de novas e criativas indústrias, há todo um novo portfólio de ativos que Braga tem sabido estimar e potenciar. A ligação direta e indireta da Universidade do Minho a esta nova realidade é indesmentível, tendo como prova uma cada vez maior ligação ao tecido económico, seja em casos mais visíveis, como o da Bosch, seja em micro-exemplos como os das inúmeras start-ups que vão surgindo.

Braga é, por isso, um aglomerado de oportunidades económicas cada vez mais evidentes, onde a indústria, o comércio, a construção, a tecnologia, o passado e o presente se unem num produto autêntico, com identidade própria e uma história singular. O plano estratégico para o desenvolvimento económico aprovado pela autarquia e gizado pelo atual executivo, através da renovada empresa municipal InvestBraga (ex-PEB), assenta justamente na capacidade de unir as distintas valências disponíveis e atrair investimento para um concelho que tem todas as condições para ter sucesso.

A outra boa notícia que queria relevar respeita à capacidade da Câmara Municipal conseguir aliar este novo elã económico ao rigor na gestão das suas contas. Era uma promessa eleitoral e tem sido um claro exemplo do que verdadeiramente é “palavra dada, palavra honrada”. De acordo com a imprensa local, o relatório “Qualidade da Gestão Pública e Sustentabilidade Financeira”, da Direção-Geral das Autarquias Locais (DGAL), aponta para um “lucro” de 4 milhões de euros nas contas de 2016 da autarquia bracarense, para além de sublinhar que o município terá atingido o melhor prazo médio de pagamento de sempre, demorando apenas 5 dias a liquidar as faturas que lhe são apresentadas, o terceiro melhor prazo a nível nacional. Terei oportunidade de voltar a este tema quando as contas de 2016 forem objeto de pronúncia pela Assembleia Municipal, o que acontecerá em breve, mas estes são, sem dúvida, dados muito animadores que autorizam a assunção de um novo adágio: “Contas à moda de Braga”.

Ainda nas boas notícias, foi já apresentado o trajeto da “street stage” de Braga do Rally de Portugal e ficou-se a saber que boa parte do que de melhor temos para contemplar será transmitido para uma audiência de centenas de milhões de espectadores por todo o mundo. O traçado citadino passará pelo centro histórico e será um excelente cartão-de-visita do concelho para o mundo.

Para o mau e os “vilões” reservei menos tempo e espaço, o que se compreenderá. Ainda assim, não posso deixar de anotar, com preocupação, a acusação, pelo Ministério Público, de que foram alvos Mesquita Machado e os restantes vereadores socialistas da altura, no caso das Convertidas. Como bem se lembram, este foi um negócio tortuoso, muito pouco claro e onde o interesse público parece ter ficado para trás.

Na altura, Ricardo Rio, a coligação “Juntos por Braga” e a restante oposição alertaram para a torpeza dos contornos de uma transação que parecia ter como grande beneficiário um familiar do antigo Presidente da Câmara e não o concelho e os bracarenses. Os prédios adjacentes ao Convento das Convertidas, em plena Avenida Central, haveriam de ser adquiridos pela autarquia a uma imobiliária que, no dia anterior à reunião de Câmara que aprovou a aquisição, os havia comprado, espante-se, à empresa do genro de Mesquita Machado.

Os rumores levaram às suspeitas de vilanagem, as suspeitas levaram a investigações e, agora, as investigações levaram à acusação pelos crimes de participação económica em negócio e abuso de poder, ou seja, à conclusão da existência de fortes indícios da prática daqueles crimes.
Até prova em contrário, todos são inocentes. É uma máxima do direito, não da política, mas mantenhamos um espírito aberto. Valha ao menos a circunstância de o atual executivo ter revertido esta nebulosa transação e recuperado os 3 milhões de euros que os bolsos dos bracarenses custearam, para converter o que eram passivos alheios certos em duvidosos ativos da comunidade.

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